COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MAIS E MENOS

1 – Os movimentos iniciais foram todos do Santos, com um homem a menos no meio de campo mas, aparentemente, com um homem a mais em campo. Uma, duas, três ocasiões de gol, reflexos da projeção de Arouca e da postura agressiva de quem está em casa.

2 – É incorreto dizer que os times que esperam e saem não têm proposta de jogo. Mas quando só executam metade do plano, cabe perguntar o que pretendem. Durante todo o primeiro tempo, o Corinthians apenas esperou e especulou. O Santos jogou sem risco e sem a preocupação de ver seus erros punidos pelo adversário.

3 – Se Petros fosse expulso por um encontrão proposital no árbitro Raphael Claus, não teria sido um exagero do apitador. Atitude negligente do meia corintiano, prato cheio para os salivantes auditores do tribunal.

4 – Um clássico recordista em tempo de bola parada, por causa da sequência de faltas e da disposição dos jogadores em se horrorizar com qualquer coisa. Pedir cartão ao árbitro se tornou uma função, tal qual marcar o lateral oponente. Os empecilhos desnecessários à arbitragem e os danos ao jogo são evidentes, o que deveria ser motivo de mobilização dos atletas por um produto mais agradável. Eles não parecem preocupados com essa questão.

5 – A reação de tristeza de Alison, ao ver o segundo cartão amarelo por falta por trás em Elias, é perfeitamente crível. O lance não deixou a impressão de ter sido intencional. Mas não foi uma jogada fácil para o árbitro e Alison, já advertido, poderia ter sido mais cuidadoso.

6 – Apesar de inferioridade numérica, Oswaldo de Oliveira não mexeu em seu time para o segundo tempo. Disse aos repórteres que queria “esperar para ver como o Corinthians vem”. Para a surpresa do técnico santista, o Corinthians não foi.

7 – O Santos, sim, foi. Com Robinho e com a coragem que deveria ser item obrigatório para todos os times que se prezam. No cômputo das oportunidades criadas até a metade da etapa final, o Santos faz mais com menos.

8 – Quando o Corinthians finalmente despertou e gerou perigo (uma jogada só, porém: Ferrugem para Elias e defesa de Aranha) ofereceu o contra-ataque a uma equipe que deveria estar controlada em seu campo e resignada com o empate. O que diz muito sobre as atuações de ambos.

9 – O futebol é um jogo de imposição de ideias. Mesmo entre times nivelados, espera-se que o desequilíbrio numérico seja determinante para o que se vê em campo. Quando não é assim, ou algo extraordinário se passou ou o time que tinha onze jogadores falhou.

10 – Boa reentrada de Robinho. Ele será capaz de fazer diferença no futebol brasileiro, como outros jogadores talentosos repatriados da Europa. O desnível técnico e de repertório é gritante.

11 – O gol de Gil, após cobrança de escanteio, encaminhou um resultado excelente pelo adversário, o local do jogo e o impacto na tabela. Mas não coroou uma atuação que permita ao Corinthians dizer que encontrou sua melhor postura como visitante. Tanto pelo que o Santos produziu com um a menos, quanto o que o Corinthians deveria ter produzido com um a mais.

VÁRZEA

Gandulas atrapalharam a arbitragem e o jogo durante o Gre-Nal. Estádio de Copa, clássico da maior importância e essa bobagem típica de futebol de quinto mundo. A organizadora do campeonato não vê?

SEM TELA

Interessantes declarações de Leonardo ao jornal “O Globo”. O fato de um dirigente como ele, que trabalha na Europa há tanto tempo, dizer que o Campeonato Brasileiro praticamente não existe por lá deveria erguer algumas sobrancelhas. Especialmente as de quem é contra os avanços propostos em termos de calendário, com efeito direto na qualidade do futebol que se pratica no Brasil. Os clubes seriam os maiores beneficiados com a comercialização internacional do campeonato. O debate é apropriado no momento em que a CBF divulga a programação de competições para 2015, sem levar em conta as observações do Bom Senso Futebol Clube.



  • João

    Não tem mais notinhas pós rodada?

  • José Henrique

    Gostei demais do último parágrafo. Leonardo disse o fundamental e a mesma coisa no programa Bem Amigos. Praticamente criticou a todos os agentes que vivem do futebol no Brasil. Disse que não promovem os clubes brasileiros, e nem os valorizam.
    Acho que muita gente vestiu a carapuça. O negócio por aqui, é impedir evolução dos clubes.
    Mano então, foi cirúrgico.

    • RENATO77

      No pequeno debate entre MM e Caio Ribeiro, deu pena do Caio.

  • José Henrique

    Alvo de cusparadas, Mano reclama da Vila: “Pior lugar para trabalhar”.
    Assim não dá mesmo!

  • Rafael Travassos

    Foi um dos piores jogos que já vi na minha vida: irritante, parado, picado… O árbitro, péssimo, deu seis cartões no primeiro tempo. Qual a razão de tanta punição?
    Os jogadores, ridículos, amarrando o jogo, caindo, fazendo falta e caindo e caindo…
    O Corinthians covarde com um a mais, como assim? É muito medo de perder.

  • pwagnerbr

    O futebol brasileiro está medíocre. Do tamanho da CBF, dos dirigentes dos clubes brasileiros e do STJD. Não poderia ser diferente…

  • Juliano

    O Santos merecia melhor sorte. Perdeu MAIS UMA tomando gol de cabeça na área pequena. É uma contante. Troca o treinador, trocam os zagueiros e goleiro, e a fragilidade nessas jogadas continua. Parece que não, mas a direção técnica deveria ter este tipo de estatística no escalte.

    Ferrugem mudou o jogo. Quebrou a espinha de Alan Santos em sequência de dribles, assistiu Elias para boa defesa de Aranha. Mais tarde ele mesmo fez Aranha trabalhar, foi ele quem conseguiu o escanteio que culminou no gol da vitória. Fez diferença no placar do jogo.

    Petros é o tipo do jogador que considero marginal. Bateu o jogo inteiro, intimidou o lateral Zé Carlos que tem idade juvenil, gritou, deu de dedo, bateu, bateu. Sobrou até pro juiz. Não há justificativa. O gesto dele foi deliberado, não há defesa. E diria o mesmo se houvesse um jogador com o mesmo perfil e atitudes no Santos ou em qualquer outro adversário. Ah, mas alguém me chamará de “anti”, é inevitável. Tudo em defesa do seu jogador. Ele não fez nada! É bom moço! Assim como dar calote na união é bonito, desde que seja para os meus pares.

    Antes de Ferrugem mudar o jogo, o árbitro mudou. Estou com Juca e não abro com relação à expulsão de Alison. Ainda, mesmo com Alison expulso, se Petros recebesse o vermelho, o jogo voltaria a ficar igual. O apitador foi fundamental no panorama desigual em que o jogo se tornou no segundo tempo.

    O empate seria justo pelo pouco futebol apresentado. De resto, assino embaixo, excelente como costume.

    Abraço!

  • Emerson Cruz

    As declarações pertinentes do Leonardo e os episódios envolvendo gandulas que atrapalham o jogo, são alguns elementos que ajudam a explicar o item “10” na coluna sobre o jogo da Vila Belmiro.

  • José Henrique

    Essa nota do lance, explica muita coisa, como estão matando os clubes de futebol aos poucos.
    Em qualquer empresa, demite-se, no futebol não pode.:

    “– No fim de 2012, fizemos uma projeção de gastos considerando anos sucessivos de aumento de receitas, mas esses problemas aconteceram e não há como sair cortando o elenco, fica mais caro do que manter o jogador – explicou o dirigente à De Prima.

    Fonseca ressaltou que, segundo a Lei Pelé, se o clube rescindir o contrato do jogador, o atleta tem o direito de receber o valor total do contrato. E como o clube está sem caixa, seria mais sábio do ponto de vista financeiro manter os atletas.

    – Se o clube rescinde o contrato sem ter como pagar, isso vai parar no tribunal e o valor pode mais do que dobrar – disse o VP de Finanças.
    Em casos especiais, o clube conseguiu economizar gastos com salários sem pagar a rescisão, como na saída de Seedorf e Felipe Gabriel.”

  • Alexandre

    Não concordo que o Petros tenha sido negligente, porque negligência pressupõe falta de intenção, e claramente ele agrediu o árbitro deliberadamente, houve dolo, e, pior, o fez pelas costas, de forma covarde. Portanto, se há um tipo de situação em que a atuação do tribunal esportivo é não somente desejável, mas obrigatória é essa.

  • RENATO77

    Precisa análise. Se houvesse “justiça”, o SFC é que deveria ter saído com 3 pontos mais na tabela.
    Robinho tem potencial para levar o Santos até a libertadores 2015, seja pelo campeonato brasileiro ou pela CB.
    Incrível a falta de visão do MM ao escalar Guilherme Andrade…parece até que não viu a partida medíocre que o jogador fez na quarta feira anterior, em Salvador. Sob a mesma analise, fica difícil entender porque Ferrugem era a terceira opção dele.
    Petros tem direito a defesa, explicar o que a imagem não mostra. Será difícil não pegar uns cinco ou seis jogos. A tese de que ele muda de direção para receber a bola de volta do Guerreiro pode manter a pena em algumas partidas…se não o gancho será grande.
    Sigo aguardando o SCCP jogar mais futebol.
    Abraço.

  • lm_rj

    Andre, aqui no rj só se fala nisso: medo de goleada p o meu Tricolor carioca? ou o FLU vai ganhar de WO desse time falido ? http://www.fogaonet.com/noticia-em-destaque/radio-revoltados-jogadores-podem-pedir-para-nao-enfrentar-o-fluminense/

  • É inacreditável que a diretoria do Santos não faça nada, para que, ano após ano, os treinadores adversários tomem cusparadas na Vila Belmiro.

    Nem CBF, nem o STJD que adora meter o bedelho vão fazer algo contra este absurdo ?

    Cuspir nos outros é nojento, digno de irracioanais !

  • Rafael

    Também achei que a entrevista do Leonardo foi interessantíssima. Alias acho que ele tem uma qualificação profissional única no Brasil. Ex jogador de ponta, preparo intelectual alto, conhecimento profundo do futebol europeu e Brasileiro e a experiência de executivo. Me parece uma escolha obvia para liderar alguma coisa por aqui. Claro que ele não entraria nessa canoa furada, já que por enquanto nada acontece.

    Me chamou atenção quando disse que o mais importante e’ o fortalecimento dos clubes. Penso da mesma forma. Enquanto não forem criadas condições mercadologicas para que os clubes possam ser rentáveis, executivo serio nenhum assumiria um clube. Ficam apenas os abnegados ou os oportunistas.

    A (quase) fonte de renda hoje e’ a televisão e sócio torcedor. Ganham um troquinho com bilheteria e patrocínio. E só. Nem mais com jogadores ganham. A lei Pelé do jeito que está incentiva o negocio dos empresários, e já que ha muito mais oportunistas que abnegados, os clubes estão de quatro. Ha clubes grandes que não tem participação em direitos federativos de quase ninguém na base.

    Para mim, (1)há que haver reforma na Lei Pelé, (2)criação de uma liga Independente com novo calendário, (3)negociação com a TV em conjunto, pelo Presidente da Liga, (4) responsabilização criminal por ações de dirigentes mesmo após mandato.

    Se isso tudo acontece, no prazo de 10 anos, estaremos vendo um belo futebol, jogadores indo para a Europa só por muito dinheiro. Talvez muitos vindo pra ca. Técnicos melhores, seleção Brasileira melhor. Clubes vendendo camisa, adesivo, bandeirinhas de montão.

    Perdão pelo longo comentário. Fui escrevendo e quando vi estava enorme.
    Grande abraço

  • lm_rj

    Andre, uma bizarrice deste projeto portenho palmeirense é que ao ocupar posições estratégicas da equipe (meio/ataque) com gringos o clube de alguma forma está abrindo mao de revelar talento ao futebol brasileiro, e consequentemente à seleção.
    Se a moda pega p outras equipes o futuro da seleção que já parece negro, será tenebroso.
    Qualquer semelhança com a premier leitura inglesa não será coincidência: clubes nacionais cheios de gringos, seleção inglesa medíocre.

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