CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DIRETORIA

Quem viu a entrega da taça do Campeonato Brasileiro ao Cruzeiro, no domingo passado, talvez tenha percebido a presença de um homem vestindo uma camisa azul e usando óculos, no pódio, junto aos jogadores. Ele tinha uma faixa adornando o peito e uma medalha pendurada no pescoço. Era um dos mais sorridentes, aplaudia efusivamente, demonstrava genuína felicidade.

Fábio, o capitão cruzeirenese, foi buscar o troféu, mas não o ergueu imediatamente. Após colocá-lo no chão para que os jogadores fizessem uma saudação, o goleiro chamou todos para o gesto final. Antes, porém, convidou o homem de azul a tocar a taça. Não era um companheiro machucado ou um ex-jogador identificado com o clube. Era o diretor de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos.

O que parece uma cena comum é um testemunho do espaço ocupado por um executivo, não apenas aceito como solicitado a participar de um momento que pertence aos atletas. Jogadores de futebol são zelosos na proteção ao próprio território. Não frequentam escritórios e não toleram a aparição de estranhos no vestiário. A hora de levantar um troféu é deles. A deferência dos cruzeirenses a Mattos significa que ele é “um deles”.

Alexandre Mattos é o nome em maior evidência por ter montado o time que conquistou dois campeonatos brasileiros seguidos, mas há outros profissionais de alto perfil cujos serviços são disputados por clubes como se fossem jogadores. Rodrigo Caetano, para citar um deles, foi apresentado pelo Flamengo nesta semana como o primeiro reforço para o próximo ano. O que dá a medida de como o mercado os valoriza.

Mattos está de saída do Cruzeiro por divergências com seus superiores. Os pedidos dos jogadores para que reconsidere a decisão não devem impedir a mudança de prefixo de seu telefone celular. Se for trabalhar no Palmeiras, que não esconde o interesse, encontrará um ambiente que carece urgentemente de alguém como ele.



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