O ÚLTIMO DÉRBI



(o jornal pediu um texto sobre o “último” Palmeiras x Corinthians disputado no Pacaembu. Publicado ontem, no Lance!)

ATÉ UM DIA

O velho Pacaembu é o denominador comum deste dérbi de 97 anos de vida. Não se conta a história quase centenária de encontros entre Palmeiras e Corinthians sem citar o estádio que os recebeu, provavelmente pela última vez, neste sábado. Como um senhor elegante e sorridente, de braços abertos por vê-los de novo, sem se importar com a incerteza do futuro.

Do primeiro clássico ali, em 1940, ao jogo que comemorou o quarto centenário de São Paulo; do tetracampeonato brasileiro do Palmeiras ao pentacampeonato do Corinthians, o Pacaembu se emocionou com gerações de torcedores que aprenderam a conhecer e viver este jogo quase sempre no mesmo lugar. Na linha do tempo do clássico, o Pacaembu representa uma era.

O dérbi “derradeiro” deste sábado não teve o brilho de outros tempos, reflexo direto do padrão de desempenho de ambos os times. Os gols do empate em 1 x 1 foram reveladores: Wesley errou a finalização que se ofereceu para Henrique aumentar sua conta pessoal; e o chute de Danilo sairia pela linha de fundo se não desviasse nos glúteos de Juninho. No futebol, o que começa com defeito por vezes termina bem.

Gols à parte, é preciso registrar a compostura do Palmeiras em boa parcela do tempo em que esteve no comando do marcador, jogando melhor. A pressão do Corinthians no segundo tempo foi acompanhada do risco inerente, simbolizado pelo chute rasteiro de Wesley, na trave. O empate – premiado pela sorte, sim – foi merecido pela presença constante no campo contrário, apesar das poucas ocasiões. Um resultado apropriado para a despedida do Pacaembu, pois em momentos dessa natureza ninguém fica feliz.

Com a Arena Corinthians e o Allianz Parque disponíveis, não haverá razão para o dérbi voltar ao velho estádio. E mesmo se acontecer por algum motivo imprevisível, uma época se encerrou ontem na história conjunta de dois rivais. Corintianos e palmeirenses não disseram adeus ao amigo de longa data, o que tem seu lado bom. O senhor bem vestido e simpático estará sempre ali, satisfeito por revê-los.



  • Emerson Cruz

    Eteno Pacaembu!

  • Bom dia André.
    O Pacaembu vai deixar saudades, muitos jogos, vitórias, derrotas, enfim, uma história de 70 anos.
    Infelizmente, o jogo de “despedida” do Pacaembu foi marcado por um futebol sofrido, um jogo ruim. Não consigo entender como podem errar tantos passes (de perto), e erram também os passes longos, as tentativas de lançamentos, enfim, ou esses times andam treinando pouco, ou estamos com jogadores muito ruins. A única “jogada” que parecem conhecer é “fazer o chuveirinho”, ou seja, jogar a bola alta na área para ver se alguém cabeceia para o gol. O jogo foi feio, parecia “briga de foice no escuro”.
    A POSTURA dos jogadores é RIDÍCULA, ficam discutindo, se agredindo e enchendo o saco do juiz. Jogar futebol se tornou segundo plano, parece que os “craques” de Corinthians e Palmeiras estavam lá para “DAR PITI”, bancar os “machões”, enfim, horrível.
    Perde o torcedor, perde o futebol. Se quisesse ver discussões, ligava a TV no programa “casos de família”, ou no DNA do Ratinho. Se fosse para ver agressões ou brigas, assistiria lutas de MMA, que são organizadas, tem regras e estão lá para isso. Futebol tem ter futebol em primeiro plano. Os jogadores e técnicos tem muita culpa na falta de qualidade atual. Tenho analisado o comportamento nas últimas rodadas. E tem sido assim, jogadores reclamando, brigando, discutindo, “lavando roupa suja”, encenando, simulando. Jogar bola mesmo, com raras exceções, deve ocupar 20% do tempo do jogo. E ainda jogam mal.

    • RENATO77

      Sem mais, um abraço!

  • Anna

    Estádio sensacional! Belo texto! Grande abraço, Anna.

  • Lippi

    André, eu sei que o meu parmera não tá grande coisa ultimamente, mas marcar o post na categoria “portuguesa” foi de doer!

    AK: Falha humana, mil perdões. Um abraço.

  • Julio

    Esse termo “Dérbi” para o classico é tradicional ou mais ou menos recente?

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