COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DEMOROU

Se as palavras não tivessem aparecido em uma publicação oficial, seria obrigatório investigar se Joseph Blatter foi sequestrado e substituído por um impostor. No caso, um impostor com uma visão muito mais moderna e benéfica para o futebol. Eis que a última edição da revista semanal da FIFA traz, em coluna assinada pelo presidente, uma chocante revelação: “(…) a ajuda tecnológica pode nos ajudar a avançar no futebol. Por isso eu gostaria de trazer outra ideia, conforme sugeri no Congresso em São Paulo, em 11 de junho: a opção de desafios de vídeo para técnicos no caso de decisões duvidosas”.

Blatter abriu seu texto com um comentário sobre o sucesso da utilização da tecnologia de linha de gol na Copa do Mundo. “Será introduzida nas principais ligas cedo ou tarde”, escreveu. Depois abordou o spray de espuma que desaparece após o árbitro marcar o local das infrações e a distância da barreira, que será adotado nesta temporada na Inglaterra, França, Espanha e Itália. Na esteira das inovações, o cartola-mor se manifestou a favor do recurso de vídeo durante jogos.

“O medo de que essa inovação pode alterar o caráter do jogo não tem fundamento, desde que essa ajuda técnica seja tratada com cuidado e com restrições adequadas”, opinou Blatter. “Estou falando de até dois desafios por jogo por técnico, com o máximo de quatro por jogo”, explicou.

De acordo com o presidente da FIFA, os desafios só poderiam ser feitos quando o jogo estivesse paralisado por uma marcação da arbitragem, para não causar interrupções adicionais e não atrapalhar o fluxo da partida. Ele citou o exemplo das paradas técnicas para reidratação e descanso que aconteceram por causa do calor durante o Mundial do Brasil, sem impedir que o torneio fosse considerado “a melhor Copa do Mundo da história”.

Blatter parece ter se convencido da necessidade de evoluir. Suas posições estavam alinhadas com tolices sobre a proteção do “aspecto humano” do jogo ou, pior, com o argumento intelectualmente falso sobre o futebol ser igual em todas as partes do mundo, encanto que seria quebrado por recursos tecnológicos que não são financeiramente acessíveis a todos os campeonatos. “Eu mesmo rejeitei as ajudas tecnológicas no passado. Mas não há por que se apegar a posições ou princípios entrincheirados”, reconheceu.

O final do texto transmite a mensagem mais importante, do ponto de vista de quem deve estar preocupado com a imagem e a credibilidade do jogo. “Nosso objetivo tem de ser tornar o futebol mais transparente e digno de crédito, e auxiliar os árbitros em sua difícil tarefa”, concluiu Blatter, em frase que certamente será recebida com alívio por profissionais de arbitragem ao redor do mundo. Os homens de preto finalmente podem sonhar com o dia em que não serão mais os únicos bobos do futebol.

Claro que a opinião do presidente da FIFA não é uma garantia. Propostas como essa precisam da aprovação do International Board. Até quando os guardiões das regras do futebol se manterão contra a lisura do resultado de campo?

PARA TRÁS

Por aqui, o vício do retrocesso se mostra poderoso. Volta Dunga, volta mata-mata, volta lei do passe… As figuras que tomam decisões no futebol brasileiro são capazes de todo tipo de artimanhas para fugir das próprias responsabilidades e camuflar a péssima gestão que representam.

JOVEM

As duas primeiras atuações de Robinho pelo Santos, ainda aquém das melhores condições físicas, comprovam o que tantos se recusam a ver. É consideravelmente mais fácil jogar nas competições brasileiras, em comparação com os principais campeonatos da Europa. Além da distância técnica, o futebol no Brasil oferece um luxo que faz toda a diferença: o espaço. A generosidade local foi aliada até de quem retornou em clara curva descendente, o que não parece ser o caso de Robinho. O santista dá indícios de ser um desses jogadores para os quais a idade não importa.



  • RENATO77

    Muito bom! Pequenos indícios de boas novas no futebol.

    Quanto ao que voce chama de “atraso”….a volta de play off no brasileiro…aí não…menos…voce é só o dono do espaço, não da verdade absoluta.
    Todas as vezes que discutimos aqui, seriamente, o único argumento não contra argumentado foi o de que já existe a copa do brasil com mata mata. O que, convenhamos, é muito pouco.
    O X da questão é o gosto pessoal de cada um que acompanha e curte futebol. TODOS os demais argumentos a favor dos pontos corridos são rebatidos com tantos outros, apontando problemas sérios do atual sistema e outros a favor dos play offs. A não ser que a discussão passe para a desqualificação pessoal, o que as vezes vejo por aqui, infelizmente.
    Gostar desse atual modelo, sem problemas…mas daí a achar que ele não pode melhorado…
    A inclusão de jogos decisivos(mata mata) depois de uma fase por pontos corridos, não precisam ser entre os oito melhores como já aconteceu….pode ser entre 4 ou até dois….chamar de atraso entendo ser exagero.
    Manter a decisão do titulo do mais importante campeonato nacional das americas por talvez UM ponto…ou até por critérios de desempate é que corre o risco de ser injusto, um exagero de quem defende pontos corridos como uma religião.
    São disputados 114 pontos…voce pode entender que diferenças abaixo de 6 pontos(5% do total disputado) entre os primeiros colocados são absolutamente conclusivas sobre o mérito do campeão, o melhor time da competição. Que o sistema é perfeito. Eu não acho isso. Quando existem diferenças mínimas entre equipes, penso que deveria haver uma disputa entre elas para decidir o título.
    Propor que isso seja discutido, que seja previsto situações em que haja uma final entre equipes que tiveram desempenho muito aproximado, considero uma melhoria ao atual sistema, longe de ser um atraso.

    Abraço.

    • Carlo

      De pleno acordo. Play-off urgente. Os pontos corridos são chatos demais!

      • Eddie The Head

        O sistema de pontos corridos reparou,na minha opinião,uma enorme injustiça. Já vimos,não poucas vezes,um time ter uma campanha irrepreensível na fase classificatória e ser eliminado no primeiro mata-mata. Isso permite que o oitavo colocado,que nos atuais moldes nem pra Libertadores iria,chegar como postulante ao título na fase eliminatória,como aconteceu com o Santos em 2002,que se classificou na última rodada da fase classificatória e eliminou o São Paulo,time de melhor campanha na mesma fase. Isso é justo?

        Preferir mata mata aos pontos corridos é uma opção individual,que é compreensível. Mas vamos convir que o sistema de pontos corridos SEMPRE vai premiar o melhor time.

        • RENATO77

          Eddie, não defendi o modelo de mata mata entre oito equipes, defendi que exista uma regra para decisão quando o desempenho dos primeiros colocados seja aproximado. Poderia ser apenas entre os dois primeiros.
          Ver o campeão apenas com um ponto a mais do que o segundo colocado não me parece o modelo mais justo possível. Sobretudo com todo o contexto em que vive nosso futebol…seja “entregadas”, seja a influencia da janela de transferências e outros fatores que acabam por influenciar DIRETAMENTE na questão técnica do campeonato.
          O equilibrio deveria ser o ponto alto do modelo por pontos corridos, todos os clubes se enfrentando em igualdade de condições, o que não acontece aqui no Brasil.
          Tem o SFC sem Robinho, por 13 rodadas(1/3 da competição) e tem o SFC com Robinho, apenas um exemplo entre os diversos “desequilibrios” que acontecem no Brasil, que acabam por diminuir a “justiça” do modelo por pontos corridos.
          Abraço.

          • Eddie The Head

            Nobre,em relação as “entregadas”,acho que é o lado feio da rivalidade. Determinado time deveria,sempre,ser ou não campeão por seus méritos ou por falta dele. Achei lastimável ver o Flamengo campeão porque o Corinthians entregou o jogo para não ver o São Paulo campeão e o Grêmio entregou o jogo para não ver o Inter campeão. O Flamengo,o que tem com essa rivalidade? Absolutamente nada,mas caiu no seu colo o título brasileiro de 2009.

            Quanto a janela de transferência,o time que for melhor estruturado,que planejar melhor,que investir corretamente,que gerenciar melhor sua equipe,vai se beneficiar dela. E estrutura,planejamento e gerenciamento ganham campeonato,sim senhor.

            Não sou adepto da ideia de que “tudo o que vem de fora é bom”,mas temos que convir que o sistema de pontos corridos deu certo em todos os países onde foi implantado.

            Não lembro exatamente o ano,mas o são Paulo foi campeão brasileiro com,salvo engano,sete rodadas de antecedência. Na sua opinião,seria justo o São Paulo ser eliminado no mata mata depois de uma campanha tão expressiva?

            P.S: Não sou sãopaulino.

            • Alisson Sbrana

              Acompanhando a discussão de vocês aqui, não consigo entender os argumentos pró mata-matas e detrimento de um campeonato por pontos corridos. Aliás, pelo que percebi do primeiro texto do RENATO77, devo estar muito por fora de “de todas às vezes em que discutiram aqui”, porque não lembrei nenhum argumento de mata-mata que supere as virtudes dos pontos corridos.

              Também não entendo essa perseguição ao fato, a meu ver bem obvio, de que já existe um campeonato de mata-matas no Brasil. Talvez seja questão de semântica. Talvez, se trocarmos os nomes dos torneios isso aplaque os críticos aos pontos corridos? Ou deveríamos ter apenas uma única fórmula de campeonato?

              Os play-ofs americanos (que não considero nenhum modelo de futebol para se copiar, mas de organização de eventos apenas) funciona muito bem com o basquete.
              Imagina uma melhor de 7 com o corinthians do Tite e o São Paulo do Murici? Deus nos livre disso. (ok, esse é um argumento muito pessoal, pois tem gente que gosta daquele tipo de futebol… e critico o estilo de jogo, não os ótimos times campeões merecidamente dos campeonatos disputados).

              Outra coisa, alguém mencionou o fator Robinho no meu time, como se isso fosse um problema do “tipo” de campeonato… Primeiro que ele entrou nos dois campeonatos. Segundo, me desculpe, é um argumento tão ridículo esse, que não cita o calendário brasileiro, que só serve para (concordando com o AK) mascarar as incompetências de quem administra nosso futebol.

              • RENATO77

                Vou tentar resumir minha posição sobre pontos corridos, sistema que reconheço sim muitas qualidades, mas que pode e deveria ser melhorado.
                Fico com reais dúvidas quanto à “justiça” ao ver um campeão com desempenho tão próximo do segundo colocado. Ou pior, ver um dia um título de campeonato brasileiro ser decidido pelo numero de vitorias, ou saldo de gols.
                Pra citar um ano que meu time foi campeão…em 2011, o SCCP foi campeão com apenas 2 pontos acima do segundo colocado, o Vasco. Aproveitamento de 62%, apenas 2% acima…
                Em casos como esse, eu gostaria muito de ver uma decisão entre os dois clubes.
                Em casos como o de 2006, onde o SPFC teve 8% acima do segundo colocado, evidente que não.

                Alisson, já discutimos muito a questão do sistema. E, quando os que preferem campeonato com finais(meu caso) se manifestam, os argumentos prós e contras se equivalem. Principalmente com aspectos que SÓ acontecem aqui no Brasil, na Europa o sistema sofre menos questionamentos por não haver tantos fatores “externos” que acabam por ter influência técnica na competição.
                Mas o básico é questionar se, diferenças mínimas de desempenho são o suficiente para determinar “o melhor” duma competição e o porque isso não poderia ser confirmado em dois jogos.
                Sinceramente, a discussão é longa….rsrsrs…
                Abraço.

                • Eddie The Head

                  Gostaria de deixar bem clara minha opinião a respeito da fórmula do campeonato,independente do que digam ou possam acha: O sistema de pontos corridos geralmente premia o time mais regular. Digo geralmente porque temos como exemplo o Flamengo de 2009,que jamais seria campeão não fossem as vitórias que lhe foram entregues. Não tiro o mérito do time,mas seria impossível o time ser campeão não fossem as “entregadas”.

                  Em um mata mata o time se prepara para enfrentar aquele adversário especificamente,e aí a diferença técnica pode não ser o diferencial. Vimos,por exemplo,um dos melhores times do mundo,a Alemanha,sofrer para superar a limitadíssima seleção argelina na Copa,simplesmente porque os argelinos entenderam que eram inferiores tecnicamente e decidiram se fechar e jogar por uma bola. Seria justo,dada a diferença técnica entre as equipes,a Argélia eliminar a Alemanha? O mata mata elimina a diferença técnica,permite que um time medíocre elimine um gigante mundial. Pode ser emocionante,mas não é justo nem coerente.

                  Não creio que exista uma fórmula mais coerente e justa que o sistema de pontos corridos. Pode não ser emocionante,não ter final e diferenciar times pelo seu capital de investimento e estrutura. Mas é o mais sensato. Seja por um ponto ou por seis pontos.

                  Abraço a todos,e realmente a discussão é bastante longa.

        • Carlo

          Eddie,
          Isso e’ de fácil conserto. Se dá a vagas para a Libertadores conforme a classificação da temporada. Se separa uma vaga para o campeão caso diferente. Pós-temporada nos moldes das ligas Americanas. Emocionante, dramatico e rentável.
          Abraços,

  • manoel

    Otimo texto!
    A tecnologia tem que vir e ajudar mesmo.

  • Emerson Cruz

    Infelizmente, apesar do discurso, creio que a ajuda do replay para auxiliar a arbitragem no futebol ainda vai demorar muito para virar realidade.

  • lm_rj

    Andre, Poucas vezes vi um bairrismo tão descarado no futebol brasileiro. O técnico argentino chega, só indica contratacao de argentinos e o clube vai na onda e traz os caras… agora, os resultados nao estao surgindo ficando o clube brasileiro absolutamente refem dos gringos e do tec gringo…
    Como ja ouvi dizerem por aqui pelo rj:morrendo e aprendendo
    outra bizarrice deste projeto portenho palmeirense é que ao ocupar posições estratégicas da equipe (meio/ataque) com gringos o clube de alguma forma está abrindo mao de revelar talento no futebol brasileiro, e consequentemente à seleção.
    Qualquer semelhança com a premier league inglesa não será coincidência: clubes nacionais cheios de gringos, seleção inglesa medíocre.
    FUI

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