COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PROCESSO DE SELEÇÃO

A oportunidade foi perdida. Seja qual for o nome apresentado amanhã pela CBF, a chance de iniciar o projeto de recuperação da Seleção Brasileira foi desperdiçada pelas pessoas que se consideram suas proprietárias. Não teremos nada a agradecer aos alemães pela exposição de nosso colossal atraso, pois continuamos a tomar decisões como se soubéssemos o que estamos fazendo.

O Brasil foi varrido da Copa do Mundo em seu próprio quintal no dia 8 de julho. O novo técnico será anunciado menos de duas semanas depois. É muito pouco tempo para fazer uma escolha de tamanha importância, que pede avaliação criteriosa das opções e elaboração minuciosa do que se pretende alcançar, quando, e como. Negligenciar as etapas obrigatórias de um processo de decisão bem informado é próprio de amadores, para usar um termo polido. Irresponsáveis, em português mais claro.

A eleição do próximo treinador da Seleção Brasileira deveria ser a conclusão de uma pesquisa feita com todo o capricho e nenhuma pressa. O momento era propício e os recursos estão à disposição. A CBF tinha o dever de reunir um grupo de ex-jogadores (três, para que houvesse votação em questões duvidosas) que estivessem antenados com o que se faz de mais moderno no futebol pelo mundo e determinar a eles o comando da operação.

Este grupo teria o tempo que considerasse necessário para fazer uma lista de candidatos, dentro e fora do Brasil. Os nomes escolhidos seriam consultados a respeito do interesse e disponibilidade para assumir o cargo. Aos que quisessem participar do processo, um plano de trabalho seria encomendado e uma entrevista agendada para que os treinadores apresentassem de que forma pretendem conduzir a Seleção Brasileira ao futebol de hoje. Enquanto isso, sem pressão, Gallo assumiria o time como interino.

Os candidatos seriam avaliados com base em critérios objetivos: filosofia de jogo, sistema, variações táticas, equipe de trabalho, aproveitamento e desenvolvimento de jogadores da base, métodos de treinamento, normas disciplinares, relacionamento com clubes e com a imprensa (porque é necessário representar a Seleção de maneira adequada). Aos estrangeiros, o nível de conhecimento do futebol brasileiro seria medido e levado em conta.

Aspectos subjetivos como “ele é linha-dura” ou “vai recuperar nossa auto-estima” e conceitos rudimentares como “precisamos privilegiar o coletivo para que o talento individual faça a diferença” não seriam abordados pois, afinal, estamos tratando do futuro técnico da Seleção Brasileira de futebol. E porque é exatamente esse patamar de primitivismo que proporcionou a fatídica tarde em que, por clemência do adversário, o Brasil não levou dez gols em uma semifinal de Copa do Mundo.

Ao final dos encontros e das deliberações, o melhor plano seria escolhido e um contrato oferecido ao técnico que possuísse as habilidades para executá-lo. E só aí uma entrevista coletiva seria marcada para apresentá-lo. É o tratamento que a Seleção Brasileira – e quem se importa com ela – merecia, negado pelo anacronismo de seus donos.

ARROTO

Um equívoco grave foi cometido na quinta-feira passada, no instante em que Gilmar Rinaldi declarou que não se pensava em técnico estrangeiro na Seleção. Em apenas uma resposta, os principais treinadores de futebol do mundo foram retirados do cenário. Isso não é trabalhar pelos melhores interesses da Seleção Brasileira. E é um triste sinal da soberba que reina na CBF.

SOBREVIVENTES

Não há técnicos de futebol no Brasil, mas técnicos de resultados. A culpa não é apenas deles, pois o calendário e o ambiente em que trabalham só lhes permitem sobreviver a cada rodada. Os técnicos brasileiros não treinam times, só preparam jogos. Também não desenvolvem jogadores, só os utilizam e os recuperam. Aí está uma das interseções entre a Seleção e o futebol no país. A Seleção Brasileira precisa de um técnico de futebol. Dunga, favorito aparente, está muito longe dessa qualificação.



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