COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MAIS COPA

“Liguilla”. Este é o termo usado no futebol da América espanhola para se referir a um campeonato dentro de outro, normalmente um torneio decisivo apenas entre os times mais bem classificados. Pois podemos dizer que esta Copa do Mundo tem sua “liguilla” sul-americana, com quatro times do continente disputando uma vaga nas semifinais.

Brasil, Chile, Colômbia e Uruguai estão do lado esquerdo da chave, posicionados de tal forma que restará apenas um quando conhecermos os quatro melhores times do Mundial. O que temos chamado de “Copa da América do Sul” pode terminar com uma final sem nenhuma seleção da região, o que nos obrigaria a rever a impressão de vantagem para quem é “local”. E esta não é a única ilusão de ótica que a fase de grupos criou.

O bloco europeu perdeu representantes e apontou para o clima. É fato que camisas tradicionais, campeãs, não estão mais por aqui. Mas as vagas da Europa são tantas que se perde a noção do estrago que ainda pode ser feito. Há seis seleções do Velho Mundo classificadas para as oitavas de final, exatamente o mesmo número de quatro anos atrás, na África do Sul, quando as temperaturas eram “favoráveis”. Em 2010, os times europeus se dizimaram em três confrontos (Espanha-Portugal, Holanda-Eslováquia e Alemanha-Inglaterra) e ainda fizeram os três primeiros colocados. No Brasil, não haverá nenhum encontro entre eles nas oitavas, ou seja, os seis podem estar vivos quando sobrarem oito.

Dos cinco campeões mundiais ainda em pé, quatro estão em rota de colisão no caminho para o Maracanã. Entre Brasil, Uruguai, França e Alemanha, só uma seleção jogará pelo título. O que significa que há um campeão – adivinhe qual – do outro lado da chave, ciente de que só verá um membro do clube na final. A Copa do Mundo não costuma permitir que se olhe adiante, mas a Argentina parece bem posicionada para um reencontro com os milhares de compatriotas que ocuparam a praia de Copacabana. Impossível calcular o significado dessa ocasião tanto para os que torcem quanto para os que jogam.

Neste caso, Lionel Messi teria de passar primeiro por São Paulo, para uma semifinal potencialmente sensacional contra a Holanda, cujo adversário deste domingo – México – talvez seja mais problemático do que o que viria a seguir, Grécia ou Costa Rica. Podemos ter Brasil x Uruguai sessenta e quatro anos depois, e França x Alemanha no Maracanã, o que seria um espetáculo memorável. Cenários de uma Copa que promete ainda mais, dentro do campo, do que já entregou.

Mas não é demais pedir que a epidemia de futebol de ataque permaneça forte, quem sabe com a adesão da Seleção Brasileira. Que os técnicos substituam por ousadia a cautela que surge em níveis elevados em jogos eliminatórios. Que os gramados suportem o que ainda está por vir, pois é o que mais importa e o que produzirá os momentos e as imagens de que lembraremos. Que Messi, Neymar, Muller e Robben sigam colecionando gols. Que as seleções menos cotadas continuem sonhando. E que a Copa dentro dos estádios continue encantadora.

TRÊS TOQUES

MORDIDOS

Se o episódio com Luis Suárez tiver corrompido o ambiente da seleção, no sentido de acreditar que existe uma conspiração internacional para prejudicar o país, as chances do Uruguai contra a Colômbia diminuirão muito. As informações que saem da concentração, porém, uruguaia indicam o contrário.

EXEMPLO?

Curiosa a inspiração da Seleção Brasileira no Atlético de Madrid. A essência do time comandado por Diego Simeone, fonte dos elogios feitos ao longo da última temporada europeia, é extrair muito de pouco.

PERIGO

O Chile atacará o Brasil? É o que o Brasil quer. O Chile saberá esperar e criar os problemas que esse tipo de postura tem causado à Seleção Brasileira? É o que veremos logo mais. Quando se diz que o jogo de hoje é perigoso, é porque o adversário tem capacidade para derrotar o Brasil. É a primeira vez que isso acontece nesta Copa.



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