COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

PRESENTE

Abaixo, trecho de uma coluna publicada neste espaço, pouco mais de um ano atrás:

“O Pacaembu lhe agradeceu, cantou seu nome e, tão importante quanto, não lhe disse adeus. Como se estivesse evidente, ainda que seja difícil entender, que o melhor para as partes agora seja uma separação temporária. O Corinthians se encontra no final de um ciclo e Tite talvez não seja a pessoa indicada para fazer a reforma que dará início ao próximo. Mas não resta dúvida de que a relação que se criou nas últimas três temporadas é do tipo que não se encerrará enquanto Tite estiver trabalhando. Daqui a algum tempo, ele se transformará em um fantasma constante para colegas em má fase no clube”.

O tema do texto era o último jogo de Tite como técnico do Corinthians e as impressões deixadas pela forma como o casamento de três anos terminou. À época, não se poderia imaginar que o treinador passaria um ano sabático e retornaria ao mesmo lugar, algo raro até em um mercado de pouca renovação e muita rotatividade. Haverá quem diga que o plano era exatamente esse, esquecendo-se que o futebol não aceita um exercício de futurologia tão preciso.

No intervalo de um ano, Tite descansou e investiu tempo, dinheiro e energia na própria carreira. Teve de resistir ao desejo de retomar a única rotina que conhece, ao final do primeiro semestre, quando os dias passavam e as possibilidades oscilavam entre o que não era concreto e o que não interessava. Entreteve-se com a Copa do Mundo no Brasil, tratada como um prolongamento da imersão a que se impôs em busca de atualização. Lidou com a frustração por não ser escolhido para substituir Luiz Felipe Scolari, oportunidade que alimentava e à qual fez jus.

Quando o Campeonato Brasileiro entrou em seu último terço, Tite avaliou o patamar profissional que alcançou e decidiu que não mais aceitaria a incumbência de salvar times que não montou. Durante o período, praticamente todos os clubes que precisaram de um técnico, ou que estudaram a ideia de mexer no comando, entraram em contato. Em meses de coleta de informações e aprendizado, talvez o mais valioso tenha sido saber esperar.

Enquanto isso, o Corinthians retrocedeu. Não teve capacidade de organização para dar prosseguimento aos anos mais gloriosos de sua história, mesmo que não lhe faltasse nada em termos estruturais. Com as possibilidades de receita que o estádio representa, a manutenção de um time dinástico era uma questão de gestão. Os equívocos foram tão evidentes que o panorama político do clube tornou-se um filme de baixo orçamento, com atores desqualificados e enredo sofrível. Nesse contexto, o quarto lugar no Campeonato Brasileiro e a consequente chance de disputar a Copa Libertadores permitem ao menos dizer que 2014 não foi um ano perdido.

A coluna de dezembro do ano passado terminava com a seguinte frase: “Tite voltará”. Era apenas uma sensação, claro. Agora, com o retorno iminente, o que parece é que ele jamais se ausentou.

AJUSTE

A primeira proposta do Corinthians para Tite foi de 400 mil reais por mês. A negociação deve ser concluída em torno dos 500 mil, valor menor do que Tite recebia em sua última passagem. A indústria do futebol percebeu que a megalomania dos salários precisa acabar, mas o mercado continuará a sorrir para os mais valorizados. Como contexto, um salário de 100 mil reais por mês é considerado baixo para técnicos dos principais clubes do país.

CORAGEM

Palmas ao posicionamento público de Murilo Endres e Bruno Rezende no caso dos desvios de verbas na Confederação Brasileira de Vôlei. Denúncias como essas são frequentes no esporte no país, mas nem sempre se vê atletas demonstrando a coragem de enfrentar quem manda e desmanda. Importante ressaltar, também, a medida saudável de um patrocinador (Banco do Brasil) que suspendeu pagamentos por causa das irregularidades apuradas.



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