COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O BONÉ

Os repórteres Bernardo Itri e Marcel Rizzo, ambos da Folha de S. Paulo, nos apresentaram anteontem os códigos de conduta impostos pela comissão técnica aos jogadores da Seleção Brasileira. O boné foi expulso.

É, o boné. Não é permitido usar boné ao servir a Seleção. Chinelos, brincos e outros acessórios, assim como telefones celulares e demais brinquedos eletrônicos também estão proibidos nas concentrações. As regras determinam ainda que o time todo deve fazer refeições no mesmo horário, algo perfeitamente normal, mas batem continência ao militarismo que encanta certos comandantes ao obrigar os jogadores a aguardar que o capitão se levante da mesa. Aí todos podem ir, em fila de dois, cantando o hino nacional (ok, essa última parte não está na cartilha).

Normas de comportamento em elencos de clubes e seleções sempre existiram. As mencionadas não foram criadas por Gilmar Rinaldi e Dunga. De acordo com os próprios, eles apenas sugeriram “algumas coisas novas para o bom convívio”. O banimento do boné deve ser uma das novidades, pelo incômodo de ambos com o adereço com o “#ForçaNeymar” que os jogadores usaram antes do fatídico 1×7. Dunga e Rinaldi entendem que era o “soldado que iria para a guerra” – no caso, Bernard – quem deveria ser fortalecido pelo grupo. Ao que parece, para evitar que aconteça de novo, tira-se o sofá, quer dizer, o boné.

Os chefes da Seleção Brasileira alegam que havia clamor popular para uma repaginação na imagem do time, o que soa estranho. Entre os pecados apontados no time de Scolari, não se tem notícia de referências a brincos e chinelos. O treinador e o coordenador técnico não precisam usar razões misteriosas para justificar medidas que têm prerrogativa para aplicar. De toda forma, em um ambiente em que se acredita que o prestígio da Seleção foi reconstruído nos últimos amistosos, nada deveria nos surpreender.

O problema não é o rigor disciplinar, mas o que se quer alcançar. Pep Guardiola é um dos técnicos mais rígidos do futebol mundial. Nos anos de Barcelona, mandava os assistentes telefonarem para os jogadores pontualmente à meia-noite, para garantir que estavam em casa. Autorizava quais compromissos comerciais os atletas poderiam cumprir, quando e como. Fiscalizava descanso e alimentação – continua assim no Bayern – com obsessão científica. Métodos que talvez impressionem quem imagina a forma de trabalhar do catalão com o único prisma do estilo de seus times. A questão é que a “cartilha” de Guardiola protege o desempenho. Ele não liga para bonés.

Já o quartel de Dunga e Rinaldi está preocupado com a percepção externa de jogadores que usam, sim, bonés, brincos e outros acessórios. Costumes que montam a imagem de “futpopbolistas” (direitos autorais: Washington Olivetto) que são. Tosá-los na Seleção não terá impacto em suas personalidades ou na era em que vivem, e ainda pode lhes ser prejudicial.

A propósito: seria interessante saber o que dizem as novas normas da Seleção sobre interações grosseiras com o banco de reservas adversário.



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