DIAS 19 e 20 – RIO



Estive com Ruud Gullit há dois dias, para uma entrevista para a ESPN. A conversa – ao vivo, durante o pré-jogo de Argentina x Suíça – foi rápida, mas interessante principalmente por causa de uma resposta do ex-jogador holandês sobre o time de Louis Van Gaal.

Mencionei a discussão em curso na Holanda sobre a forma de jogar da seleção que veio ao Brasil e perguntei a Gullit de que lado ele estava. Com os que preferem o “velho” 4-3-3 e o futebol vistoso ou com os que querem apenas ver a Holanda ganhar, seja como for?

Gullit respondeu que estava no meio do caminho, porque a opção pelo futebol bonito “não ganhou nada para a Holanda até hoje”. Ele acrescentou que Van Gaal adaptou o time às características dos jogadores que possui e apoiou a maneira de jogar proposta pelo técnico. Van Gaal chama seu sistema de “reaction football”, um rótulo atraente para qualificar um time que espera e sai. Para os partidários do jogo de posse que a Holanda ficou conhecida por praticar, o que se vê nesta Copa é um passaporte falso.

O ex-cabeludo tem autoridade para opinar sobre o assunto. Além de ter jogado no fabuloso Milan do final dos anos 80, que venceu e encantou sob o comando de Arrigo Sacchi, Gullit fez parte do único time que conquistou algo para o futebol holandês: a seleção que foi à Euro de 1988, na Alemanha. Aquela Holanda era comandada por ninguém menos que Rinus Michels, um sacerdote do futebol coletivo. Gullit afirma que os holandeses só venceram o torneio porque quiseram ganhar jogos em vez de dar exibições.

“O melhor jogo que fizemos foi a estreia, e perdemos (para a URSS, derrota devolvida na final)”, conta. Ele credita a conquista às mudanças feitas na maneira de jogar após a primeira partida. Na mesma resposta, Gullit deu sua opinião sobre o que aconteceu no jogo contra o México, domingo passado, quando a Holanda, alterada por Van Gaal para um 4-3-3 ultra-ofensivo, conseguiu a virada no final.

Foram vinte minutos de pressão sobre os mexicanos, com jogadores trocando de posição e o time instalado no campo de ataque. No dia seguinte, Johan Cruijff escreveu em sua coluna que aquela parte do encontro foi o que ele mais gostou de ver na Copa. Gullit, no entanto, entende que foi algo circunstancial. “Foi um grande erro do técnico mexicano, que tirou seus atacantes e recuou seu time. A Holanda não tinha outra coisa para fazer além de atacar”, disse.

Independentemente de preferências e opiniões sobre a seleção de Van Gaal, é necessário observar a maneira como ele utiliza o elenco e o quão treinado seu time está. A frase de Van Persie (“ele não precisava dizer nada, vimos Depay entrar e já mudamos para o 4-3-3”) é um bom resumo. Dezenove dos vinte jogadores holandeses de linha já participaram da Copa, seja por lesão, alterações de sistema e formações específicas para cada adversário. Reservas saíram do banco e marcaram gols em três das quatro partidas: contra Austrália, Chile e México.

Apesar da ausência de De Jong e do histórico da Costa Rica contra europeus neste Mundial (ganhou um grupo com Itália e Inglaterra e eliminou a Grécia), a seleção holandesa é favorita para jogar a semifinal em São Paulo.



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