CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MINHA CASA, MINHA VIDA

Em “Scorecasting”, intrigante livro lançado em 2011 (tema de uma coluna publicada neste espaço) com o objetivo de investigar mitos relacionados a diversos esportes, dois autores americanos abordaram as vantagens dos times mandantes em jogos de futebol. O resultado da análise de resultados de quarenta campeonatos em vinte e quatro países mostrou que o time que joga em casa vence, em média, 63% das vezes.

Este foi o exato percentual de vitórias dos mandantes na Premier League inglesa nos dez anos anteriores ao lançamento do livro. Na Série A italiana, o índice ficou em 64,3%, enquanto na Liga Espanhola, em 65,7%. É possível que algo tenha mudado de lá para cá, mas o achado mais importante foi uma assustadora consistência dos percentuais ao longo dos tempos, em competições de níveis diferentes e países distintos.

Os autores desmentiram “fatos” como o conforto por jogar em um estádio conhecido ou o impacto da torcida a favor, e concluíram que o fator decisivo pró-mandante é o comportamento da arbitragem. Por essa ótica, tanto faz o Palmeiras jogar contra o Atlético Paranaense no Allianz Parque, no Pacaembu ou, que seja, na Arena Corinthians. A probabilidade de vitória seria a mesma (levando em conta a média do campeonato) em qualquer estádio em que o Palmeiras fosse mandante.

Ocorre que os números do Campeonato Brasileiro de 2014 são bem diferentes: 51,9% dos jogos foram vencidos pelo time da casa, quase uma moeda jogada para o alto. E no caso específico do Palmeiras, o número cai para apenas 38,8%, o que ajuda a entender o risco de queda para a Série B na última rodada.

Não há um estudo conhecido sobre “chance de vitória para um time ameaçado pelo rebaixamento, em seu segundo jogo em uma nova casa”. Se houvesse, a amostra seria insuficiente para gerar conhecimento. O que se sabe é que, no grande esquema das coisas, o estádio escolhido para mandar um jogo não tem qualquer influência sobre o resultado final.

VAIDADE

O que se pode discutir é se o Palmeiras deveria ter reinaugurado seu estádio neste campeonato, sob risco de ser rebaixado. Talvez fosse mais prudente não expor o time a um “jogo de festa, com obrigação de vitória”, como se viu contra o Sport. Sempre que um dirigente – qualquer um – disser que “não tem a vaidade” de fazer algo, estará confirmando o contrário.

INTRANQUILIDADE

Agora, na última rodada, a pressão e as dificuldades serão as mesmas, independentemente do local. E é compreensível que se tenha preocupações com a segurança, pela reação da torcida a um resultado trágico. Seria muito melhor se os jogadores soubessem que teriam apoio e compreensão até o final, mas esse é um quadro utópico no futebol brasileiro.



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