CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SILÊNCIO. MENOTTI FALANDO.

Abaixo, a tradução de quatro parágrafos da coluna escrita por César Luis Menotti para o diário argentino “Página/12” (o texto está aqui, na íntegra). É uma aula:

“Para o futebol alemão, é uma honra ter conseguido este título, porque é o produto de uma ideia que foi desenvolvida com o tempo. Uma ideia que se fez forte em sua concepção e suas convicções, apesar de não ter ido bem em algumas instâncias anteriores, porque o futebol é um jogo e às vezes não ganha o melhor.”

“Mas a Alemanha é uma equipe muito generosa em seu jogo, uma equipe que baseia seu potencial na manutenção da bola. A posse não é uma estratégia, mas o lugar desde onde se geram situações na zona de definição. A Alemanha entende o futebol como um compromisso com seu público, com o cenário, com o espetáculo, com a bola como base cultural de seus movimentos, e isso é o que é preciso destacar. Algo que tínhamos nós, os sul-americanos. Isto é algo que eles seguramente estão herdando, daquele Brasil de 70, daqueles futebolistas argentinos que passearam pelo mundo com qualidade, técnica e manejo da bola. Tudo isso está neste novo cenário para o futebol alemão.”

“(…) quero dizer umas palavras sobre o que aconteceu com a seleção brasileira. Eu venho insistindo há muitos anos que o Brasil estava ‘desculturizando’ seu jogo. No dia em que o Brasil não encontrou os resultados que sua grande equipe merecia, como aconteceu em 82 e 86, começou a jogar para outra coisa. Me dói muito, porque o futebol brasileiro nos deleitou historicamente com seus grandes jogadores.”

“Felizmente, a equipe alemã campeã do mundo deixou profundos e sérios ensinamentos para o mundo do futebol. Não é verdade que somente ganham os que defendem ou os que lutam ou os que goleiam. Cada um joga como quer, mas também são campeões do mundo os que sabem jogar muito bem o futebol como equipe.”

Nada a acrescentar. Apenas a agradecer.

SOFÁ

É um equívoco tratar a escolha do próximo técnico da Seleção Brasileira como a solução para o problema simbolizado pelo “epitáfio do Mineirão”. Independentemente do nome e do passaporte do novo treinador, ou do novo coordenador técnico, nada mudará enquanto a Seleção for apenas uma máquina de fazer dinheiro para a CBF. Simulação de eficiência, nada mais.

AGENDA

O comando da CBF deveria investir tempo e dinheiro – ambos abundantemente disponíveis – na elaboração de um plano de recuperação do futebol no Brasil. A edição de ontem deste diário levantou pontos importantes a serem considerados. Há gente técnica com preparo, conhecimento e disposição para ajudar. Os dinossauros sabem quem são essas pessoas.



MaisRecentes

Vencedores



Continue Lendo

Etiquetas



Continue Lendo

Chefia



Continue Lendo