CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

VELCRO

“O gramado não estava bom. Vimos várias vezes que a bola não ganhou velocidade porque a grama impediu”, disse o técnico. “Tinha grama sobre grama, você pisava e sentia o pé afundar mais do que o normal”, declarou um jogador.

Ambos se referiram ao amistoso contra o Equador, no MetLife Stadium, em Nova Jérsei. Mas não, não sobre o jogo de anteontem, que a Seleção Brasileira venceu por 1 x 0. Alejandro Sabella e Gonzalo Higuaín reclamaram da superfície em que a Argentina não passou de um zero a zero com os equatorianos, em novembro do ano passado.

As críticas dos argentinos provam que ninguém deveria ter se surpreendido com as condições do campo em que o Brasil atuou na terça-feira. Durante a temporada da NFL, a única forma de praticar futebol (o nosso) no MetLife é com um tapete de grama natural sobre a grama artificial em que os Giants e os Jets jogam futebol americano. O que implica em uma superfície prejudicial a qualquer time que pretenda trocar passes.

No caso do jogo do Brasil, o visual de carpete de quarto de hotel barato ainda agregou o aspecto varzeano a um amistoso que, apesar do horário, foi visto em outras partes do mundo. Em resumo: inadmissível. Só mesmo a CBF tem a capacidade de expor sua galinha dourada a um ambiente pouco aproveitável no aspecto técnico e absolutamente constrangedor em termos de imagem. Passa a impressão de que, se depositarem o cachê, a Seleção Brasileira jogará até em uma pista de motocross.

Percebeu-se, tanto na escalação quanto na maneira de jogar, a intenção de construir movimentos desde o campo de defesa. Mas a bola parecia ter uma camada de cola que atrapalhava suas viagens pelo gramado. Exatamente o que um time em formação, em sua segunda oportunidade sob nova direção, precisava para se conhecer e evoluir, certo? Além do pouco tempo de treino, a Seleção teve o campo do MetLife como adversário adicional. Um conceito de vanguarda.

OPÇÕES

Os interesses comerciais prevalecem, claro. Mas, após a Copa do Mundo, sobram razões para a Seleção Brasileira se apresentar em nosso país. Os estádios construídos onde não há futebol para aproveitá-los aparecem como locais óbvios para amistosos internacionais. A Arena da Amazônia, por exemplo, certamente ofereceria um gramado melhor do que o de Nova Jérsei.

OPÇÃO

Pelé está sempre disponível para falar sobre qualquer assunto e suas declarações são frequentemente descontextualizadas de maneira oportunista. Não é o caso, porém, do que ele disse a respeito do goleiro Aranha e do episódio na Arena do Grêmio. Pelé poderia ser um ativista na luta contra o racismo no futebol. Ou poderia não ter dito nada. Teria sido melhor.



  • Emerson Cruz

    Para a CBF, se os cofres estão cheios o futebol não tem importância.
    Sobre Pelé, mais uma vez ele arranhou a própria imagem. De novo decepcionou ao se posicionar. Uma pena!

  • Corrrrea Leonardo

    Calado é um poeta esse Edson.

  • Rafael
  • Teobaldo

    Eu não sabia que o Pelé era pombo-correio…

  • Juliano

    Ao ler o texto eu pensava em comentar exatamente o que eu encontrei na nota OPÇÕES. Perfeito.

    Pelé cada vez mais dando razão ao que Romário (entre outros) pensam sobre ele quando abre a boca.

    AK, apenas um detalhe (bobagem minha, vá) com relação à grafia Jérsei (segundo parágrafo) e Jersey (nota OPÇÕES). Lembro que há alguns anos discutimos isso neste espaço com a sua vizinha York (Iorque), e chegamos a conclusão que existe flexibilidade na utilização destes termos. Só achei curioso ver as duas grafias presentes no mesmo texto.

    Abraço!

    AK: Erro meu. Já corrigido. Um abraço.

  • Silvio

    Perfeito André e principalmente em relação ao “Rei” Pelé.

  • Fabio

    Andre, só uma comentário: Não é a CBF que expõe seu “produto” assim, a AFA também, vide os comentários dos argentinos, o que obviamente não justifica o equivoco de jogar num campo ruim e horário idem

    AK: A AFA tem – ou tinha – o argumento de ter sido surpreendida pelas condições. Mas as coisas lá funcionam do mesmo jeito que aqui. Um abraço.

  • Kleber M

    Tudo é uma questão de conveniência política e comercial, claro. Mas se precisavam jogar em NJ, por que não na Arena Red Bull (casa do NY Red Bulls), que tem um belo gramado natural? Inútil claro desejar coerência desta porcaria chamada CBF…

  • Eddie The Head

    Nada sobre o “caso Maicon”,nada sobre o nosso campeonato brasileiro. Confesso que esperava mais.

    • Nilton

      Sobre o “Caso Maicon” já esta resolvido e até teve menção aqui “http://blogs.lancenet.com.br/andrekfouri/2014/09/09/coluna-da-terca-101/”

      Com relação ao Brasileirão não temos muitas novidades, o Palmeiras continua com a luta ferrenha para entrar no Z4 mas ninguém esta afim de abrir uma vaga (tudo igual as últimas rodadas).

      Na parte de cima continua a mesma coisa com os mesmos 4 dentro da G4.

      Você esperava o que???

  • Paulo Pinheiro

    A polícia gaúcha prendeu o suspeito de atirar coquetel molotov contra a casa da Patrícia Moreira, suspeita de injúrias raciais contra o goleiro Aranha. O nome dele é Elton Grais e tem 28 anos.

    Mas a foto dele não vai aparecer em ampliação total nas redes sociais, nos sites das grandes mídias e nem na TV, com um pedido da devida execração pública.

    Porque nós somos um país que exige civilidade mas… às vezes dá uma preguiiiiiça…

    AK: Mesmo porque ele já foi identificado e detido. A relação que você fez entre as situações é equivocada. Um abraço.

    • Paulo Pinheiro

      As duas situações estão totalmente relacionadas. Aquele veículo jornalístico quis fazer pose de quem está fazendo a sua parte para que não vivamos numa terra sei leis, mas ao abster-se de dar o mesmo tratamento a quem TAMBÉM tomou uma atitude irracional só mostrou que está a serviço do sensacionalismo que vende jornais.

      AK: Não sei de qual veículo você fala, mas isso pouco importa. Seu comentário é típico de quem pensa que a moça foi injustiçada, “pois não foi a única a ofender o Aranha”. Como disse, equívoco.

      • Paulo Pinheiro

        Eu só não mencionei o nome do veículo porque não é o caso de fazer propagando de ninguém. Mas acho que você sabe qual foi o primeiro site a exibir ela como quem exibe Judas (aliás, um veículo de comunicação com um número irrisório de afrodescendentes trabalhando lá… eita, hipocrisia).

        Ela foi injustiçada, sim. Ou você acha que um erro de um xingão é pra ser tratado como se ela fosse uma assassina, que sequer consegue voltar pra casa. Ela tem que pagar pelo que fez conforme as leis deste país (princípio da legalidade acima de tudo), mas não ter a sua família inteira com a vida virada de cabeça pra baixo porque uma corja vingativa se acha no direito de fazer o que faz.

        Então nós condenamos uma pessoa que xinga a outra e apontamos o dedo pra ela enquanto ameaças de estupro, casas incendiadas, famílias contrangidas (de todas as formas) não merecem nem comentário?

        Repito: ao não dar ao senhor Elton Grais o mesmo tratamento dado a ela aquele site perdeu a oportunidade de mostrar que está REALMENTE a serviço de um país cidadão. Provou que só quer vender.

        AK: O que penso a respeito está escrito neste blog. A “corja vingativa” deve ser responsabilizada por seus atos, como se deu com o criminoso que você mencionou. O resto são conjecturas equivocadas de sua parte a respeito do funcionamento de um mercado em que há acertos e erros como em qualquer outro. Na sexta-feira à tarde, a notícia sobre o que houve na casa da moça estava, em destaque, por toda parte.

    • RENATO77

      Concordo, Paulo.

      “Parte dessa sede pela agressão como forma de justiça é alimentada pela própria mídia tradicional, que incentiva esse comportamento por meio de seus e suas “Sherazades”. A mesma mídia que, nesse episódio, ao invés de aproveitar o momento e discutir o racismo, preferiu o caminho fácil da espetacularização.
      Nessa história, o único correto parece ser o goleiro Aranha. Denunciou quando foi preciso, registrou a ocorrência e se recusou a colaborar com a tentativa de transformar um caso triste em espetáculo, rejeitando um encontro com Patricia e destacando que a perdoava, mas que exigia que ela respondesse ao que fez legalmente. Legalmente. Parece que essa parte muitos não ouviram. São os que costumam não escutar nunca.”

      http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2014/09/12/o-incendio-na-casa-da-torcedora-gremista-e-intolerancia-construida/

      AK: “A mídia”, essa organização perigosa…

      • RENATO77

        O corporativismo tá ficando doentio…

        AK: Sem stress, apenas uma consideração: se você, um leitor tão antigo, entende que opino com corporativismo, há algo errado, não acha? Um abraço.

        • RENATO77

          Difícil não estressar com a qualidade dos serviços públicos, dentre eles incluo a mídia “de massa” que se serve de concessões do estado(de toda a sociedade) para operar…cada vez mais opinativa e menos informativa…e o pior, quase nunca essas opiniões são no sentido de se construir uma sociedade melhor.
          Me aproveito de um trecho de uma resposta sua à um outro comentário:
          “um mercado em que há acertos e erros como em qualquer outro.”
          Aí é que está…isso não deveria ser um “mercado”…
          Não querendo ser utópico…mas saúde não pode ser “mercado”, educação não pode ser “mercado”, segurança não pode ser “mercado”…a tal “mídia” deveria seguir esse mesmo preceito…ou pelo menos não se render com tanta facilidade as tentações do “mercado”.
          No stress.
          Abraço.

          AK: Jornalismo sempre foi e sempre será mercado. Para empresas, patrões, funcionários e o público. Como dizia Dante Panzeri há décadas: “Jornalismo é comércio. Pode e deve ser lícito comércio. O que não significa que deva ser insano ou indecoroso”. Adiciono: e como em qualquer tipo de comércio, os consumidores podem e devem fazer escolhas. Um abraço.

          • RENATO77

            Não concordo muito não cara…mas enfim….
            Veja só as peças que a vida pode nos pregar….minha filha(16) pensando em cursar administração ou jornalismo…é pra calar minha boca ou não é?
            Abraço.

            • Paulo Pinheiro

              Pode ser um bom começo pra mudar essa realidade, Renato. Boa sorte pra vocês.

              • RENATO77

                Valeu Paulo, obrigado!

  • Rodrigo

    Como as coisas são.
    Começo a achar que para fazer esse jornalismo factual e superficial de hoje em dia não precisamos mesmo de diplomas. rsrs (Ironizando)
    Se jornalismo atende o mercado, onde está a liberdade de imprensa? Confesso que não vejo.
    A mídia pintou uma garota jovem como racista. E isso generalizou para toda a torcida do Gremio. Mas a mídia nunca é responsável pela sua incompetência. Como se não soubessem o peso da responsabilidade que tem uma mídia séria. A vida da garota virou da noite para o dia. Se ela fosse negra não teriam falado nada. A mídia nem noticiaria. Essa classificação de racismo que está longe de ser racismo na prática é moda hoje em dia. E brasileiro adora modismo para cada um aparecer de uma forma. O país das piadas de negros, que chamam os negros de afrodescendentes. Afrodescendentes não… são brasileiros. O cara que tentou incendiar a casa dela, as pessoas que ameaçam a família dela e de estuprarem ela, essas pessoas não são sitadas na mídia nem a consequência que levou a vida dela porque isso tem todos os dias no País.

    Não se debate o efeito borboleta do jornalismo feito para gerar opinião.
    Não se debate as leis ou a falta delas.
    Democracia para o brasileiro é individual e não coletivo. A garota foi identificada, foi condenada pelo clube e pela justiça… mas ainda falam dela. Ela ainda é um monstro… com o agravante de ninguém saber se ela é racista mesmo no seu cotidiano ou no seu passado. O direito dela de ir e vir foi pro saco. Perdeu o emprego, e diferente do Daniel Alves que pediu o emprego do cara de volta, o Aranha ignorou as consequências exacerbadas. Ela pode muito bem processar os jornais e revistas porque colocaram o rosto dela como racista, e ela foi acusada de injúria.
    Mas é isso aí… sou gremista e concordo com a expulsão do clube na copa do Brasil… porque os clubes tem que acabar com torcida organizada que só dão prejuízos. A copa do mundo deu exemplo com torcida misturada nos estádios.

    Não estou exatamente defendo a guria, mas sim, a forma certa de abordarem esses assuntos num país onde o nível educacional é insatisfatório. E refletirem sobre as consequências de vários pontos de vista.

    Espero que você entenda que não é uma crítica sobre você, mas sobe, infelizmente sua profissão. O qual tenho pessoas na família e conhecidos.

    Um grande abraço.

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