COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

REELEIÇÃO

Em campeonatos disputados em sistema de pontos corridos não há finais. A não ser que, por conspiração cósmica, um jogo tenha a capacidade matemática de decidir o título para ambas as equipes em campo (motivo para suicídio em massa dos detratores do formato). O que não significa que não haja partidas de caráter decisivo, que moldam o rumo da disputa e aproximam times do título. Quem pensa que a esses encontros falta alguma coisa, pelo fato de não serem eliminatórios ou não colocarem um troféu em jogo, precisa rever conceitos a respeito do que um campeonato deve ser.

Cruzeiro x Internacional foi uma dessas partidas. De um ponto de vista, preferido por quem gostaria de ver o atual campeão brasileiro desafiado no caminho para o bi, era a chance única do Inter ficar a três pontos do líder à custa apenas do próprio esforço. Ao mesmo tempo, para o Cruzeiro, o jogo representava a oportunidade de afastar ainda mais o adversário que o perseguia. E na comparação entre o prêmio que a vitória significava, para um e para outro, o Cruzeiro tinha muito mais a ganhar se terminasse o sábado com três pontos somados: a noção de que o título estava mais perto.

Do apito ao intervalo, só os mineiros jogaram de acordo com a importância da ocasião. Linhas adiantadas e pressão permanente, uma estratégia de ataque disfarçada de defesa agressiva. Quando a perseguição à bola é feita de forma coordenada nas proximidades da área contrária, o objetivo principal não é o desarme, mas o gol. Marcelo Moreno e Willian cercaram Aránguiz na linha da meia-lua, provocando o erro que criou o 1 x 0. O segundo gol foi produto da visão de Éverton Ribeiro e da pane da defesa colorada, congelada enquanto Marquinhos apareceu para concluir. O Cruzeiro é um dos raros times brasileiros que, em vantagem, não trabalham para trancar jogos. É uma distinção honrosa.

O encontro só teve a verve esperada quando os times voltaram do vestiário, o visitante totalmente transformado em personalidade, disposto e ousado apesar do perigo e do tamanho da montanha que pretendia subir. O lindo gol de Alex confirmou a sensação de porta aberta que o pênalti perdido por Willian deixou. Três minutos separaram os lances que transformaram o placar, o ambiente e o restante do segundo tempo, disputado como um palanque em que só havia espaço para um dos candidatos. O Cruzeiro assegurou que não seria ofuscado em seu próprio território.

Foi a quarta vitória cruzeirense na rodada seguinte a um empate, e a diferença que poderia cair para três pontos inchou para o triplo. O que diminuiu na noite de sábado foi o risco do Cruzeiro não conquistar o campeonato. A esperança da concorrência depende agora de pelo menos três resultados ruins dos mineiros, derrotados apenas quatro vezes em vinte e seis rodadas. Não é um cenário em que se pode apostar. Se o jogo no Mineirão foi o último debate entre os principais candidatos, todas as pesquisas apontam para a reeleição do Cruzeiro.

APERTO

A distância do décimo colocado (Goiás) ao lanterna (Coritiba) do Campeonato Brasileiro é de sete pontos. Do décimo à zona de rebaixamento, seis. Ainda haverá muito sofrimento e contas a fazer até o dia sete de dezembro.

PACHECOS…

Diego Costa, aquele atacante que o pachequismo rotulou como refugo sem vê-lo jogar, já tem nove gols marcados em sete rodadas do Campeonato Inglês. Sua transição do Atlético de Madrid para o Chelsea dispensa argumentos como “adaptação a um novo clube e um novo país”, o que comprova sua qualidade como jogador e questiona a conduta da CBF quando Costa finalmente optou por jogar na seleção espanhola. A quem o vaiou nos estádios brasileiros durante a Copa do Mundo, porque não soube compreender uma decisão profissional à qual todos temos direito, só resta aplaudi-lo discretamente, torcendo para que ninguém veja.



MaisRecentes

Vencedores



Continue Lendo

Etiquetas



Continue Lendo

Chefia



Continue Lendo