CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

IRRETOCÁVEL

1 – A ideia de que o Atlético Mineiro não se resumiria a proteger sua vantagem se confirmou desde os primeiros minutos. Duplamente óbvio: como pedir a este time que seja o que não é? Por que motivo o Atlético cometeria o erro que suas vítimas cometeram?

2 – Aos olhos de um observador desinformado, o Atlético parecia o time que precisava de gols. Duas ocasiões preciosas em meia hora de jogo. O Cruzeiro, sem conseguir cuidar bem da bola, jogava como se o placar fosse dele.

3 – Uma desatenção da zaga atleticana criou um gol para Ricardo Goulart. Após a finalização, os jogadores reservas do Cruzeiro levaram as mãos à cabeça. Goulart tranquilizou todos os peladeiros de fim de semana. Menos os que torcem para o Cruzeiro, claro.

4 – Jesús Dátolo chutou por cima o rebote de uma ótima defesa de Fábio (impedindo um gol de Maicosuel), lance que sugeriu a impressão de que o Atlético começava a exagerar no desperdício. Mas o cruzamento do argentino para o gol de Diego Tardelli foi estupendo.

5 – O Cruzeiro não deu nenhum chute no alvo durante o primeiro tempo de um jogo em que, inicialmente, precisava fazer dois gols. No intervalo, a conta subiu para quatro. Impossível? Sem finalizações na direção certa, sim.

6 – Sessenta minutos, e Victor poderia não estar ali. O torcedor canta, o time tenta, mas todos no Mineirão sabem que a montanha é alta demais. No segundo tempo do último jogo importante do ano, a temporada e o título brasileiro assegurado no domingo cobraram seu preço.

7 – O Atlético percebeu um adversário impotente e passou a dosar sua bateria. A diferença física entre os dois times ficou maior até do que o placar agregado. Quando o Cruzeiro finalmente acertou o gol, o resultado do jogo já não faria diferença no resultado da decisão.

8 – Expulsão tola de Leandro Donizete, único jogador pilhado em uma noite leal entre dois rivais sanguíneos.

9 – Irretocável Copa do Brasil do Atlético campeão.

GERÊNCIA

Os desentendimentos entre os dirigentes atleticanos e cruzeirenses desprestigiaram uma decisão inédita e inesquecível. Polêmicas relacionadas ao acesso do público ao Independência e ao Mineirão puniram a razão de ser do espetáculo e produziram dois estádios com lugares disponíveis. A CBF fingiu que nada aconteceu, irresponsabilidade ainda mais grave.

ABSOLUTO

Nos jogos em que estabeleceu novos recordes de gols na história do Barcelona, do clássico entre Barcelona e Real Madrid, da Liga Espanhola e da Liga dos Campeões da Uefa, Lionel Messi marcou três vezes. Um hábito assustador para quem tem 27 anos e, em tese, muitas temporadas em alto nível no futuro. Ainda vamos falar, e ouvir falar, muito de Messi.



  • João Henrique Levada

    Oi Dezinho.

    Será que não é exagero classificar como irretocável a campanha do Atlético Mineiro?

    Eu acho que sim, uma vez que usaria este adjetivo apenas se eles não tivessem, heroicamente, revertido placares contra Corinthians e Flamengo.

    Venceram a Copa, sim. Não acompanhei mas noto que usaram um futebol ofensivo e isto é ótimo.
    Mas irretocável, só se tivessem passado por Corinthians e Flamengo da forma como passaram pelo Cruzeiro.

    Um grande abraço.

  • Teobaldo

    Ganhamos, o que fez todos os atleticanos, felizes. Gostaria de pontuar algumas passagens desta Copa do Brasil: 1 – A irresponsabilidade dos dirigentes em não fazer os dois jogos no Mineirão, com torcidas e rendas divididas, erro cabal de pessoas que administram o futebol de forma amadora, jogaram, no mínimo, 5 milhões de reais fora cada um; 2 – O jogo final colocou frente à frente um time extenuado contra outro descansado, reflexo de uma péssima gestão do “produto” futebol e, ainda por cima, concorrendo com o jogo do São Paulo, o que foi, na minha opinião, outra burrice sem tamanho; 3 – Declaração equilibradíssima de Levir Culpi quando perguntado por um reporter se na volta dele ao Atlético ele estaria desatualizado do futebol brasileiro, por ter trabalhado muito tempo no Japão: “Eu não fiu ao Japão para ensinar. Eu fui ao Japão para aprender”; 4 – Outra do Levir, quando um reporter perguntou se ele teria agido como um gestor ao afastar Jô, Conceição e André: “Eu não me sinto um gestor. Eu me sinto um fracassado por não ter conseguido fazer os jogadores entenderem o quanto eles estavam errados, o quanto eles estavam desperdiçando. Eu me sinto um perdedor por não ter conseguido recuperar os jogadores”. Um abraço!

    • Nandão Filho

      Kalil certíssimo….o galo acertou em jogar no Horto…o resultado está aí…galo campeão….alguém tem a cara de pau de discordar de algo que deu certo….fala sério.

    • JOSE ALVES

      Quando vejo comentários a respeito de um adversário (Cruzeiro) extenuado frente a um Atlético descansado, eu fico meio perdido porque:
      1 – Pelo número de competições disputadas, o Atlético tem uma a mais: Ambos disputaram o Mineiro, A libertadores, A copa do Brasil e o Brasileiro.
      2 – O Atlético além dessas disputas, tem uma competição disputada a mais: A Recopa Sul Americana, com jogo desgastante na Argentina.
      3 – Desde o início do ano, tem-se visto na mídia especializada o tão decantado elenco maravilhoso e superior do Cruzeiro.
      4 – Quem na verdade deveria estar extenuado seria o Atlético.
      5 – Por que não se aceita, entende ou enxerga a verdade? A imensa superioridade do futebol que o Atlético está apresentando sobre os demais (incluindo o Cruzeiro) no segundo semestre?

      AK: Você falou uma verdade: está meio perdido. Um abraço.

  • flavio

    André, sem defender o Donizete porque revidar foi errado, repare que por problemas passados os jogadores do Cruzeiro se revezaram pra dar uma “carimbada” nele que acabou perdendo a cabeça, mas não foi sem motivo.

  • Régis Forti

    André, ótima sacada sobre os hat-tricks de Messi. Algo como: “não vou só quebrar o recorde, vou confirmar que sou extra-terrestre”.

    Agora, você acha que ele conseguirá manter alto nível por mais uns 4,5 anos? Apesar de ainda ter números absurdos, não é mais o messi de 2009-2011, concorda?

    Abraço!

  • Sagres

    Amigo, você não tem acompanhado os clássicos entre Atlético e Cruzeiro. Neles, Leandro Donizete é escalação obrigatória, pois sempre se impõe no meio de campo. Excelente jogador. Jamais foi ou jogou pilhado, sempre campeão. Quanto a não jogar no Independência, esse estádio é o maior responsável pela estabilidade que permite ao Galo se preparar para as grandes conquistas.

    AK: Vejam…

  • Nandão Filho

    Leandro Donizete pilhado? Cara, tu não viu o jogo. Bateram em leando donizete o jogo todo….gullart, everton e nilton, se revesaram nas faltas….dagoberto, deu-lhe uma cotovelada e um biliscão….se fosse ele, com o jogo ganho, faria a mesma coisa…..bater eles gostam de apanhar, claro que não. Leandro Donizete monstro….melhor jogador do clássico junto com jemerson.

    AK: Realmente não vi o jogo (não gosto de futebol). Mas me contaram tudo, pode confiar.

  • Randel

    André, o Leandro Donizete estava pilhado porque bateram nele bastante também. Havia revezamento até. Ele jogou muito, foi um dragão em campo e não é desleal. Entra forte mas sempre na bola. O lance da expulsão o Dagoberto fez por merecer. Muito folgado. Não sei sua opinião, mas com todos os problemas que esse Atlético teve durante o ano como troca de treinador durante a Libertadores, saída do Ronaldinho, implementação da metodologia do Levir, jogos com time reserva e chegou ter até 14 jogadores no DM, esse time seria o único a brigar ponto a ponto com Cruzeiro e até mesmo ser campeão. Para mim, o Galo é a melhor e mais competitiva equipe do Brasil.

    AK: A expulsão foi tola, apenas isso.

  • Marcos H.

    A Copa do Brasil antes era disputada no primeiro simestre. A CBF, para obedecer a
    bagunça que faz no calendário, expõe e prejudica o time de melhor desempenho durante o ano com decisões simultâneas, fato. O Cruzeiro foi o melhor time do ano em oito meses de disputa e é notório que teve que priorizar. O Atlético, com méritos, diga-se de passagem, mais interessado, aproveitou o melhor momento que teve durante o ano, com o time mais descansado que embalou nas OITO rodadas (MEIA COPA), de uma disputa que premia o clube que busca uma SEGUNDA ALTERNATIVA, já na fase do mata-mata, como ocorreu com o péssimo Flamengo que também aproveitou da ocasião no ano passado. Quanto ao L. Donizete, jogador desleal já há alguns outros clássicos, como ele próprio argumentou e se justificou alegando que “os caras são leves´´ se referindo aos jogadores do Tetra Campeão Brasileiro. No mais, a diferença em Minas todos já sabem, é chover no molhado: Uma vez até morrer, mas tetra? morrerá e não verá.

  • André, parabéns pela brilhante coluna. Quase perfeita. Donizeti é um jogador que disputou duramente as divididas, até que foi atingido por trás pelo tal Dagoberto. Aí, devolveu. Dagoberto não entrou pilhado, entrou para machucar Donizeti, pois uma cotovelada daquelas nas costas é de arrebentar. Nada novo tratando-se do jogador. E talvez você tenha se esquecido que Everton Ribeiro chutou Rafael Carioca que estava caído. Como qualificar uma entrada dessa? Chutou um cara caído, depois do juiz já ter parado o lance. Já passou, mas merecia uma retificação nessa coluna que foi brilhante.
    Donizeti é um guerreiro, ídolo da torcida e continuará com seu estilo guerreiro, entretanto, dividindo todas de frente. A vergonha é uma torcida de 1.500 gritar mais do que 35.000. Mas afinal de contas é como um atleticano disse a um cruzeirense. “Eu sou atleticano. Você é um torcedor. Você torce por um momento. Eu vivo por um amor. Galo, sempre”. A torcida do Cruzeiro não existe. O que dizer de um time que não tem nem hino? Eles torcem quando o time está bem. Isso foi dito por um beque do Santos quando jogou no Cruzeiro: “Torcer só quando o time está ganhando é fácil”. Foi algo assim.
    Você escreveu há dias: CREIA!
    Galo, campeão da melhor Copa do Brasil. Em cima deles!!! Essa ninguém tira.
    Comemoração maior do que na Libertadores épica. Foguetório Guiness! 9 X 2 eterno! Copa do Brasil eterna!
    Creia!

  • André, tente rever a cotovelada por trás que o tal Dagoberto deu no Donizeti.
    Procure ver o chute de Everton Ribeiro em Rafael Carioca quando este estava caído, repito, caído, com o lance já parado pelo juiz.
    Só isso.

  • Chora, cruzeirense, o choro é livre.
    Ricardo Teixeira desmoralizou o Brasileirão distribuindo títulos para ganhadores de Taça Brasil.
    Jamais haverá Libertadores como a do Galo. Épica!
    Copa do Brasil, idem.
    Cruzeiro amarelou e perdeu uma Libertadores diante de sua torcida(?).
    Torcida de dá dó!
    Mas dias melhores Veron, freguesia, treme-treme eterno! Dias melhores Veron!
    Feliz Natal!!!

  • José Henrique

    Depois de tudo dissecado sobre Galo e Cruzeiro, hoje foi mudado um pouco o assunto, no excelente Linha de Passe desta sexta feira, integralmente dedicado ao São Paulo Fc.
    Pelo menos até os 65 minutos do programa de duas horas, foi o assunto principal.
    Acho importante essa mudança de pauta, pois as vezes cansa muito a repetição exaustiva do mesmo assunto, durante toda a semana, de lances duvidosos, mesmas críticas, e batidas na mesma tecla, cansam o telespectador.
    Mesmo como Corinthiano, foi agradável ver um programa leve como o de hoje, exaltando os jogadores do SPFC, bem diferente dos temas ácidos, críticas, e até rancores eventuais.
    Mesmo as eliminações do Spfc, neste ano, por Ituano, Bragantino, e agora na copa Sulamiranda, é muito bom ver uma equipe exaltada com elogios, e reconhecimento de um trabalho.
    Isso é jornalismo proativo, que merece ser aplaudido.
    Seria muito ruim, ver um trabalho desmerecido por algumas derrotas, em um ano inteiro de esforço.
    Gostei.

    • João Henrique Levada

      Preciso aproveitar a mensagem do meu “quase xará” pra fazer um desabafo.

      Quando o Corinthians chegou à sua primeira final de Libertadores, de forma muito consistente, o Sr. Mauro Cesar Pereira escreveu em seu blog: “Corinthians iguala São Caetano”.

      Nitidamente uma provocação aos corintianos que costumam chamar a empresa que estampa o contra-cheque do jornalista, de “Emissora São Paulina de Notícias”. A defesa, como o choro, é livre. E todo mundo tem o direito de errar. A chance de pedir desculpas também se apresenta em vias normais.

      No blog do Mauro também existe um espaço para comentários. Lá eu classifiquei o texto como uma bela “canelada”, como aquelas onde o jogador pretende cruzar a bola, com efeito, dentro da área, mortalmente na cabeça do atacante, mas a pelota sai como um tiro reto pra linha de fundo.

      Meu comentário ficou aquecendo o banco de reservas.

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