COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

AQUI É SAÚDE

A notícia mais importante do fim de semana foi a alta hospitalar a Muricy Ramalho, após três dias tratando uma arritmia cardíaca. Até os adeptos do humor negro que dizem “mas o futebol do São Paulo continua na UTI” deveriam ser capazes de entender que a saúde do técnico é assunto sério, enquanto o desempenho do time é tema secundário. Poucas atividades – a política surge como candidata – superam o futebol no hábito de inverter valores.

Difícil detectar a influência do incêndio político do São Paulo na queda de produção do time, ganhador de apenas um ponto dos últimos doze que disputou. Os jogadores insistem que o conflito entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio não os atinge, um sinal de que o esforço das pessoas que trabalham no departamento de futebol no sentido de isolar a equipe tem sido bem sucedido. Por outro lado, é impossível deixar de observar a coincidência entre a guerra interna e o escorregão na tabela do Campeonato Brasileiro.

Relacionar o ambiente conturbado do clube à internação de Muricy é, infelizmente, mais fácil. A ausência de histórico de problemas cardíacos ou hipertensão na vida do técnico reforça os indícios de um caso motivado por estresse. Diferentemente do que acontece com os jogadores, não há como proteger Muricy dos efeitos da briga entre o ex e o atual presidente, mesmo porque seu nome foi citado na discussão pública que se sucedeu à demissão de Juvêncio. Não por outro motivo, Muricy recebeu um telefonema de Aidar com o propósito de tranquilizá-lo e também avisá-lo que Juvêncio tentaria minar a relação entre eles. Ao que parece, a conversa atingiu apenas um dos objetivos.

Muricy é ligado a Juvêncio, com quem se entende sem que ambos precisem falar muito. Aidar elegeu-se declarando que o São Paulo não teria outro técnico enquanto ele fosse presidente, mas isso não o impediu de reclamar do salário de Muricy no período em que o time jogava mal e as dificuldades financeiras do clube se avolumavam. Se os comentários do presidente se tornaram conhecidos fora do Morumbi, é bem provável que também tenham chegado aos ouvidos do treinador.

Técnicos de futebol, especialmente os que têm mais nome e currículo, aprenderam a precificar não só o que são capazes de fazer treinando e dirigindo times. Representatividade interna e externa, proteção a dirigentes e peso na estratégia de comunicação dos clubes também são aspectos levados em conta na assinatura do contrato. O mundo de Muricy sempre foi campo e vestiário, ambientes distantes dos escritórios e telefones. Quando reclama do desgaste da rotina de um técnico, refere-se ao extracampo, que lhe toma tempo e paciência e o convida a contemplar o pós-carreira.

O alarme da saúde soou. Com o coração abalado e a mente ocupada pelos exemplos de Telê Santana e Ricardo Gomes, Muricy teve três dias para ponderar se vale a pena. Que aqueles que lhe são próximos possam ajudá-lo a encontrar a resposta.

ENFIM

Eis que a CBF se mexeu, como este espaço cobrou anteontem. Representantes da imprensa e os capitães dos vinte clubes da Série A foram convidados para uma reunião técnica, na próxima quinta-feira. Estarão presentes também os árbitros que trabalharão na rodada 26 do Campeonato Brasileiro e instrutores para uma análise didática das orientações da FIFA sobre lances de toque de mão. Demorou, deveria ter acontecido na semana passada, mas é uma medida necessária e importante para a sequência da temporada.

RESPOSTA

Uma das grandes virtudes do Cruzeiro neste campeonato é a resposta ao mau resultado. O líder venceu na rodada seguinte a todas as quatro derrotas que sofreu. E só deixou de vencer após um dos cinco empates, quando empatou novamente (rodada 14). Minimizar a duração dos momentos ruins é chave para o bicampeonato.



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