COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

O SILÊNCIO DOS BONS

Na noite de 13 de novembro do ano passado, o movimento Bom Senso Futebol Clube realizou uma série de protestos na trigésima-quarta rodada do Campeonato Brasileiro. As demonstrações começaram na Arena do Grêmio, onde, antes da partida marcada para começar às 19h30, os jogadores de Grêmio e Vasco apareceram no gramado carregando uma faixa que pedia “um futebol melhor para todos”. Também foi nesta noite que são-paulinos e flamenguistas, por sugestão de Rogério Ceni, chutaram a bola de um lado para outro do campo por quase um minuto, após o apito inicial.

A ideia original era cruzar os braços ou sentar no chão depois que os árbitros ordenassem o começo das partidas, mas a CBF agiu para retaliar os protestos nos jogos das 21h e 21h50. Os quartos-árbitros foram aos vestiários para avisar que quem se recusasse a jogar seria punido com cartão amarelo. Na conversa dos participantes do BSFC via Whatsapp sobre o que fazer, houve quem quisesse suspender a ação, quem pressionasse o grupo para ir em frente, e quem desse ideias, como o capitão do São Paulo. No Maracanã, um outro goleiro manifestou preocupação com seu time.

Jefferson se preparava para enfrentar a Portuguesa, um jogo que o Botafogo não poderia deixar de vencer. Após passar todo o campeonato entre os primeiros colocados, o time corria o risco de perder o lugar no G-4 na reta final (após empate em 0 x 0, foi o que aconteceu). Os quatro companheiros pendurados com dois cartões amarelos poderiam, por causa dos protestos, deixar o Botafogo em situação ainda mais difícil em relação a uma vaga na Copa Libertadores. O goleiro, membro ativo do movimento de jogadores, não queria que a manifestacão terminasse por prejudicar sua equipe. A solução encontrada foi cruzar os braços antes do apito para não arriscar um cartão.

Este é o jogador que o presidente Maurício Assumpção e o diretor de futebol Wilson Gottardo tentam expor à torcida do Botafogo como um profissional ganancioso e despreocupado com o clube. O crime de Jefferson é não abaixar a cabeça para um cartola que não paga impostos ou salários, muito menos para um projeto de executivo que parece ter esquecido como as coisas funcionam no vestiário. O recente “mal-entendido” sobre a participação de Jefferson no jogo contra o Santos apenas aumenta a vergonha do Botafogo por revelar como as coisas são feitas em um ambiente dito profissional. Assumpção e Gottardo adorariam poder estender ao goleiro o mesmo tratamento que deram a quatro jogadores que também não se calavam. Mas com Jefferson a conversa é diferente.

No sábado, botafoguenses de bem invadiram o Engenhão e ameaçaram os jogadores que defendem o clube sem receber remuneração. Não houve agressão por sorte. Os abnegados protetores da instituição entraram no estádio por um portão que estava aberto, justamente em um sábado, dois dias depois da goleada sofrida para o Santos. Um cenário convidativo. Conhecer as origens desse tipo de “cobrança” não a torna mais palatável. É tão revoltante quanto o silêncio de quem realmente gosta do Botafogo.

RELÓGIO

Primeiro domingo com horário de verão e quatro jogos do Campeonato Brasileiro foram realizados, de fato, às 15h. A CBF realmente vive em outro mundo.

PRAIANO

Santos: oito gols em dois jogos no Pacaembu. Não deve ter sido obra do ar paulistano ou do gramado do estádio municipal, portanto devemos considerar a hipótese de (mais) um time acima da média estar em formação no clube da Vila Belmiro. Futebol de ataque, solto, leve, bonito.

PASSOU

A diferença do Cruzeiro para o segundo colocado aumentou em relação à rodada passada, de seis para sete pontos. E esse era um fim de semana “ruim” para o líder, visitante em Salvador enquanto os principais perseguidores estavam em casa. Internacional e São Paulo trocaram de lugar novamente, dando sequência ao rodízio que impede o estabelecimento de um desafiante. Oportunidade perdida.



  • Anna

    Estão querendo fritar Jefferson. Isso é imperdoável. Torcendo pelo Botafogo e pelo goleiro, apesar da diretoria alvinegra. Boa terça a todos, Anna.

  • Ricardo

    A direção dos clubes é espelhada à CBF, e esta se preocupando em marcar uma “revanche” contra a Alemanha. Ainda não vejo o fundo.

  • José Henrique

    A prisão de um ativista chinês com uma camisa do Corinthians, teve muito mais repercussão nas redações e jornais do país, do que qualquer outro assunto do esporte. Até a movimentação da CBF em torno do Bom Senso, perdeu essa parada. Evidência que o Corinthians “causa”.

  • Alan Bezerra

    Antigamente eu era contra o método adotado nas ligas americanas (se o time não tiver grana o suficiente para se manter, é excluído da liga), pois pensava que isso não levava em conta a história do time.

    Mas de alguns anos para cá, mudei totalmente meu conceito. É melhor ver uma equipe encerrar as atividades do vê-la se transformada em uma sombra, um fantasma do que já foi. O que fizeram ao Botafogo é lamentável.

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