COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

GOLtze

1 – O pré-jogo indicava o encontro de um exército de arquitetos com a orquestra desafinada de um solista extraordinário. O futebol associado, em que se ataca e defende como um corpo único, contra o jogo de compactação na defesa e ilusão no ataque.

2 – O plano alemão: controlar, envolver, superar. O argentino: suportar, surpreender, machucar. Ter a bola na maior parte do tempo é arriscado e exige excelência técnica. Não tê-la é perigoso e demanda concentração permanente. Em ambas as propostas, uma falha pode significar o fim.

3 – Kroos, jogador fabuloso pelo vício de tomar decisões corretas, nega a própria natureza e oferece a Higuaín o instante da imortalização. O chute é defeituoso, a bola sai pela linha de fundo, marcada pelo tipo de ocasião que não costuma aparecer duas vezes.

4 – Messi flutua pelo gramado, alheio ao que se passa quando a bola é alemã. Ele tem licença para se comportar assim porque se chama Messi e porque é capaz de criar problemas a cada vez que é acionado. E é exatamente o que ele faz na final da Copa do Mundo, motivo pelo qual um país inteiro assiste e crê.

5 – Um cabeceio na trave de Howedes mostra como jogos assim vivem no limite. Um gol não apenas mexe no placar como altera totalmente o comportamento de quem se defende. O zero a zero é a manutenção das posturas e da dinâmica.

6 – Messi lançado na área, encontro com o destino. O cérebro do gênio ordena o pé esquerdo a procurar a rede lateral do canto oposto, como já vimos um milhão de vezes. Os mesmos centímetros que costumam ser aliados decidem tratá-lo com ironia. A sensação é de ter visto um pedaço da história que não foi escrito.

7 – É incalculável o impacto da ausência de Dí Maria no momento do jogo em que a Argentina precisa se soltar. Messi pede por um parceiro que não está em campo.

8 – Os alemães, como se sabe, são diferentes. Parece que o empate os incomoda e o passar do tempo os aflige, mas eles operam de outra maneira. Podem perder, mas não negociam suas convicções. Continuam controlando, criando e correndo riscos. O que mantém a decisão interessante e aberta até os minutos finais.

9 – Prorrogação na final (pela terceira Copa seguida). Tensão prolongada para duas nações. Mais trinta minutos de futebol para o resto de nós. E ainda assim será pouco.

10 – Haveria um palácio à espera de Rodrigo em todas as cidades argentinas. Mas ele falha diante de Neuer.

11 – A FIFA autoriza a arbitragem a abolir o cartão vermelho, sob o insustentável argumento de não interferir em decisões. Método que faz pior, ao estabelecer um ambiente em que a violência é tolerada e quem quer jogar é punido. A Argentina bate como lhe convém.

12 – Gotze! Vinte e dois anos e um golaço na final da Copa, no Maracanã. Talvez um dia, quando voltar a sentir o chão sob seus pés, ele consiga compreender o que fez.

13 – Venceu a melhor seleção do mundo. A que mais jogou e mais aproveitou esta Copa. É ótimo quando o futebol é justo, quando o trabalho mais competente prevalece, quando uma ideia de jogo produz um título.

PASSAR É PRECISO

A vitória da Alemanha também é a vitória do passe, o fundamento-pai do futebol. Este jogo foi feito para ser jogado de alguma forma, e os alemães decidiram jogá-lo por intermédio da rápida circulação da bola e da elaboração. Todos os homens de meio de campo constroem. Há aí uma clara mensagem para os que pretendem ganhar sem jogar. Especialmente os que o fazem por opção.

CICLO ENCERRADO

A Seleção Brasileira ganhou apenas três jogos na Copa do Mundo. Um deles, a estreia, com decisiva influência da arbitragem. Outro contra o bizarro time de Camarões, já desclassificado. E outro contra a Colômbia, em que, apesar da postura competitiva no primeiro tempo, mostrou mais brutalidade do que futebol e sofreu muito para conservar o resultado. Em sete jogos, o time que se orgulhava de sua defesa sofreu quatorze gols. Não há qualquer argumento aceitável para a manutenção da comissão técnica.

 



  • JOSÉ LUIZ

    E nem esse bando de cabeças de bagre que só pensam em ganhar dinheiro.

  • Matheus Brito

    Boa tarde,

    Em nome da grande consideração que tenho por você como um dos melhores, vou me abster de falar sobre a “Família Felipão”. Então vou passar pela última parte do texto.

    Sobre à Final, que texto, que jogo, que jogadores espetaculares. Com exceção da parte em que a Argentina cansou e não conseguia mais antecipar as jogadas, batendo muito devido a isso, não faltou luta, garra e principalmente, bom futebol.
    Tony Kross, Apesar da falha que poderia valer o título, impressiona um fato que não deveria impressionar: Ele não erra passe. Sejam passes curtos, viradas de jogo. Que JOGADOR. Nessa final ele não jogou, ele desfilou técnica em campo. Aqui no Brasil esse tipo de jogador exige liberdade total para não correr atrás de ninguém. Um exemplo aos pseudo meias de plantão.
    Hummels, Será que vale o mesmo que a dupla Brasileira? Não que sejam ruins, mas ele é diferente. Seria fácil o capitão do time.
    Schweinsteiger, Um monstro, seja com a bola no pé, seja na marcação, seja na vontade.

    Poderia falar de outros jogadores, mas quis falar desses três pra exemplificar o tão falado futebol moderno. Não guardam posição. Jogam em várias partes do campo, marcam, obedecem o esquema por entender que cada peça faz parte de uma engrenagem perfeita.

    Não foi a copa do Messi, como dificilmente haverá uma copa dele. Uma pena pelo que ele representa para o mundo do futebol. Mas ainda assim, um monstro do futebol mundial, vomitando ou não.

    A melhor seleção do mundo venceu a equipe do melhor jogador do mundo.

    Interessante, na copa dos gols, os dois melhores jogos que assisti tiveram 240 minutos, apenas um gol e um roteiro parecido até no desfecho, onde o melhor venceu. Costa Rica x Holanda e Alemanha e argentina. São jogos que vou levar pra vida toda.

  • José Henrique

    André. Mano confirmou tudo que você observou:
    “”Nós dominamos pior, passamos pior e as pessoas confundem malabarismo com a bola com habilidade para jogar futebol. Isso é outra coisa. Hoje a gente vê que o futebol europeu faz tudo melhor que a gente. Ainda temos o drible, a capacidade individual pura do jogador, mas não estamos sabendo desenvolver como antes e por isso estamos ficando para trás”

  • Joao CWB

    Caro André, de que adianta mudar comissão técnica, trazer o Guardiola ou Mourinho se a mentalidade de quem manda no Futebol é a mesma?

    Continua-se na CBF a filosofia dos clubes em mudar o técnico apenas para apagar o incêndio e ver se a sensação de mudança motiva os jogadores e torcida.

    Um Guardiola ao ver a zona que é a CBF, o nosso futebol e como ele é tratado por aqui, nem vem. A não ser que tivesse carta branca para revolucionar tudo o que achávamos que sabíamos acerca do esporte bretão.

    Com essas múmias retrógradas no comando, esqueça.

    Abraço

    AK: Mudar o técnico não solucionará o problema principal. Mas essa comissão técnica não merecia continuar. Um abraço.

  • André, seu texto é magnífico, especialmente quando no tópico “Passar é preciso” você diz: “todos os homens do meio de campo constroem” referindo-se à campeã mundial, conhecida por Alemanha. Foi ali, exatamente neste ponto que nossa seleção “não existiu”. Construção de jogadas. Era bola da zaga para o ataque. Tínhamos uma seleçao recheada de “volantes”, mas totalmente sem direção.
    Parabéns pelo talento na escrita. Colocar os pensamentos no papel de forma clara para todos não é fácil.
    Abraço.

  • Bento

    Olá André,

    No meu dia dia, verifico a imensa dificuldade que os empresários, pequenos na sua maioria, tem que aceitar e/ou entender a necessidade de se adequar às novas tecnologias e avanços no seu ramo. O trabalho árduo para esta conscientização tem resultados a médio e longo prazo de maneira animadora. No caso de nosso futebol o desconhecimento destes benefícios também não é um obstáculo para uma mudança de mentalidade. O que você acha?

  • José Henrique

    Ronaldo, apenas por participar (emprestar sua imagem) ao COL, em prol de uma copa no Brasil, foi acusado com os maiores absurdos desqualificaríeis e ofensivos, que eu tenho convicção apenas por ter sido do Corinthians, eu espero agora o que a claque moralista vai dizer de um agente de jogador, São Paulino, ter sido nomeado, (remunerado, coisa que Ronaldo nunca foi) pela Cbf como Diretor da seleção nacional.
    Marin, se superou. Só falta chamar o Muruci, o Juvenal Juvencio, e o advogado Aidar, convocar o time do S.paulo como base da seleção.
    Isso que é reformulação.

    • José Henrique

      Acrescentando. E hoje ainda lemos que um vice da Cbf disse que a primeira opção era Leonardo.
      Aquele, que vendeu Lucas por míseros 100 milhões, e foi demitido do Psg.

  • Qualquer profisonal em qualquer área tem obrigação da atualização, isso é lei mental para um bom trabalho.FELIPÃO com a sua arrogância não fez e ainda por cima tem atado seu irmão que não tem nenhum curriculo nas quatro linhas e chama outra pereba PARREIRA foi treinador de varios paises nas COPAS é fracassou. ÊTA TRIO PORRETA. Sentia calafrios ao vê-los nos jogos do BRASIL. Qualquer jogador na Europa soltava um PUM, FELIBROA convocava. Tinhamos um time de RETALHOS. Via-se em campo. Tática era um fracasso, não mudava a estratégia, trocava jogador. ÊTA ÊRRO. Voçe foi feliz em apontar os êrros.
    ACORDAR BRASIL, então na eliminatoria vamos ser eliminado para próxima COPA.
    NEYMAR querer ser o dono da BOLA.
    Escutei um comentário nas BARCAS: BRASIL ERA UMA EQUIPE COM VÁRIOS CRAQUES, HOJE SÓ UM, ASSIM MESMO DESLUMBRADO. OUTROS PAISES TINHA EQUIPE ARMADA SEM CRAQUES, MAS JOGAVA COLETIVAMENTE. FUTEBOL MODERNO.
    Ontem clubes do Rio perderam: Flamengo,Fluminense e Botafogo. Simples; Jogam futebol ultrapassado. Os tecnicos pedem novos jogadores, a ficha pra eles não caiu. É TRISTE vê isso.
    Chega. Ví a Hungria jogar, tês passos chutavam ao gol. preparo físico. Voltavam e se fechavam na defesa. BRASI: Jogo FLU X BOTA- de um lado PAULO AMARAL comandava a máquina do FLU e de outro lado ZAGALO o BOTAFOGO com GARRINCHA, DIDI, só craques.
    era um tabulheiro de xadrez. Em casa após o jogo lembrava cada jogada armada pelos técnicos. BELEZA PURA. BRASIL DO FELIPÃO, limpava a Mente para não lembrar. HORRÍVEL
    HORRIVEL.

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