GOLtze



(o texto abaixo encerrou as edições de ontem e hoje do SportsCenter, da ESPN Brasil)

Há algo marcante sobre estar presente a uma final de Copa do Mundo: a impressão de que o resto do planeta simplesmente não existe.

Tudo se resume àquele estádio, àquele gramado, e o que se vê, se ouve, se sente.

É o que nos relembra por que amamos este jogo e não somos capazes de abandoná-lo nem quando ele nos maltrata.

A maravilha do futebol não está na vitória ou na celebração. O que nos conecta e nos aprisiona é a sensação quase palpável de que estamos vivos.

Não existe nada tão poderoso.

O eterno Maracanã nos ofereceu mais uma tarde de vida. O encontro de um divertido exército de arquitetos com uma orquestra ruidosa a serviço de um solista magnífico.

A inflexível organização alemã foi prejudicada por imprevistos. Os europeus tiveram de recorrer ao improviso que serviu bem aos argentinos, menos organizados e alimentados pelo instinto e pela ilusão que tem o nome de Messi.

Ele teve seu encontro com o destino dentro da área, quando o pé esquerdo procurou a rede lateral, como já vimos um milhão de vezes.

Os centímetros que costumam ser seus aliados decidiram tratá-lo com sarcasmo. E o gênio sentiu o mesmo que nós: um pedaço da história que se apagou antes de ser escrito.

Um pensamento que vai persegui-lo, pois jogos como esse não terminam nunca. Mas Messi não será o único.

A Argentina esteve dolorosamente próxima de um paraíso improvável.

Um lugar que estava reservado a um garoto levado ao campo para ser o escolhido. Para experimentar um segundo que vale uma existência. Para ser imortal aos vinte e dois anos.

Talvez um dia, quando conseguir sentir o chão sob seus pés, Mario Gotze compreenda o que fez. Talvez ele seja capaz de se recordar do que saboreou em uma fração de tempo que não dura quase nada, mas significa tudo.

E Gotze se lembrará que no dia em que esteve no centro do mundo, quando nenhum outro lugar existia e nada mais importava, ele se sentiu vivo.

Mario Gotze viverá para sempre.



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