COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DE CIMA PARA BAIXO

As rodadas 34 e 35 representavam o desafio que separava o Cruzeiro do bicampeonato brasileiro. Dois jogos longe do Mineirão, contra adversários capazes. O líder venceu ambos, com ajustes no intervalo que fizeram reaparecer, na Vila Belmiro e na Arena do Grêmio, um time que esbanja o caráter necessário para defender seu título.

Especialmente em Porto Alegre, o segundo tempo do Cruzeiro foi monumental. Uma equipe precisa ter virtudes para vencer o Grêmio em seu estádio, mas deve ser capaz de reunir todas elas para virar o jogo em quarenta e cinco minutos, sem que o acaso ou a sorte estejam diretamente envolvidos. A postura dos mineiros na segunda metade caracteriza o que se costuma chamar de “atuação de campeão”, uma combinação de atributos futebolísticos e comportamentais que fazem com que um time determine o que acontece em campo.

A repercussão imediata da vitória no Sul é que o Cruzeiro pode ser campeão amanhã, em casa. O que se encaixa perfeitamente nos planos de concluir a maratona do Campeonato Brasileiro antes do segundo jogo da final da Copa do Brasil, marcado para a próxima quarta-feira. Em condições ideais, o Cruzeiro escreve o bi neste domingo, celebra por algumas horas, recarrega e vai com tudo o que tiver à luta contra o Atlético Mineiro. Belo Horizonte pode ser premiada com duas festas em quatro dias.

Cruzeiro x Goiás é o jogo mais relevante de um fim de semana em que só uma partida será marcada pelo desinteresse: o encontro do relaxado Flamengo com o condenado Criciúma. Nos outros nove estádios, há motivos para jogar e/ou assistir. Duvida? Em Internacional x Atlético Mineiro, confronto direto pelo G-4. O Bahia não pode deixar de vencer o Atlético Paranaense, assim como o Fluminense, diante do Sport. As esperanças do São Paulo estarão bem reduzidas – talvez até mesmo com um time genérico – contra o Santos, mas o jogo pode definir o título se o Cruzeiro não cumprir o que lhe cabe. Figueirense x Vitória é interessante para os catarinenses e decisivo para os baianos. Corinthians x Grêmio é vital para ambos, a exemplo de Coritiba x Palmeiras e Chapecoense x Botafogo.

A três rodadas do final, a narrativa de que a emoção é propriedade do mata-mata e os pontos corridos são uma fábrica de jogos sem valor revela-se o que sempre foi: uma mentira conveniente, escolhida por quem não consegue conviver com dois sistemas de competição que se completam, ainda mais quando coincidem em seus estágios decisivos. Quanto ao BR-14, cabe dizer que as disputas pela Copa Libertadores e pela Série A em 2015 devem se alongar até o último dia.

A dúvida em relação ao endereço do troféu não chegará a tanto. O Cruzeiro a pôs para dormir com um recital de futebol em Porto Alegre, com hierarquia e controle em um dos ambientes mais desafiadores do futebol brasileiro. Um time capaz disso, à esta altura da temporada, não precisa de nenhuma outra validação para olhar os demais de cima para baixo.

ENCAIXE

O Bom Senso Futebol Clube não poderia encomendar um “adversário” melhor do que o velho novo presidente do Vasco. O cartola de triste memória, ressurgido do caos patrocinado por Roberto Dinamite, é o rosto que representa tudo o que existe de anacrônico e que o futebol brasileiro precisa superar. Tê-lo como oposição serve perfeitamente aos interesses do movimento de jogadores que trabalham pelo avanço do esporte no país.

PATRIMÔNIO

Um aplauso aos torcedores do Palmeiras que não permitiram que um vândalo, palmeirense, depredasse cadeiras do Allianz Parque após o jogo de quarta-feira. Do ponto de vista do futebol como indústria, será trágico se os novos estádios tomarem o caminho do sucateamento. A manutenção desses equipamentos depende de quem os administra e de quem os utiliza, em proporções igualmente importantes.



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