CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SEM ESCALAS

Os documentos revelados pelo repórter Rodrigo Mattos, em seu blog no portal Uol, sobre as negociações entre a família de Neymar e o Barcelona, ajudam a explicar a preferência do atacante pelo clube catalão. Usado publicamente para prevenir investidas de outras partes, o “sonho de jogar ao lado de Lionel Messi” estava acompanhado de um acordo pelo qual os pais do atacante lucraram mais do que o Santos.

O acordo e os valores eram conhecidos. O que os papéis expostos por Mattos desnudam são os mecanismos que permitiram que uma empresa negociasse a transferência de um jogador cujos direitos pertenciam ao clube em que ele atuava. Um compromisso não esportivo firmado entre a companhia dos pais de Neymar e o Barcelona, com o intuito de proteger o clube de uma provável acusação de aliciamento do atleta em desrespeito às regras da FIFA. Como se sabe, a transação é objeto de investigação no Brasil e na Espanha.

Como ilustração, volta à superfície uma anedota conhecida nos dois países: o período de mais de duas semanas, em maio de 2013, em que dois emissários do Real Madrid tentaram desviar a transferência de Neymar para o futebol espanhol. Em vão. A presença dos enviados no Brasil contava com a bênção do Santos, mas se viu impotente diante dos documentos que hoje conhecemos, coordenadas de uma viagem só de ida e sem escalas para o Camp Nou.

Nem mesmo a opulência do Real Madrid foi capaz de resolver a questão. Orientados por Florentino Pérez a insistir na contratação junto ao pai de Neymar, mesmo após transmitirem a informação de que seria impossível, os emissários chegaram a apresentar uma oferta que emudecia os valores do acerto com o Barcelona. De acordo com pessoas bem informadas sobre as conversas, o clube merengue se dispôs a pagar a multa de 40 milhões de euros, dar 50 milhões à empresa dos pais de Neymar e mais 30 milhões ao Santos. Mas Neymar queria jogar com Messi. O Real Madrid foi atrás de Gareth Bale.

CHAPÉU

O acréscimo de informações sobre esta história aumenta o tamanho da questão que ela impõe: se é permitido que um clube adquira os direitos de um jogador de outro clube, por intermédio de uma relação não esportiva, os regulamentos da FIFA para transferências não servem para nada. De fato, neste cenário, nenhum contrato firmado entre um jogador e um clube vale.

CANETA

Há uma outra pergunta, menos importante: quem é o cérebro por trás da operação que levou Neymar para o Barcelona? Há quem diga que o pai do atacante não dispõe do conhecimento legal e da engenhosidade necessários para formatar uma transação desse nível. Neste caso, o prato teria sido oferecido pronto, e quente. Era só assinar e se preparar para responder as perguntas inevitáveis.



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