COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

SABER E FAZER

1 – Perderemos a conta se tentarmos lembrar quantas vezes o futebol nos manteve humildes ao rir do que achamos que sabemos. Este jogo, diferentemente de tantas áreas de atuação em que o acúmulo de experiência conduz à sabedoria, não dá diploma a ninguém com base apenas no número de horas dedicadas.

2 – A verdade vale também para treinadores, aqueles que em tese deveriam saber mais do que todos. Fosse assim, os melhores poderiam até ser superados, mas jamais seriam surpreendidos. O que vemos a cada rodada é a reafirmação de que o futebol é o grande professor. Nós somos todos alunos.

3 – No clássico em Itaquera, a defesa do Corinthians ofereceu dois gols ao São Paulo em jogadas iniciadas com bola parada, situação treinada exaustivamente porque pode ser mapeada em todos os aspectos. Não há possibilidade de defensores se verem em inferioridade numérica, a linha está posicionada, o brilho individual não desequilibra. Mas a repetição não traz segurança, e até times que se orgulham de seu desempenho defensivo dobram as pernas.

4 – O São Paulo marcou no começo e no final do primeiro tempo. Entre um gol e outro, não foi capaz de controlar o jogo da maneira que poderia e deveria. Equipes que têm a capacidade de dominar a posse devem ser ainda mais perigosas quando estão em vantagem, justamente pelo dom de impedir que o oponente jogue. O clássico mostrou o oposto. Perdendo ou empatando, foi o Corinthians, bem menos elaborado, quem jogou.

5 – A dinâmica se manteve na volta dos vestiários, quando, novamente no controle do placar, o São Paulo se reencontrou com a chance de controlar os movimentos. O problema é que o Corinthians se recusou a permitir que houvesse outro protagonista em campo, postura que merece aplauso pela coragem e pela superação de defeitos coletivos que eram evidentes até este domingo.

6 – Não deveria haver debate sobre os dois pênaltis anotados pela arbitragem. Luiz Flavio de Oliveira acertou também ao mostrar o cartão vermelho para Álvaro Pereira, pela condição clara de gol de Guererro ao ser derrubado na área. O 2 x 2 veio acompanhado de uma questão: se já dava as cartas com igualdade numérica, o que o Corinthians faria com um jogador a mais?

7 – Danilo, como sempre, tinha a resposta. Em rara aparição como titular, ele foi decisivo em um jogo de grandes proporções, algo habitual em sua condecorada carreira. A jóia da jogada do terceiro gol foi a assistência no espaço curto, que rasgou a defesa e criou o momento. Jogadores sábios são intermináveis.

8 – O São Paulo perde pela segunda rodada seguida e se olha no espelho: o que houve com o time dominante que derrotou o Cruzeiro há um domingo?

9 – Melhor atuação do Corinthians no Campeonato Brasileiro. Não se deprimiu com o gol precoce, não se satisfez com o empate, não alterou seu caráter durante o jogo. É notável que tenha surgido um time que se impõe contra um adversário do nível do São Paulo, quando se pensa no que o Corinthians não vinha conseguindo fazer contra equipes inferiores.

VAI?

É natural o Cruzeiro (sete pontos ganhos nas últimas cinco rodadas) atravessar um momento de oscilação. Não é possível disputar um campeonato como o Brasileirão sem quedas de desempenho. O título só estará em questão se outros times fizerem o vacilo do líder coincidir com as próprias arrancadas. A hora é agora e não vem sendo aproveitada.

6 x 0

Antes da rodada do fim de semana, o Goiás não chegava a um gol marcado por jogo em média. Só o Criciúma tinha uma produção pior. A goleada deste domingo diz o suficiente a respeito do Palmeiras, um time desesperado. Talvez a única solução para evitar o rebaixamento no ano do centenário seja entrar em campo para garantir o zero a zero, em casa ou fora, contra qualquer adversário. E ver o que acontece, o que é diferente de fazer acontecer. Porque quando este Palmeiras tenta fazer algo acontecer, acaba por se arrepender.



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