COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

A ÚLTIMA NOITE

Você conversa com Abel Braga e imediatamente começa a imaginar o tamanho da distância que separa a opinião pública do dia a dia de um time de futebol. É uma realização semelhante à de quem tenta enxergar as entranhas de uma equipe utilizando como instrumentos apenas os números de seu desempenho. Times são seres vivos, que se desenvolvem e se transformam, e que nem sempre revelam o que há por baixo da epiderme.

“Aquele foi um momento de pressão, sim, mas só de fora para dentro”, diz o técnico do Internacional, referindo-se ao período de vinte dias em que seu time somou três pontos em quinze possíveis no Campeonato Brasileiro (entre as rodadas 16 e 20) e se viu eliminado pelo Bahia na Copa Sul-Americana. “Entre nós estava tudo bem, porque eu tenho um grupo muito forte no aspecto humano”, acrescenta. Enquanto parecia que o Inter estava prestes a devolver Abel ao mercado, o técnico encontrava suporte nos jogadores sob seu comando.

Ao falar sobre a natureza da convivência no atual vice-líder do BR-14, Abel relembra os tempos em que trabalhou no Belenenses de Portugal, no início da década de 90, e no Fluminense, especialmente em 2012. “Era um ambiente realmente familiar. A gente se reunia para jantar de forma espontânea. Esse grupo que eu tenho hoje é muito assim”, conta. Um grupo que encontrou os mecanismos para se levantar e substituir o São Paulo como competidor mais próximo do Cruzeiro. Situação que proporciona ao campeonato uma noite como a de hoje, no Mineirão.

“Uma das características mais fortes do meu time é a cobrança interna”, diz Abel. “Às vezes os jogadores ficam inibidos, não falam. Aqui é diferente, eles conversam muito e se cobram para corrigir o que está errado”. O bom relacionamento permitiu a ascensão de um jovem como Eduardo Sasha, autor de três dos últimos sete gols do Internacional. Para a preocupação de Abel, Sasha não jogará mais na temporada por causa de uma lesão no tornozelo direito que precisou de correção cirúrgica. Um baque para o momento de evidente aceleração do time, vencedor de quatro jogos nas últimas cinco rodadas.

Abel tem se empenhado para que o Inter pratique um futebol de ataque, ainda que tal postura possa erguer algumas sobrancelhas no Sul brasileiro, sempre orgulhoso – por estilo – de suas tradições defensivas. O aspecto humano volta à cena quando o treinador relata a surpresa com que seu time recebeu a ordem de esperar o Palmeiras, no encontro da décima-oitava rodada. “Eles me perguntaram: como assim, esperar, professor? E eu disse que a gente tinha de explorar a situação do Palmeiras”, diz Abel. “A nossa vocação é ofensiva”.

Está aí um dos mais interessantes ingredientes do jogo desta noite. Como o Internacional tentará aproveitar a oportunidade de emocionar o campeonato, o que só acontecerá se vencer em Belo Horizonte. Esperando o Cruzeiro? “Se eu esperar o Cruzeiro, eu vou perder”, crava Abel. “E eu não quero ser mais um. Eu vou jogar, vou fazer a coisa diferente”, promete.

NERO

Só mesmo no futebol brasileiro se aceita que um devedor de salários e sonegador de impostos, confesso, conceda uma entrevista coletiva e fale como dono de um clube de cento e dez anos de vida. É um escândalo que Maurício Assumpção siga dando ordens no Botafogo, e que essas ordens sejam, como foram, dispensar jogadores que não recebem a remuneração que lhes é devida. O que sobrará do Botafogo após a passagem do cartola incendiário? A responsabilidade também é daqueles que o mantém na cadeira.

GIGANTE

Não há como medir o tamanho do gol que Fabinho Alves, da Chapecoense, deixou de fazer no começo do segundo tempo do jogo contra o Palmeiras. Praticamente sem goleiro, quando o placar no Pacaembu era 1 x 0 para time catarinense. A chance perdida é mentora intelectual dos gols que viraram o placar para o Palmeiras, um resultado gigantesco.



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