FATOR KAKÁ



Um aspecto tem sido pouco valorizado na linda jogada do segundo gol do São Paulo, ontem no Morumbi: a importância dos passes de Kaká para o sucesso do contra-ataque.

Não há dúvida de que a jogada foi formidável. Oito passes, de uma área à outra, até a conclusão de Alexandre Pato.

Mas as duas intervenções de Kaká provavelmente determinaram o desfecho do lance.

A circulação rápida da bola é o conceito mais importante do futebol de hoje. Nã há sistema defensivo que consiga sobreviver a tramas com troca de posições e superação de linhas por intermédio de passes verticais.

Na construção do gol são-paulino, é Kaká quem faz os jogadores do Sport correrem de frente para o próprio gol, sinal claro de desorganização defensiva.

No momento em que Kaká mata a bola no peito, há cinco jogadores do Sport dentro da área, um praticamente sobre a linha, e mais o cobrador do escanteio, o mais adiantado de todos.

Ao identificar imediatamente a oportunidade, Kaká acelera na saída da área, aplica um drible da vaca no primeiro marcador, e não demora a fazer o primeiro passe. Quando Auro recebe a bola (aos 9 segundos do vídeo), os sete jogadores mencionados acima estão ATRÁS da linha da bola.

Auro devolve de primeira, enquanto o Sport tenta recompor a defesa e Kaká se aproxima da metade do campo.

Kaká não perde tempo. Dá apenas um toque na bola e aciona Pato, o atacante mais profundo. No instante em que Pato domina (15s), só UM jogador do Sport está adiante da bola.

A melhor chance que o Sport teve para interromper a jogada foi no momento em que Pato fintou seu marcador. É o único drible que acontece no campo de ataque em toda a jogada.

A sequência de passes de primeira volta a desorganizar a retaguarda do Sport, pouco antes da entrada em diagonal de Pato na área, que, somada à falha de marcação que o deixou à vontade para dominar e concluir, finaliza o lance de maneira impecável.

Kaká não é um armador clássico, mas sempre possuiu a capacidade de manejar os tempos com aceleração ou pausa. Foi o que ele fez nas duas vezes em que teve a bola, em ambas levando seu time a superar as linhas de um adversário já em posição precária em campo.

Creio que o gol não teria saído se outro jogador estivesse no lugar dele.



  • Juliano

    Peço perdão pelo tremendo off-topic, mas ontem enquanto na TV aberta passava o 0 x 0 entre Criciúma e Corinthians, a seleção nacional brasileira vencia, finalmente, a bela seleção argentina na COPA DO MUNDO de basquete masculino, por nada menos que 20 pontos, mesmo que os 3 primeiros quartos tenham sido disputadíssimos e muito nervosos.

    Quarta-feira, Sérvia, possibilidade grande de passar e fazer a semi-final contra os donos da casa. A seleção brasileira poderá ficar em terceiro lugar, algo bastante plausível, coisa que a seleção de futebol não conseguiu dentro da própria casa (e jogando pra lá de mal, enfim).

    Uma pena ver os maiores veículos da tv aberta preterirem um evento que ocorre a cada 4 anos, onde finalmente contamos com uma seleção completa na sua melhor geração dos últimos 15 anos, em detrimento do nosso tão criticado campeonato nacional, com nível técnico cada vez mais baixo.

    Estou certo que AK nos brindará, brevemente, com algumas linhas, admirador do baloncesto como é.

    Abraço!

    AK: Apenas não imagine que a televisão aberta escolherá transmitir um jogo de basquete, independentemente da importância, no lugar de um jogo de futebol. Um abraço.

    • Juliano

      Correto AK, não imagino, mas que seria legal seria. Uma pena que seja assim. Abraço!

  • Concordo plenamente! A Globo e seus canais ( Sportv ) só pensam no tal Corinthians e no Flamengo, e nada mais importa! Até o pai do AK que se diz amante do Basquete, só fala de Corinthians, mesmo quando o assunto é um outro time. Dá nojo!!!

    AK: Tome um anti-ácido. Um abraço.

    • Paul

      Ué, a Sportv passou o jogão e tem passado vários jogos…. Eu vi justamente a partir da virada do Brasil 🙂 , show!

    • Teobaldo

      “…. Até o pai do AK que se diz amante do Basquete…” Puxa-vida, quanta ignorância! Prezado Tadeu Sales, procure saber quem foi Zé Carlos, um craque que no final dos anos 50 era um verdadeiro mito do esporte da “bola ao cesto”, ainda no colegial. Para eu conhecimento, o Zé Carlos só ficou fora da Selação Brasileira bi-campeã mundial por pura proteção a um tal de Vlamir Marques (não jogava nada quando comparado ao Zé Carlos). Tenho certeza que o próprio AK, incrédulo, já ouviu várias histórias proferidas pelo próprio mito. Para os amigos terem uma ideia o Zé Carlos, hoje, pelo estilo de jogo, poderia ser comparado ao Rajon Rondo. Como é bom colocar as coisas nos seus verdadeiros lugares! Um abraço a todos os amigos do blog!

  • Paul

    Estava falando justamente isso. Como Kaká se diferencia dos demais pela inteligência em campo! Excelente reforço, pena que por pouco tempo.

  • Neil Neri

    AK, o kaka joga muita bola…
    Agora… Os passes do garoto auro foram surpreendentes… Principalmente o primeiro…
    ABS.

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