COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

AVISO

1 – Um dos grandes pontos de interesse do jogo no Morumbi era o encontro de dois times de dupla personalidade. O São Paulo, caracterizado recentemente pela circulação da bola, sabe ser direto quando encontra o espaço no campo de ataque. O Cruzeiro, vertical e veloz, também é capaz de trocar passes com elaboração.

2 – Outra semelhança: ambos não costumam perdoar os defeitos dos adversários. Motivo pelo qual entraram em campo com o cuidado sob a camisa. Em jogos tidos como decisivos pelo confronto e a classificação das equipes, ninguém quer ser derrotado pelas próprias falhas.

3 – Duas aparições para Ricardo Goulart. Uma tentativa de encobrir Rogério Ceni e um chute no ângulo que o goleiro do São Paulo espalma com o braço esticado. O Cruzeiro é um time oportunista (no melhor dos sentidos) por instinto, está sempre pronto a oferecer perigo.

4 – Paulo Henrique Ganso nos leva de volta ao clássico com o Palmeiras. Na ocasião, a saída de bola errada da defesa contrária foi aproveitada com uma assistência de primeira para Alexandre Pato. No Morumbi, após outro passe de primeira que puniu o erro de Mayke, Ganso se apresentou para receber a bola na área e sofrer pênalti de Dedé. Típica ação de quem já sabia o que iria fazer antes de ter a chance de fazê-lo.

5 – O cartão amarelo – seria o segundo do zagueiro cruzeirense no jogo – ficou no bolso de Leandro Vuaden. Nem todo pênalti deve ser acompanhado de um cartão para o infrator, mas a imagem deste é ruim para Dedé, pior para o árbitro e pior ainda para o São Paulo, que poderia se ver em dupla vantagem antes da metade do encontro.

6 – Pouco antes do intervalo, Fábio evita o 2 x 0 aos pés de Kaká. O jogo coletivo do São Paulo começa a aparecer no momento em que o Cruzeiro não tem outro remédio a não ser se arriscar.

7 – O segundo tempo apresenta uma surpresa por parte do São Paulo: o bom comportamento do sistema defensivo. Apontada como o setor mais frágil de um time em evidente ascensão, a defesa suporta sem sustos o ataque mais goleador do Campeonato Brasileiro. Uma tarefa longe de ser fácil.

8 – Quando Alan Kardec anota o segundo gol, aproveitando o rebote do próprio cabeceio, instala-se a sensação de que o jogo terminou em relação ao vencedor, talvez não em relação ao placar final. Prova da solidez do São Paulo diante do líder, atuação que avisa a todos que há um time disposto a disputar o título.

9 – A sinceridade e o equilíbrio de Dedé fazem um bem ao campeonato. Suas declarações na saída do campo confirmam o pênalti e até mesmo o merecimento de um cartão amarelo, o que nos permite atravessar os próximos dias sem enfrentar a ladainha das conspirações do apito em um jogo capital. Um aplauso e um agradecimento ao zagueiro cruzeirense pela atitude rara em um universo histérico.

10 – O Cruzeiro poderia ter sentenciado seu bicampeonato no Morumbi. Foi superado por um adversário merecedor do resultado e da situação em que se encontra: com direito a sonhar, se continuar jogando como neste domingo.

BRIGA DE DOIS

Internacional, Corinthians, Fluminense e Grêmio, os times que habitam o G-4 e arredores, fazem campanhas marcadas pela irregularidade. Permanecem descolados do líder. Da mesma forma que é preciso considerar que uma reviravolta ainda é possível em dezessete rodadas, não se vê um time capaz de atrapalhar a briga entre Cruzeiro e São Paulo.

TIC TAC

A história dos relógios de 25 mil euros oferecidos como presentes pela CBF a membros do Comitê Executivo da FIFA tem pelo menos dois pontos curiosos. Um é o fato de a entidade brasileira obviamente saber que os dirigentes agraciados não podem receber mimos deste valor, conforme as regras da Comissão de Ética da FIFA. O outro é lembrarmos que a FIFA tem uma Comissão de Ética.

CURIOSIDADE

As duas assistências de Messi para Neymar, no sábado, foram as primeiras do argentino para o brasileiro. Estão na segunda temporada juntos.



  • Teobaldo

    Em relação ao ponto 9: o universo só é histérico para o time prejudicado (na visão dele próprio, por óbvio). Em relação ao tema “TIC TAC”, pergunto: Os membros da FIFA aceitaram os tais relógios como presentes?

  • Juliano

    Muito legal ver Muricy motivado, se esforçando para se reinventar. No Santos, apesar de um título continental conquistado, parecia ainda agarrado às suas convicções, acabou acomodando-se, perdeu o estímulo. A relação e identificação dele com o SPFC é notadamente outra, e que legal que seja assim. Parte do sucesso desse momento do time se deve muito à isso. Outra grande parte deve-se a Kaká, sobrando em gramados nacionais. Outra parte ao futebol do PHG voltando (de novo) a ser o que se espera dele. Obviamente PHG tem outro rendimento de acordo com quem está à sua volta, como neste momento, depois de muito tempo em companhia de baixa qualidade.
    AK, acha que outra parte pode ser explicada também pela ausência do Luís Fabiano? Com ele em campo há mais nervosismo, reclamação, confusão… sem ele, mais paz para todos e Kardec dando conta do recado muito bem, diga-se.

    Concordo que esta derrota pode ter sido o alerta que faltava para o Cruzeiro não tropeçar daqui pra frente e consolidar o bi-campeonato.

    Neymessi: fazia tempo que Lionel não tinha um finalizador da qualidade do Neymar para que pudesse ser o garçom quando preciso. 2013 foi um ano complicado. Ao que parece, vai dar liga…

    AK, encerrada a Copa do Mundo FIBA, o “team USA” retoma a hegemonia com autoridade. Apenas mais um exemplo de como é possível voltar ao topo. Uma pena que ninguém na CBF ligue para isso, mesmo após a catástrofe que foi a última Copa do Mundo FIFA.
    Se a moderação permitir, parte da reconstrução da seleção vitoriosa e briosa pode ser explicada por aqui, ótima leitura:
    http://bleacherreport.com/articles/2199457-kobe-bryant-helped-team-usa-basketball-regain-its-dominance-with-single-game

    Um abraço!

  • Alexandre

    André, parabéns pelo seu trabalho. Esta última informação, do Messi servindo ao Neymar é de fato muito interessante e acredito que mesmo com milhares de jornalistas atuando, passou despercebida.
    Serei inoportuno, mas receba como um elogio, valorize seu pai sempre, independente de qualquer situação, sou sociólogo e muito envolvido pelo futebol e admiro muito ele. Ele me levou a ser um leitor do seu trabalho já há alguns anos e estou bastante satisfeito em acompanhar seu blog. Saúde!

  • Gustavo

    Atualização: e lá vem o técnico da Seleção prejudicar o Cruzeiro mais uma vez.

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