CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SORRIDENTE

O sujeito liga para a mulher e diz que não vai jantar em casa. A cerveja com os amigos falou mais alto, de novo. De novo?! Ela ouve a notícia como um ataque à família, ao relacionamento, ao matrimônio. E como ele não perguntou, simplesmente avisou, responde com uma ameaça embutida: “faça como quiser”. Na hora do jantar, o sujeito está em casa, óbvio.

Você já esteve lá, não minta. Dunga provavelmente também. Uma resposta do técnico da Seleção Brasileira, na entrevista coletiva de ontem, teve exatamente o mesmo tom da mulher que avisa o marido que “é melhor voltar para casa”, com outras palavras. Foi quando perguntaram a respeito de clubes poderem solicitar que seus jogadores não sejam convocados.

Dunga disse algo na linha de “é só mandar uma carta para a CBF, e não convocamos”, acrescentando que a entidade que ele representa é “democrática” (??) quanto a isso. Ficou escancarada a mensagem subliminar de que aqueles que fizerem o pedido devem pensar bem antes, e não reclamar depois. Um conceito gêmeo do “faça como quiser” da mulher irritada.

Dunga sabe que a maioria dos clubes não enviará a carta. Falta coragem para desagradar a CBF, por motivos que vão de valores recebíveis a temores inconfessáveis. E sobram razões para celebrar as convocações, apesar do prejuízo técnico em campo que resulta da estupidez do calendário. Jogador “de seleção” vale mais e mantém as engrenagens em funcionamento.

Dunga também sabe que a CBF não é “democrática” em nenhum aspecto e que mandar a carta não garante nada. Corinthians e Cruzeiro afirmam ter feito o pedido de não convocação de seus atletas para os amistosos de outubro. Cada um teve dois jogadores incluídos na lista anunciada ontem, desfalques para dois jogos do Campeonato Brasileiro e um da Copa do Brasil.

Os clubes brasileiros são como o sujeito que reclama da mulher e diz que prefere ir para o bar. Mas na hora do jantar está sempre em casa, sorridente.

MUITO OURO

Também na coletiva de ontem, o coordenador Gilmar Rinaldi voltou a evocar o “sonho do ouro olímpico” ao falar sobre o projeto de trabalho das seleções. Rinaldi parece mesmo acreditar que ganhar a medalha de ouro no futebol nos Jogos de 2016 será um evento transcedental. Não surpreende que Marco Polo Marin (o ex, atual e futuro) concorde com ele.

BANDEIRAS

O incêndio no São Paulo nos apresentou algumas opiniões de Juvenal Juvêncio sobre o futebol no Brasil. Na entrevista à Fox Sports, o ex-presidente são-paulino defendeu a liga de clubes, a interferência do governo no futebol, os campeonatos nas mãos dos clubes e só a Seleção nas da CBF. Uma pena que Juvêncio não tenha trabalhado por essas ideias quando podia.



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