COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

RESTAURAÇÃO

A reprovação dos projetos de reforma e cobertura do Morumbi está na origem do rompimento de Carlos Miguel Aidar com Juvenal Juvêncio e o grupo que apoia o ex-presidente do São Paulo. Carlos Miguel não conseguiu digerir os vetos da oposição aos planos de modernização do estádio, um movimento político que ele considera danoso aos interesses do clube.

O ataque à figura responsável por sua eleição – ruptura considerada irreversível por pessoas de ambos os lados da história – tem o objetivo principal de fazer outra reforma no São Paulo: a do modo de gestão. De acordo com correligionários de Carlos Miguel, o fim do que chamam de “clientelismo” é a única maneira de instalar no clube o estilo vanguardista de administração que o atual presidente prometeu ao retornar.

Como sempre acontece, as finanças estão no centro da conversa. A situação econômica do São Paulo incomoda Aidar desde o início de seu mandato, a ponto de a nova diretoria ter submetido os departamentos do clube a um rigoroso corte de despesas. Diretores não foram autorizados a confeccionar cartões de apresentação, por exemplo. Outra mudança simbólica, porém percebida de maneira sensível por conselheiros, foi uma drástica redução do cardápio oferecido em dias de jogos nos camarotes do Morumbi.

A dívida bancária, real em números “absolutos”, mas objeto de diferentes leituras do ponto de vista contábil, também exerce influência significativa no efervescente ambiente do clube. É mais um problema de orçamento a ser solucionado, o que esteve a ponto de acontecer ao fechamento da janela de transferências para a Europa. Quando o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo de Rodrigo Caio se rompeu no empate com o Criciúma, em agosto, uma transferência muito bem encaminhada tornou-se impossível.

Não é verdade que o zagueiro/volante estava vendido para um grande clube europeu até a noite em que se machucou, mas o departamento de futebol do São Paulo tinha conseguido estabelecer o valor do negócio ao redor dos 20 milhões de euros para o principal mercado comprador do mundo. Não fosse a interrupção momentânea de sua carreira, Rodrigo Caio poderia, com uma assinatura, fazer evaporar uma parte substancial da dívida são-paulina.

Enquanto mobiliza seu grupo e contempla os próximos passos de sua estratégia, Carlos Miguel pretende manter o Centro de Treinamento do time profissional a salvo dos estilhaços do conflito que ele mesmo provocou. Está convencido de que o futebol deve ser uma unidade separada, em todos os aspectos, da sede social. Esse é um dos pilares da nova gestão que pretende implementar, para ânimo dos que estranharam o estilo espalhafatoso do começo do mandato.

O momento conturbado nos corredores coincide com a melhor fase do time, que produz de acordo com o potencial de seus jogadores e surge como ameaça ao bicampeonato do Cruzeiro. A cada exibição vistosa do São Paulo, a caracterização de Muricy Ramalho como um “treinador muito caro”, frequente nos gabinetes há pouco tempo, torna-se um ruído mais distante.

EVOLUÇÃO

Joseph Blatter declarou que pretende testar no próximo ano um sistema de uso de vídeo no futebol, em que técnicos possam desafiar decisões tomadas pelos árbitros. Cada treinador teria direito a um ou dois desafios por tempo de jogo, conferidos pelo replay da TV em um monitor à beira do gramado. O presidente da FIFA gostaria de ver o sistema funcionando na Copa do Mundo Sub-20, que será realizada no ano que vem, na Nova Zelândia, e também em um campeonato nacional. A MLS já se disponibilizou a ser a primeira liga a fazer a experiência com o recurso de vídeo. Don Garber, principal executivo da liga americana e canadense, disse à Sports Illustrated que “chegou a hora de termos um mecanismo para que jogos não sejam decididos por marcações erradas da arbitragem”. A ideia precisa ser aprovada pelo International Board.



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