COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

GASOLINA

Por alguns minutos após o gol de Willian na quarta-feira, quem estava assistindo a Cruzeiro x Santos teve a clara sensação de que o “melhor time do Brasil” tinha recuperado o sentido prático da expressão. O Santos curtia a depressão pós-gol sofrido que atinge quase todos os times, Éverton Ribeiro encontrava frestas na entrada da área de Aranha, a torcida do campeão brasileiro cantava no Mineirão.

De fato, todo o primeiro tempo do jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil poderia ter sido usado como prova do retorno do Cruzeiro. Em postura e desempenho, foi a versão brasileira do que os melhores times do mundo costumam fazer. Defesa alta, adversário confinado em seu próprio campo, controle da posse e dos movimentos. E o que mais aproxima o time dirigido por Marcelo Oliveira do que se considera um diferencial no futebol de hoje: circulação rápida da bola, com troca de posição constante.

O Santos recebia tratamento vip do time que lidera o Campeonato Brasileiro a caminho do segundo troféu, não do time que somou apenas 50% dos pontos que disputou no segundo turno. O contraste em campo fazia crer que a equipe de azul funcionava em uma rotação superior, a melhor impressão possível para o torcedor ressabiado pela diminuição do ímpeto nos jogos recentes nas duas competições. Por algum motivo, ou vários, a impressão não voltou do vestiário.

Na obra completa do que se viu no segundo tempo, quando o Santos foi mais atuante e mais perigoso, é preciso considerar o declínio fisico do Cruzeiro (claro, é obrigatório mencionar o gol mal anulado de Ricardo Goulart, mas o ponto aqui não é o resultado do jogo). Até quem não presta atenção pôde detectar a queda na rotação, problema que Oliveira tentou remediar com substituições. Em comparação com a primeira metade, parecia que o Cruzeiro operava em meia-fase.

O aspecto físico pode ser a última esperança dos times que pretendem desafiar o líder nos últimos quilômetros da maratona. Do segundo ao quinto colocados, nenhum terá a oportunidade de tirar pontos do Cruzeiro em confronto direto. De modo que o trabalho – estamos falando de cinco pontos, no momento – teria de ser terceirizado. A tabela reserva um par de jogos em que o risco e a energia negativa enviada pelos concorrentes serão altos.

Não por acaso, são duas partidas fora de Belo Horizonte, em sequência. Nas rodadas 34 e 35, o Cruzeiro visitará o Santos e o Grêmio. Os jogos estão marcados para os dias 16 e 20 de novembro, posicionados entre as finais da Copa do Brasil (12 e 26/11). São as duas únicas ocasiões em que uma derrota do líder pode ser considerada resultado normal. Finalizado o jogo na Arena do Grêmio, se não houver emoção no topo da classificação, o Cruzeiro muito provavelmente não será mais alcançado.

Os dois Cruzeiros que vimos na noite de quarta-feira indicam que Marcelo Oliveira pode estar trabalhando como os engenheiros de equipes de Fórmula 1: calculando o consumo de combustível para cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.

SÓCIOS

A CBF informa que se irritou com as condições dos gramados em que a Seleção Brasileira foi obrigada a jogar os últimos amistosos, nos Estados Unidos, na China e em Cingapura. Avisa que “não fará mais negócios” com a empresa que adquiriu os direitos de organização dos jogos se o problema não for solucionado. Atentos, pois, aos amistosos deste mês.

TACKLE

Que o tempo não apague o registro: a arrancada de Gabriel, criador do pênalti que gerou o segundo gol do Flamengo contra o Atlético Mineiro, é uma das grandes jogadas individuais do ano no futebol brasileiro. Força, habilidade, personalidade. Um lance para ficar na memória, até pela forma pouco usual – no futebol – como foi interrompido por Josué (o volante do Atlético deve gostar de futebol americano).



  • Rafael Henrique

    O Mauro Cezar falou na transmissão que pela primeira vez vira um penalti tipo “peixinho”, mas concordo com você; foi um tackle perfeito, digno de um “Sunday Night Football”.

  • Klaus

    André, se me permite um comentário off topic: você viu isso?

    http://espn.uol.com.br/noticia/455161_goleiro-linha-destroi-e-guarapuava-arranca-empate-em-jogo-insano-com-orlandia

    Estatísticas básicas: 12 gols, sendo os últimos 6 em 2’15”: 4 do Guarapuava (por acaso minha terra natal!) e 2 do Orlandia. Quem faz 4 gols no poderoso Intelli em 2 minutos (ok, um foi contra)!? E sem “apagão”, porque o Orlandia fez 2 golaços nesse meio tempo! E falamos aqui das quartas da Liga Nacional!

    Como grande defensor do jogo ofensivo (contraditório?) o que você diria sobre isso, André?

    Um abraço!

    AK: Espetacular, não? Um abraço.

    • Klaus

      Exato! Imaginava que o limite havia sido a final do Paranaense de 2010: perdendo por 4×1 a 7min do fim, precisando da vitória para provocar o 3o jogo. Conseguiram: 5×4, diante do Cascavel, que viria a ser o campeão estadual de 2011 e 2012.

      Porque no terceiro jogo de 2010, o Guarapuava chegou ao título com vitória por 2×1.

      Vale a pena assistir a reação da torcida (3.000 pessoas):
      http://youtu.be/uaH7soeA_Iw

      Memorável pelo que você sempre diz: a busca incansável do gol.

      Um abraço!

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