DIAS 14 a 18 – RIO e FORTALEZA



Houve um momento do jogo de ontem no Castelão (maravilhoso estádio, por dentro e por fora) em que a temperatura alcançou os 39 graus. Fora do campo, o sol determinou a ocupação das cadeiras, forçando muita gente a abandonar o lugar e buscar abrigo na sombra. Publiquei uma foto no twitter que mostra que só havia cadeiras desocupadas onde batia sol. Reportagens em diversos sites registraram pessoas vendo o jogo pelos monitores de televisão nos corredores do estádio. No gramado quase em chamas, jogadores holandeses e mexicanos tiveram de disputar – literalmente até os últimos minutos – uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo.

Um jogo de futebol nessas condições é um desrespeito e um desperdício. É mais uma vitória dos negócios sobre o jogo, situação frequente em copas. Motivos mais do que conhecidos, ligados ao horário favorável para a transmissão dos jogos no mercado europeu, a exposição dos patrocinadores, quem paga a conta, etc. O que não suaviza a violência aos jogadores e, por consequência, a desvalorização do evento do ponto de vista técnico.

A FIFA instituiu a parada para hidratação e descanso nos jogos realizados sob calor extremo. Quando a temperatura ultrapassar os 32 graus celsius, os árbitros devem interromper o jogo por três minutos, aos 30 de cada tempo. Em partidas em que a temperatura for inferior, a parada fica a critério do apitador. O jogo de ontem nos mostrou que os três minutos também têm outra utilidade.

Louis Van Gaal utilizou a oportunidade como tempo técnico. Conversou com os jogadores e alterou o sistema holandês. Ele já tinha substituído o lateral-direito por um atacante e retornado o time ao 4-3-3, com Kuyt trocando de lado na linha de defensores. Após a parada, Huntelaar entrou no lugar de Van Persie e a pressão aumentou.

É possível que os mexicanos tenham entrado muito cedo em modo de proteção da vantagem (o gol de Giovani dos Santos foi marcado aos 3 minutos do segundo tempo), mas o time só foi encaixotado em seu campo depois da paralisação. A Holanda marcou duas vezes em seis minutos – o primeiro gol, aos 43 – e escapou da eliminação. Conversei com Vlaar e Van Persie após o jogo, e ambos disseram que a mudança para uma variação treinada e conhecida pelos jogadores foi determinante. A parada para amenizar os efeitos do calor também tem valor técnico.

Um comentário sobre Robben e sua justificada fama de mergulhador. Toda vez que um jogador dado a encenações tem um pênalti marcado a seu favor, a tendência é olhar para o teatro e não para o lance. Procura-se – sempre pela imagem da televisão, claro – uma relação entre o toque e o movimento do atacante, como se fosse possível determinar se uma coisa é consequência da outra. Mas enquanto pênaltis legítimos deixarem de ser marcados por falhas da arbitragem, jogadores continuarão fazendo o possível para convencer árbitros a apitar.

E se a imagem da TV serve para rotular um mergulhador e verificar aplicações de leis da Física, deveriam também ser usadas para que árbitros auxiliares determinem se foi pênalti ou não. Eles não acertarão em 100% das vezes, mas ao menos terão chances muito, mas muito maiores de marcar corretamente um lance que pode decidir jogos.

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Escrevo sobre os problemas da Seleção Brasileira no Lance! de hoje. O texto estará aqui amanhã.



  • joao

    pelo visto midia brasileira não ve a extrema violencia que esta sendo empregada pela seleção holandeza e francesa para se classificar , nas copas anteriores africanos eram acusados de violencia ,e hoje eles são as vitimas, a jogada do jogador frances na perna do jogador nigeriano, arbitragens piores que estas nunca vistas ridiculo ,midia brasileira so sabe fazer criticas ao futebol brasileiro, se esquecem de realmente dar enfase as atitudes de outros selecionados.

  • André, a torcida mexicana com certeza é a que mais sofreu pela forma como ocorreu a eliminação, com o time vencendo até poucos minutos do fim. Mas valeu a campanha do México, grandes jogos fizeram.
    Agora, a história dos pênaltis é uma faca de dois gumes. Juízes não marcam pênaltis legítimos em razão dos “simuladores”, e jogadores “com raiva” continuam simulando para compensar pênaltis legítimos. Tem vezes que o jogador cai pela força da dividida, sem intenção de cavar pênalti, e o juiz dá “amarelo”. O bom senso tem que imperar, de todos os lados. Agora, existem lances difíceis, que cada vez que olhamos o replay, parece que foi diferente.

  • Juliano

    A respeito do horário dos jogos, não dá mesmo pra entender a FIFA. Dos 4 jogos que Curitiba sediou, apenas 1 foi às 13h, e dos 5 jogos de Porto Alegre, apenas 2 foram às 13h. O que quero dizer é que no Sul, onde o inverno realmente existe, e então não haveria grande problema em jogar às 13h, os jogos foram predominantemente no segundo horário, onde o sol já se pôs e é frio pra todo mundo. Vai entender…

    AK (ou quem souber), tenho uma pergunta que me intriga: Brasil classificou em 1°, Chile em 2°, em teoria o mando era do Brasil, mas quem teve de usar o uniforme “alternativo” (calções brancos e camisas amarelas é a combinação mais horrível possível) foi a seleção brasileira. Situação idêntica ocorreu com a Colômbia diante do Uruguai. Não deveria ser o contrário (Chile e Uruguai usando versões ‘alternativas’ de calção)? E como será Brasil x Colômbia, quem tem a preferência?

    Abraço!

  • José Henrique

    Cansamos de ver matérias depreciativas sobre a Copa no Brasil, principalmente na mídia inglesa.
    Oportuno e gratificante ver uma matéria como a seguinte, de um especialista francês em esportes e relações internacionais.
    http://g1.globo.com/mundo/blog/brasil-visto-de-fora/post/especialista-diz-que-copa-no-brasil-e-melhor-organizada-que-jogos-de-londres.html

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