CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

O TORCEDOR DE TORCIDA

Depois do torcedor de dirigente, aquele sujeito desprovido de capacidade crítica que idolatra e defende com a própria vida alguém que ele julga – sem saber – fazer o bem por seu time, eis que devemos receber com carinho o “torcedor de torcida”.

Ele aparece nas redes antissociais a cada pesquisa de quantidade de fãs, como a divulgada ontem por este diário, em parceria com o Ibope. Vibra por milhares de semelhantes, chora por pontos percentuais, não dorme por margens de erro. Se os números mostram queda entre aqueles com quem compartilha sentimentos, o torcedor de torcida navega entre a revolta e a depressão que resultam das piores derrotas. Se mostram crescimento, a celebração é comparável a um título inédito.

O torcedor de torcida não faz a mais pálida ideia de como as pesquisas funcionam. Não conhece o conceito de amostragem, não considera as regiões em que o trabalho foi realizado, os grupos etários, nada. Por isso não percebe como é complicado desenhar um retrato fiel do número de torcedores de cada time em um país colossal como o Brasil. Ele só se importa com o resultado final, como se aqueles algarismos fizessem alguma diferença em sua vida.

Há um tipo de torcedor de torcida, exigente e esperto, que se considera entendido no assunto e não, não senhor, não acredita em tudo o que lê. É uma classe vip de torcedor de torcida, que só aceita as pesquisas que mostram o que ele necessita desesperadamente que seja verdade. Se o resultado o satisfaz, os métodos são perfeitos e o instituto responsável é exemplar. Se não, trata-se de trabalho mal feito, mentiroso, desprezível.

O que o torcedor de torcida – vip ou não – precisa saber é que tamanho não é representatividade. Os índices que interessam são os de presença em estádio, audiência de televisão e consumo de marca. O resto é vírgula, casa decimal, sexo dos anjos e pouco senso de ridículo.

ARMADOR

A contratação não concretizada de Ronaldinho Gaúcho expõe o problema de armação no meio de campo que o Palmeiras precisa resolver. O clube estava disposto a uma operação arriscada: esticar seus limites financeiros por um aluguel de quatro meses, porque sabe que não pode contar com a assiduidade de Valdivia e não tem solução interna disponível.

PASSADOR?

A intrigante ida de Douglas para o Barcelona continua a produzir questões. O que o gigante europeu enxergou em um jogador de 24 anos que não chamou a atenção em seu país? As categorias de base do clube não oferecem nenhuma alternativa? Os constantes erros de passe do ex-lateral são-paulino não são uma preocupação para um time que joga como o Barcelona?



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