CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CAMINHOS

1- Existem basicamente duas maneiras atuais de jogar futebol: o controle da bola e o controle dos espaços. Quem tenta controlar a bola avança e se arrisca; quem se propõe a controlar os espaços recua e se aproveita do risco.

2 – Corinthians e Atlético Mineiro passaram vinte e cinco minutos sem se entender em relação a quem faria o quê. Pois ambos estavam mais interessados nos espaços, opção mais segura e menos trabalhosa. Quem sofreu foi o jogo, preso e tenso.

3 – Tudo seria diferente se Gil não aparecesse quase embaixo da trave, na trajetória do chute de Guilherme, permitido por uma falha de Fágner. Eram dez minutos e um gol mineiro, qualificado por regulamento, revolucionaria o encontro ao oferecer todo o espaço da Arena Corinthians ao Atlético.

4 – O gol saiu do outro lado, porque Renato Augusto é capaz de levantar bolas na área com um propósito, não apenas para se livrar delas. O cabeceio de Guerrero seria um cliente para a tecnologia da linha de gol ao quicar no gramado, mas teve força para tocar a rede quando subiu.

5 – Questão para o segundo tempo corintiano: bola ou espaço?

6 – O Atlético escolheu a bola, empurrou o Corinthians para perto da própria área, condicionou o time mandante a apostar no contragolpe. Mano Menezes enxergou o perigo e ordenou o avanço das linhas. Confrontos em mata-mata não costumam perdoar falhas de execução.

7 – O jogo passou a viver de espasmos. A velocidade do Atlético não engatou as marchas mais altas, enquanto o Corinthians seguiu procurando o segredo da eficiência. A partir da uma hora completa, um gol para qualquer lado seria enorme.

8 – Dois minutos depois do empate ser negado pela trave esquerda de Cássio, Victor falhou em uma jogada óbvia de cobrança de falta. A bola erguida para gerar desorganização na defesa passou por Guerrero, Luciano e decretou um placar de sonho para o Corinthians.

9 – A bola e os espaços continuarão em jogo no Mineirão.

COMANDO

Sim, há semelhanças entre as posturas de Valdivia e Luis Fabiano. Pouca frequência, baixo rendimento, nenhuma preocupação. Mas parece haver uma diferença: enquanto os superiores do meia chileno se comportam como se estivessem sob as ordens dele, os chefes do atacante brasileiro esboçam um gesto de autoridade. Em ambos os casos, a culpa também é de quem comanda.

MILAGRE

Um tema pouco abordado sobre a mudança feita pela FIFA em relação à propriedade de direitos econômicos de jogadores: tem dirigente achando que os “ativos” serão transferidos para os clubes, em um piscar de olhos. É bem diferente disso, óbvio. Clubes mal administrados não mudarão de categoria com a alteração nos regulamentos. O problema maior do futebol no Brasil é gestão.



  • Ricardo

    Esperei por uma punição à LF em outros momentos, que não ocorreram e dessa vez veio. Talvez pelo histórico, talvez estejam tentando se livrar do atacante caro e que pode trazer problemas a um já estabelecido sistema de jogo, sem ele. Talvez não seja nada. Gosto dele, mas o custo-benefício não tem sido agradável, principalmente nos últimos meses.
    E a forma que foi conduzido o tratamento pode ter sido um pouco injusta, pelo que li, ele ficou sabendo pela imprensa, quando deveria ser comunicado pelos seus superiores. Já há quem diga que as contratações de JJ serão colocadas à prova, até a renovação total.

  • Francisco Alves de Sousa

    O que eu nunca leio dos comentaristas: Bruno Henrique no lugar do Ralf, o que muda ? Elias ficou na seleção e não voltou ? Guerreiro recebe muitas bolas, erra muito mais que acerta, mas é decisivo. Maicom poderia ter decretado um placar mais folgado. Renato Augusto está curado, assim como o Pato, mérito corinthiano. Preço do Pato? Chegou contundido preço X, curado, preço? O que eu leio e escuto sempre: Fora Mano retranqueiro. O time perde para os pequeno e ganha dos grandes. Ninguém assiste a Premier League ?

  • RENATO77

    O SCCP teve boa dose de sorte no jogo, o adversário perdeu chances claras e em boa parte dos 90 minutos foi superior, além da não marcação de falta de ataque, no lance do segundo gol. A classificação NÃO está garantida, longe disso, um placar de 2×0 considero normal.

    Luiz fabiano vai cavando seu próprio túmulo junto ao clube que o repatriou. Vai sendo gradativamente descartável ao tricolor paulista.
    Achei curioso o fato de que boa parte da imprensa ainda ter questionado a “justiça” da expulsão, o lance foi explícito, sem deixar dúvida, a imagem diz tudo. Não dá margem
    à discussão. Porém, Denilson da Band achou o lance normal…outros precisaram rever o vídeo várias vezes…

    Abraço.

    • José Henrique

      Porém Renato, com a audiência pífia na TV que deu esse jogo, pouco interesse mesmo, até dos comentaristas.

  • Julio

    O maior problema do futebol no Brasil e´ estrutural. Não se pode esperar uma gestão de excelencia de organizações de associados que nem empresas são.
    Estruturas de 1930, obsoletas, Ou se reestrutura tudo ou vamos ficar esperando boas “gestões” que nunca virão.

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