COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

NO AGUARDO

Mauro Silva ainda não se pronunciou publicamente para explicar se, e como, conciliará sua atuação nos negócios do futebol com a função de auxiliar de Dunga na Seleção Brasileira. Na última sexta-feira, o ex-jogador, campeão do mundo em 1994, limitou-se a dizer ao portal R7 – responsável pela divulgação da notícia – que falaria sobre o tema quando pudesse. Enquanto isso, gostaria de ser respeitado.

Respeito é algo que se conquista e, ao longo de sua carreira no futebol, Mauro Silva o fez. Compenetrado no exercício de seu papel nos clubes por onde passou, articulado no momento de expor suas opiniões sobre diversos assuntos, o parceiro de Dunga no meio de campo da Seleção do Tetra construiu uma trajetória profissional impecável. Nem a decisão de não viajar à Colômbia para disputar a Copa América em 2001, por causa do ambiente de insegurança no país, constitui uma mancha em seu currículo, por motivos evidentes. Mauro Silva liderou por exemplo nos times em que jogou, um patamar de status que só se alcança com retidão.

É exatamente em nome desse patrimônio que se aguarda um posicionamento transparente a respeito do conflito ético que se configurou após o convite da CBF. Mauro Silva é proprietário de uma empresa que, entre outras atividades, presta assessoria em negociações de jogadores de futebol. Intermediação na venda de direitos, como está escrito no site da empresa. A atuação é incompatível com o trabalho na comissão técnica da Seleção Brasileira, mesmo que a colaboração dele esteja restrita aos dois amistosos que acontecerão em Setembro. A julgar pela forma como sempre se conduziu, Mauro Silva certamente sabe disso.

É normalíssimo, por óbvio, que ex-jogadores iniciem o pós-carreira ligados ao futebol. Há os que não se incomodam com a rotina e vislumbram ser treinadores, os que buscam a qualificação para se tornar executivos, os que procuram o campo da análise e se dedicam aos comentários, e os que optam por investir nos relacionamentos estabelecidos para representar atletas. A profissão de agente é legítima como as outras mencionadas aqui. A questão é que ela limita a área de atuação de quem a escolhe, por implicações éticas. Agentes não podem ser técnicos, comentaristas ou dirigentes. E vice-versa.

Mauro Silva merece não só o respeito que pede, mas também o benefício da dúvida enquanto não se manifesta. Chamado a trabalhar temporariamente com um treinador que recebeu mais de 400 mil reais na negociação de um jogador em 2004, cujo superior direto é um coordenador que atuava como agente até semanas atrás, Silva pode ter sido levado a crer que não haveria qualquer problema em aceitar a oferta da Seleção.

Mas há. Não houvesse, Gilmar Rinaldi não faria questão de anunciar que deixou sua carteira de representação de jogadores, e Dunga não se esforçaria para explicar que a comissão que recebeu se deveu “apenas” à aproximação dos dois lados de um negócio. Mauro Silva não precisa seguir um desses caminhos tortuosos. Basta dizer que não pode trabalhar como auxiliar técnico da Seleção Brasileira.

LADOS

As faixas de apoio à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que circularam pelos gramados brasileiros no fim de semana, induzem a uma confusão que precisa ser esclarecida. São mensagens dos clubes, determinadas por seus dirigentes. Há um importante contingente de jogadores que é contrário à aprovação da lei com o texto atual. O exemplo do Coritiba é claro: a faixa foi carregada por funcionários do clube, porque os jogadores têm posição diferente. Dirigentes de um lado, atletas de outro. Qual será o escolhido pelo governo brasileiro?

TAPAS

Mais de 109 mil pessoas foram ver o amistoso entre Manchester United e Real Madrid, no sábado, no estádio da Universidade de Michigan. A média de público na liga de futebol dos Estados Unidos, a MLS, é superior à do Campeonato Brasileiro. Até quando vamos aceitar tapas na cara?



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