COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

UM TIME?

A contratação de Oswaldo de Oliveira é uma boa notícia ao final de um ano sofrido para o torcedor do Palmeiras. Dois mil e quatorze, o centenário do clube, teve apenas um momento que será lembrado com felicidade: a reinauguração do estádio. A noite que reuniu gerações em torno do orgulho de torcer para o Palmeiras terminou com uma derrota que as amedrontou. O que diz o suficiente a respeito da temporada do time.

Dois mil e quinze começará com a esperança de ser diferente, e a chegada do novo técnico é, por si só, uma garantia de que será. Pode não ser um sonho, porque há muitas circunstâncias envolvidas, mas não será igual. A visão de futebol de Oswaldo e as características que regem sua maneira de trabalhar estão do outro lado do espectro em relação aos treinadores que passaram pelo Palmeiras recentemente. Os times de Oswaldo jogam, e não há nenhum motivo para crer que o Palmeiras sob suas ordens assumirá o caráter receoso que marcou o ano que quase terminou na Série B.

Oswaldo de Oliveira faz parte da família dos “técnicos do sim”. São treinadores que enxergam o futebol como uma conversação para a qual cada um deve contribuir com argumentos sólidos e bem apresentados. Há técnicos que só sabem fazer cara feia e gritar. Polemistas, estão interessados em “vencer” a discussão a qualquer custo, pois imaginam que vitórias os tornam espertos. Oswaldo prefere debater expondo os pilares de sua posição, pois não há virtude maior do que construir algo baseado em convicções.

Essas diferenças aparecem quando encontramos times que só sabem competir explorando as imperfeições do rival. Comportam-se como animais oportunistas que, incapazes de caçar, especializam-se em roubar a presa abatida pelo mais forte e mais corajoso. Para cada time de futebol que não consegue sair jogando com a bola dominada desde trás, há um técnico que finge esquecer que seu trabalho é, também, ensinar. Desenvolver movimentos para ir da defesa ao ataque sem se desfazer da bola é um dos princípios básicos do futebol, mas existem aqueles que os abandonam para não correr riscos. A isso se dá um nome: medo.

Os times de Oswaldo não praticam futebol medroso, independentemente do orçamento. Mas é claro que a matéria-prima é determinante para o produto final. A obrigação de quem está acima do técnico é dar a ele a possibilidade de construir um time, o que depende de recursos e conhecimento. Se as informações que saem de dentro do Palmeiras são verídicas, não existe apenas a intenção de investir em jogadores, mas o dinheiro para fazê-lo também está disponível.

Em 2014, a impressão de que Valdivia é um jogador decisivo foi exagerada pela solidão do chileno. Seus companheiros lhe entregavam a bola com um pedido de socorro. Bom para ele, ruim para todos. Valdivia será realmente um fator de desequilíbrio quando, e se, estiver em campo com regularidade, e for parte de movimentos ofensivos que não terminem nele. Oswaldo de Oliveira já deve estar pensando em como.

MURO

David de Gea foi o melhor jogador em campo no clássico de ontem entre Manchester United e Liverpool. O goleiro espanhol deu uma clínica de como defender lances à queima-roupa, fazendo o suficiente sem tentar fazer muito. De Gea diminui a distância para o atacante, usa os braços e pernas para fechar possíveis rotas da bola, e espera o contato. Não tenta adivinhar ou se antecipar à finalização, apenas dificulta ao máximo a tarefa do rival. Para cada um dos três gols que o Manchester United marcou, De Gea fez pelo menos uma defesa decisiva.

AGUARDE

Está difícil atravessar o final do ano enfrentando a abstinência de futebol? Não se preocupe. Daqui a pouco é Natal, depois Ano-Novo, e, quando você menos esperar, a bola estará rolando de novo nos emocionantes campeonatos estaduais. Toda a pujança dos times do interior, os estádios lotados a cada visita dos clubes grandes, uma festa…



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