COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CRUEL

1 – Valdivia começou o clássico como se fosse seu primeiro jogo em três meses pelo Palmeiras. Incomodando o lado direito da defesa do São Paulo, com a disposição um ponto acima do que é seu normal. Quando o meia chileno chama a atenção pelo aspecto motivacional, cabe a pergunta sobre como sua atuação será afetada.

2 – Ganso, Kaká, Pato e Kardec juntos. Combinação que sugere movimentação constante, rodízio de posições e caos no sistema de marcação adversário. Precisa ser mais do que uma sugestão.

3 – Valdivia substituído antes dos vinte minutos. A mão na parte de trás da coxa direita e a reclamação de tontura configuraram um enigma. O depoimento do médico do Palmeiras não esclareceu o motivo da saída, ao contrário. Essa é a questão com Valdivia, seja quando o assunto é sua assiduidade em campo ou seu destino de férias: nunca se sabe.

4 – Passe virou artigo de luxo no Pacaembu, como se os dois times tivessem recebido ordens expressas de não dar sequência às próprias ideias. E como ambos carecem de ideias, o chamado futebol associativo não tem chances. Número de oportunidades de gol no primeiro tempo: zero. A maior parcela de culpa é do São Paulo, que tem mais a oferecer.

5 – Uma triangulação entre Fábio, Ganso e Pato construiu o gol do São Paulo. Imprudência do goleiro palmeirense, inteligência e eficiência da dupla são-paulina. O toque de primeira de Ganso não só criou o gol para Pato como impediu que o atacante se colocasse em impedimento. O bom futebol é feito de coisas simples.

6 – O pênalti marcado para o Palmeiras será o assunto da semana. Chute na direção do gol, defensor de frente para o lance, braço descolado do corpo. As opiniões que formamos após as repetições e as imagens frisadas são questão de um segundo, ou menos, para o árbitro. Enquanto o recurso de vídeo servir apenas para criar polêmicas e esculachar a arbitragem, não avançaremos.

7 – Kaká encontrou uma marcha acima e o São Paulo se insinuou, mas pecou ao finalizar. O Palmeiras encontrou a coragem dos desesperados e foi à luta, com o pouco que tem. O jogo melhorou, justamente por deixar de ser uma sequência de frases interrompidas e passar a ser um debate.

8 – Valdivia deixou o Pacaembu antes do final do jogo. Perguntado sobre o que aconteceu, disse: “também não sei”. Volte ao item 3.

9 – O clássico, empatado, entrou no território em que a vitória depende da disposição de correr riscos e do irônico balanço entre sorte e azar. Não é exagero dizer que o segundo gol esteve em pés palmeirenses pelo menos duas vezes. Defeitos técnicos o impediram. Quando é assim, um time só pode reclamar das próprias falhas.

10 – E como se fosse uma punição, o Palmeiras perdeu com um gol marcado pelas costas de seu goleiro, no rebote da própria defesa e da trave, no final do jogo. Na súmula, Alan Kardec, o atacante que trocou de lado, aparecerá como autor. Cruel.

11 – A vitória do São Paulo acalmou as aquietações que ganharam volume desde a noite de quarta-feira, mas fez pouco mais do que isso. A distância entre poder e fazer continua grande.

SUPORTE

Gareca contratou estrangeiros para poder trabalhar e ter suporte no grupo que deve acreditar nele. O problema é que o time precisa de tempo e tranquilidade, mais escassos a cada rodada. A sorte do Palmeiras no ano de seu centenário depende de como o comando reagirá às pressões para demitir o técnico. Que outro treinador será melhor para dirigir a equipe que o argentino montou?

CONVENIÊNCIA

Em entrevista à revista Época, falando sobre Neymar, Dunga disse que “para ter carimbo de craque, tem de ter o carimbo de campeão do mundo nas costas”. Como se o futebol fosse um esporte individual ou se o resultado coletivo fosse o único critério para escolher o lugar de cada jogador na história. Por essa ótica, Lionel Messi não é craque. Cristiano Ronaldo não é craque. Zico, Sócrates e Falcão não foram craques. Mas Dunga foi, claro. Que conveniente.



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