COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

OS INTELIGENTES

Nada pode ser menos inteligente do que planejar uma “atuação inteligente” quando se tem a opção de escolher como enfrentar um determinado adversário. A melhor alternativa é sempre jogar e tentar vencer, porque quem não tenta se entrega às circunstâncias, à sorte e, como já vimos tantas vezes, ao oponente.

Quando alguém qualifica uma atuação como “inteligente” (o que normalmente se aplica a jogos fora de casa em confrontos de mata-mata), está falando de um time que se colocou em posição de inferioridade técnica e se dedicou a conter o adversário. Na maior parte dos casos, o time em questão obteve um “excelente empate” ou perdeu de pouco. Note: é raro que a tal “atuação inteligente” seja uma vitória. Se o resultado leva à classificação, o técnico se convence de seus conhecimentos táticos e ganha o rótulo de estrategista. Se não, credita a derrota às “coisas que acontecem no futebol”.

Há encontros em que a diferença de potencial é evidente, o adversário é mais forte e não resta outro caminho a não ser o da abnegação defensiva, em busca de “uma bola” que pode ser decisiva. Não é o caso aqui. Falamos de confrontos equilibrados, em que virtudes e defeitos se aproximam e os elencos permitem diferentes formas de atuação. Por algum motivo, convencionou-se que não jogar é um planejamento que minimiza riscos e revela neurônios. A maioria dos treinadores está mais interessada em evitar que o oponente faça do que em fazer. E se orgulha disso.

José Mourinho é o paradigma dessa forma de enxergar o jogo. Talvez por isso lembramos de seus títulos, não de seus times. E esquecemos dos troféus que ele deixou de conquistar mesmo manejando elencos de inegável talento, como se deu em seu período à frente do Real Madrid. De toda forma, o português, posicionado entre os principais técnicos do mundo, certamente está satisfeito com seu currículo. Aqueles que jamais chegarão a semelhante patamar podem dizer o mesmo?

A postura do Atlético Mineiro no confronto com o Corinthians, pela Copa do Brasil, deixou lições valiosas para os estrategistas e os que optam por especular. O que ficará na memória é a partida no Mineirão, os 4 x 1 de virada e contornos épicos. Mas não devemos ignorar o que aconteceu no primeiro jogo. Mesmo perdendo por 1 x 0, o Atlético não deixou de jogar em São Paulo. Levou o segundo gol em uma falha pouco característica do goleiro Victor, na jogada seguinte a uma bola na trave que significaria o empate e transformaria o cenário. Essas, sim, são coisas que “acontecem no futebol”.

Na volta, foi a vocação do time dirigido por Levir Culpi que produziu a segunda maior demolição futebolística que vimos no Brasil em 2014, por coincidência no mesmo estádio. Um tributo à importância da coragem, a ter a bola e gerar momentos. Pois esse é o comportamento que aumenta as chances de coisas boas acontecerem, por menos prováveis que sejam, independentemente do local, do placar e do tempo que resta.

Quem quer algo na vida tem de buscar. Quem quer algo no futebol tem de jogar. Quantas chances o Corinthians teve após o gol de Guerrero no Mineirão?

RARO

O gol de Paulo Henrique Ganso contra o Huachipato é o gol de um jogador incapaz de lances mundanos, comuns. Não se deve esperar dele uma batida na bola do jeito “mais fácil”, Ganso não possui esse tipo de referência. É por isso que o chute chapado de primeira, de fora da área, no canto, imediatamente chama a atenção. Coisa para poucos. E é normal que um jogador como ele divida opiniões. São numerosos os encantados pelo futebol feio.

DEMOLIDORES

O presidente do Botafogo dispensou os jogadores que incomodavam por reclamar dos atrasos nos pagamentos. O diretor de futebol se desentendeu com o goleiro, jogador da Seleção Brasileira. Enquanto isso, o time, quase indigente, se arrasta em um calvário que dificilmente escapará da Série B no ano que vem. É muito mais do que gestão predatória, é uma clínica gratuita de como destruir um clube histórico no futebol do Brasil.



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