DIAS 21 a 24 – SALVADOR, RIO e SP



Uma pausa no cotidiano da Holanda para algumas linhas sobre o jogo de amanhã, no Mineirão.

Nem o mais otimista dos pensamentos seria capaz de convencer alguém de que a ausência de Neymar melhora a Seleção Brasileira.

E se por algum motivo incompreensível o time pudesse ser melhor sem Neymar, ele jamais seria melhor sem Neymar e também sem Thiago Silva.

De modo que não há por que ignorar os fatos: a montanha a ser conquistada nesta terça-feira ficou mais alta, mais traiçoeira, mais perigosa.

Mas o futebol não seria o que é se os fins fossem explicados pelos meios. Se fosse uma pessoa, este jogo seria alguém que quanto mais fala, menos revela. Quanto mais mostra, mais esconde. Seria aquela pessoa que, mesmo ao nos olhar nos olhos, transmite a sensação de estar em outro lugar.

Cada jogo de futebol é uma folha em branco.

E enquanto a perda de Neymar (e de Thiago) impõe dificuldades que dramatizam a semifinal contra a Alemanha, o fato de não ter Neymar (e Thiago) não precisa, necessariamente, significar que o jogo já foi perdido antes de ser jogado.

Mesmo com o Brasil completo, a comparação jogador por jogador é favorável à Alemanha. A análise dos desempenhos dos dois times até agora, também. Mas este será um jogo especial pelo que representa, pelo local onde acontecerá e pelo ambiente que será criado.

Tudo leva a crer que o público no Mineirão se comportará de maneira diferente do que vimos nos jogos do Brasil nesta Copa, incluindo a partida contra o Chile, no mesmo estádio.

No lugar de “estamos aqui com vocês, agora corram e vençam”, a torcida adotará um comportamento mais parecido com “estamos aqui com vocês, agora vamos, juntos, dar um calor nesses alemães”.

Mais parceria e solidariedade, menos exigência e cobrança.

Porque é evidente que os desfalques colocaram a Seleção Brasileira em uma posição de aparente inferioridade, como o herói dos filmes que, ferido e desarmado, encontra o vilão em um galpão abandonado com um lança-mísseis apontado para ele.

Assim como acontece nos cinemas, a plateia no Mineirão já escolheu seu lado.

Será uma atmosfera nova para a Alemanha, que nos últimos anos mostrou certos bloqueios nas fases mais agudas de torneios importantes. Sem falar no acréscimo de responsabilidade ao enfrentar um Brasil desfalcado de seus dois jogadores mais significativos.

Encontros de camisas de grandeza similar tendem a se equilibrar e nivelar virtudes e defeitos de cada lado. A Seleção Brasileira, prejudicada pelos jogadores que não terá, pode se fortalecer exatamente por não tê-los.



  • José Guilherme Botelho

    “Cada jogo de futebol é uma folha em branco”. Só essa bela frase resumiria o excelente texto. Oxalá passe o Brasil, André!

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