COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PEDALADA

Ok, são apenas dois amistosos. E a convocação só aconteceu por causa da lesão de Hulk. Mas o retorno de Robinho à Seleção Brasileira tem de significar algo. Certamente não é a renovação que se espera de um trabalho que começa após uma Copa do Mundo trágica. Não seria assim com um jogador de 30 anos (o segundo mais velho do grupo que estará nos EUA, atrás de Maicon), veterano de dois Mundiais, mas que não esteve no último.

O que une Robinho a Dunga é uma dessas relações especiais que se formam entre um jogador e um técnico. Uma ligação que ignora o tempo, encurta as distâncias e se mantém forte. No dicionário de Dunga, Robinho é sinônimo de comprometimento, um dos termos prediletos do treinador da Seleção. Não há nada que Dunga tenha pedido que Robinho não tenha feito enquanto estiveram juntos. A começar pelo primeiro torneio.

Era 2007 e a Seleção estava reunida em Teresópolis, na antiga Granja Comary. Dunga começava a preparar o time que conquistaria a Copa América da Venezuela, gênese do grupo que acompanhou o técnico até a Copa do Mundo da África do Sul. Nos primeiros dias de concentração, a notícia era a ausência do jogador que seria a referência da principal característica do time. Robinho ajudaria a converter a Seleção em uma equipe letal no contra-ataque.

Mas enquanto o time treinava na serra fluminense, Robinho permanecia na Espanha, com os braços atados a um cabo de guerra entre o Real Madrid, e a CBF. O clube pretendia que Robinho jogasse na última rodada do Campeonato Espanhol, a confederação o queria do outro lado do Atlântico. Robinho chegou a dizer publicamente que sua vontade era estar em campo no jogo que poderia dar – como deu – o título aos blancos. Mas seu agente, Wagner Ribeiro, lembrou que, diferentemente da opção de Kaká e Ronaldinho Gaúcho, Robinho gostaria de disputar a Copa América.

Após bravatas de lado a lado, a CBF capitulou e o atacante foi o último jogador a se apresentar em Teresópolis. O agradecimento pela espera veio no segundo jogo da Copa América, quando Robinho marcou os três gols da vitória sobre o Chile. O resultado restaurou as chances de classificação do Brasil no grupo e aliviou a pressão sobre Dunga, fruto da derrota para o México na estreia.

Não foi a única vez. Pouco mais de um ano depois, em um reencontro com a seleção chilena pelas Eliminatórias para a Copa de 2010, Robinho voltou a resgatar o técnico em situação delicada. Todos os sinais indicavam para a demissão de Dunga caso o Brasil não vencesse em Santiago. Luis Fabiano, com dois gols, foi o grande nome do placar de 3 x 0. Mas Robinho marcou o segundo, no final do primeiro tempo, depois que Ronaldinho perdeu um pênalti.

Nada mais apropriado, portanto, que a segunda passagem de Dunga pela Seleção Brasileira comece com a presença do autor do último gol do time sob seu comando. Naquela fatídica tarde em Port Elizabeth, Robinho encaminhava o Brasil para as semifinais da Copa até a bola parada holandesa fundir os nervos da Seleção. Para o técnico, é como se quatro anos não tivessem existido. Uma pedalada no calendário.

FALAM MUITO

A cada rodada do Campeonato Brasileiro fica mais evidente: fala-se demais com o trio de arbitragem em nossos jogos. Os jogadores precisam entender que esse tipo de pressão pode até desequilibrar decisões a favor de seus times, o que não significa que seja bom. Bom é um campeonato em que árbitros e assistentes fiquem em segundo plano, como prova de trabalho correto e, por isso, discreto. A variação de critérios em um mesmo jogo não é apenas sinal de uma arbitragem tecnicamente fraca. É sinal, também, de intranquilidade. A postura dos jogadores tem muita coisa a ver com o problema.

MAIS

Bonita e bem concebida a faixa em solidariedade a Aranha, antes de Botafogo x Santos: “Somos preto. Somos branco. Somos um só”. Mas mensagens, por mais sensíveis, infelizmente não são suficientes. O ataque ao racismo depende de ação.



  • RENATO77

    Infelizmente o ponto forte dos treinadores brasileiros, todos eles, é o aspecto emocional. Isso já deu resultado, hoje não mais, só isso não basta.
    “Grupo fechado”…”família”…”pojeto”…”me-re-ci-men-to”…”aqui é trabalho”…cada um escolhe seu bordão.
    Abraço.

  • Gustavo

    É isso aí, André.

    Os árbitros brasileiros são pressionados o tempo inteiro, e ainda precisam lidar com a “malandragem”, os pênaltis religiosamente simulados e as contusões para esfriar a partida, entre outras práticas lamentáveis, mas habituais.

    A arbitragem é sim ruim, e a culpa é toda dos jogadores e técnicos.

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