JOGAR É PRECISO



O momento crucial do jogo de ontem no Mineirão foi justamente o que sugeriu que tudo estava acabado: os segundos após o gol de Paolo Guerrero.

Na contabilidade de cada time, dois raciocínios opostos.

O Corinthians, orgulhoso de sua capacidade defensiva, concluiu que jamais levaria quatro gols em um jogo só.

O Atlético, condicionado a acreditar sempre, pôs-se novamente a desafiar as probabilidades.

Um time passou a trabalhar para que o jogo terminasse logo. O outro, para que a noite fosse longa. O resultado final não foi um acidente ou obra do acaso.

O futebol é um jogo feito do confronto de ideias e ações, mas acima de tudo é um choque de posturas. O que se faz de um lado do campo determina o que acontece do outro. Atitude é tão importante quanto os demais aspectos.

Neste jogo, pode-se vencer de diferentes maneiras, conceitos e planos. Mas nunca se vence sem coragem. O placar de 4 x 1 a favor do Atlético se explica, também, pela forma como o time mineiro se entregou ao jogo, o contrário do que o Corinthians fez.

Não gosto de recorrer a exemplos que evoquem violência, mas não encontrei comparação melhor: o Corinthians se comportou como menino gordinho e tímido que sofre bullying na escola. As histórias que vemos nos filmes mostram que ele passa o dia levando tapas na cabeça, tem seu lanche roubado e o material violado. Até que, no fim da tarde, chega ao próprio limite, ergue o moleque folgado e o joga a cinco metros de distância.

A diferença é que o Corinthians continuou levando tapas até o final da noite, sem responder. Trêmulo, assustado, cabisbaixo.

A épica atuação do Atlético foi uma homenagem ao espírito livre, ao futebol de ataque, aos times que querem jogar.

Que sirva de lição para quem pensa que outros caminhos podem levar ao mesmo lugar.

O Corinthians se juntou à fila das equipes dissimuladas que decidem especular a partir de um placar que lhes interessa, e terminam duplamente derrotadas. Primeiro, pelo adversário. E depois pelo jogo que ousaram renegar.

O futebol devolve aquilo que você lhe dá.

O Atlético deu tudo.

O Corinthians, nada.

As decisões foram tomadas quando um time, em vantagem por 3 x 0, se considerou vencedor de um confronto que ainda estava em disputa.

O outro, à beira do precipício, resolveu lutar.

Um deles está vivo.

 



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