COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

SEGUNDA CHANCE

1 – Havia gente chorando aos onze minutos de jogo no Allianz Parque. Do apito inicial àquela altura, o Palmeiras não tinha encontrado meios para ser superior a um adversário com média de idade de categoria de base, e perdia por 1 x 0. O jogo mal começara e já se via assombrado pela sensação de que o rebaixamento estava decretado.

2 – No mesmo intervalo, o Atlético Paranaense criou um gol em contra-ataque que Gabriel Dias evitou quando a bola não poderia avançar mais um palmo. E marcou um gol no escanteio subsequente, com um cabeceio de Ricardo Silva sem marcação. Como naqueles sonhos em que não conseguimos nos mexer, por mais que tentemos, o Palmeiras era o retrato da impotência.

3 – Além do cronômetro do jogo, uma contagem de minutos bem mais urgente se instalou: o tempo que o Palmeiras tardaria para dar sinal de pulso e avisar que estava em campo. Provavelmente os minutos mais decisivos do ano inteiro. Para conter as lágrimas que continuavam a cair, não demorou muito. Empate com Henrique, de pênalti (corretamente marcado), aos dezoito.

4 – Primeiro gol do Palmeiras em seu novo estádio. Uma nota histórica que fica para outro momento.

5 – A igualdade permitiu que o Palmeiras mantivesse um mínimo de sanidade em campo. Em termos de dinâmica, porém, era o mesmo time desorganizado das últimas rodadas. E com falhas defensivas tão gritantes que as investidas do Atlético continuaram a criar problemas para Fernando Prass. Não é exagero afirmar que o goleiro palmeirense impediu dois gols no restante do primeiro tempo.

6 – Valdivia demorou a voltar do vestiário, gerando dúvidas se continuaria no jogo. Por estranho que pareça, a maior contribuição do chileno não era técnica, mas comportamental. Valdivia não era o sopro de clareza em um time confuso. Mas uma amostra de postura em um time reticente. Foi recebido com palmas ao reaparecer no gramado. Em momentos de desespero, as pessoas se agarram àquilo que lhes traz conforto.

7 – O Palmeiras passou a ser mais perigoso a partir da metade da segunda parte. Um bom passe de Valdivia para Cristaldo deixou o argentino em condições de marcar. Se faltou qualidade para o gol do alívio, ao menos a bola passava mais tempo longe da área de Prass. O jogo caminhava para o final, dominado pelo temor de um gol tardio e trágico. Em São Paulo ou em Salvador.

8 – Apito final. O ano do centenário do Palmeiras terminou com um empate em casa em um jogo decisivo. Mas ainda faltavam dois minutos de angústia, pois o Vitória lutava – ou deveria lutar – por sua permanência na Série A, no Barradão. O destino do Palmeiras já não lhe pertencia.

9 – Thiago Ribeiro nunca vestiu a camisa palmeirense, mas poderá dizer aos netos que marcou um gol pelo clube. Não foi um gol sem importância. A vitória do Santos em Salvador foi comemorada no Allianz Parque, um presente inesperado nos últimos segundos de um ano que poderia não terminar.

10 – As pessoas que conduziram o Palmeiras a tal ponto não têm o que celebrar. Só a agradecer pela segunda chance que receberam.

MOSTRUÁRIO

O enrosco entre o São Paulo e a Pênalti teve várias repercussões negativas para os dois lados e para a relação entre eles, mas pelo menos uma muito agradável para a empresa: a ideia inicial era vender cerca de 25 mil camisas “da despedida” de Rogério Ceni. Até o fim da semana passada, as vendas do produto já se aproximavam do dobro. É evidente que os equívocos não foram planejados, mas tiveram um papel importante na divulgação da peça.

SÁBIO

Algumas frases de César Luis Menotti, em valiosa entrevista à última edição da revista El Gráfico: “Na mesa dos grandes , Pelé é o melhor. Quando falo de futebol, eu o tiro da lista, porque era um extraterrestre”; “Guardiola foi um furacão devastador. Arrasou com todas as fraudes e as mentiras. Arrasou-as de tal maneira que agora até os italianos querem ter a bola e jogar. O único que a cada dia joga pior é o Brasil”.



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