COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PERNAS

A revelação de que Neymar não sentia as pernas após ser atingido por Zúñiga – o inimigo número 1 da nação, pior do que os políticos corruptos e os engenheiros de viadutos que caem – nos relembra o aspecto mais sério, e menos comentado, da lesão do jovem craque.

Entre todos os acidentes que podem acontecer a um jogador de futebol durante uma partida, e aqui estamos falando de ocorrências que encerram carreiras, é difícil encontrar algo mais assustador do que não perceber os membros. E mesmo que Neymar estivesse impressionado pela dor ou por suas próprias emoções, não há como subestimar o drama que ele passou.

Também não há como deixar de contemplar o que poderia ter acontecido, por menos provável que fosse. O que nos obriga a entreter o pensamento, positivo, de que Neymar está e estará bem. Essa é a conclusão que encolhe os impactos de sua ausência momentânea na Seleção Brasileira, na Copa do Mundo, nos dois próximos jogos.

Impactos que não são tímidos, é óbvio. Desde há muito tempo se sabe que Neymar poderia ser a diferença entre conquistar e perder esta Copa em casa, algo que saberemos até o próximo domingo. Ou descobriremos que o time que depende tanto de Neymar é capaz de ser campeão do mundo com ou sem ele. Esse é o trabalho que se apresenta a Scolari e aos jogadores. Um trabalho certamente mais complexo do que era até Zúñiga abalroar o camisa 10 pelas costas.

Não se trata de encontrar o Amarildo de 2014, referência ao substituto de Pelé na Copa de 1962. Seja quem for o jogador que ocupará o lugar de Neymar, ele não terá a necessidade – porque não tem a capacidade – de atuar como um genérico do produto original. Seria uma cobrança injusta e inútil. A obrigação de cada um é contribuir com o melhor de suas habilidades.

Tampouco estamos diante de um fato imprevisível e com potencial de comoção para transformar o caráter da Seleção Brasileira e produzir um novo comportamento. De novo, Neymar está e estará bem. Por mais que se tente criar um ambiente de “renascimento”, este time não precisa de um motivo extra para se unir, superar problemas internos e vencer. Seus defeitos não passam por essas questões.

O que pode ser um fator, que talvez nem precise ser dito, é o sentimento do próprio time de mostrar que sabe ganhar sem o jogador que o mundo vê como seu único diferencial. O desejo de provar que a opinião alheia está equivocada, de alcançar o que se dizia inatingível, tem sido utilizado como catapulta desde que os esportes existem. E é um combustível real, palpável, diferentemente da intenção de oferecer um desempenho superior a alguém que não estará em campo.

Nenhum time pode ser considerado favorito contra a Seleção Brasileira, em um jogo de Copa do Mundo no Brasil. O conjunto das circunstâncias simplesmente não concebe tal hipótese. Mas não é exagero dizer que a Alemanha carrega uma dose a mais de responsabilidade para o encontro de amanhã. O Brasil não tem jogado bem e não terá seu astro. Uma posição um pouco mais confortável para os jogadores brasileiros, que precisam fazer o que Neymar, por alguns terríveis instantes, não pôde: sentir as próprias pernas.

NO MARACANÃ…

Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda nas semifinais. Confrontos à altura de uma Copa memorável, que será decidida por um jogaço independentemente de quem chegue à final. Mas uma das possibilidades fala mais alto. Você sabe qual.

MAGISTRAL

Tem sido diariamente interessante cobrir a Holanda neste Mundial, por causa de Louis Van Gaal. O controverso treinador já tirou diversas cartas da manga na caminhada holandesa até as semifinais. Todas funcionaram. As decisões de Van Gaal têm interferido no destino dos jogos de seu time, sempre no sentido favorável. A substituição do goleiro titular pelo reserva, para a decisão por pênaltis contra a Costa Rica, foi apenas o último movimento de um técnico que não tem medo de falhar. É evidente que o resultado foi decisivo para o julgamento de uma escolha surpreendente como essa, mas Van Gaal não está preocupado com isso.



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