CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

FASE ORAL

Mesmo excluindo a reação esquizofrênica de setores da mídia inglesa, que parecem não resistir a um desejo de vingança que está longe de ser seu papel, o episódio Suárez-Chiellini é, por desgraça, o grande fato desta Copa. E não por se tratar de uma agressão durante um jogo decisivo, com todas as interpretações e repercussões que essas situações geram. Mas pelo tipo de violência envolvido.

Estamos acostumados a ver jogadores se assaltando em campo. Chutes, tapas, socos, cotoveladas, cabeçadas, até cusparadas – que não ferem, mas enojam e insultam – são parte integrante de um esporte de contato, que é feito de intimidação e imposição física tanto quanto de dribles e gols.

Mas mordidas? Mordidas, não. Consideramos o uso dos dentes para atacar alguém um ato incivilizado, selvagem. Crianças são ensinadas, bem cedo na vida, a não morder outras crianças. Animais domésticos, programados de outra maneira pela natureza, são penalizados quando perdem o controle.

Se Suárez tivesse agredido Chiellini de forma “convencional”, com consequências até mais graves do que uma dentada pode causar, o choque e o clamor por punição seriam mais brandos. E se não fosse a terceira vez, claro, a defesa do atacante uruguaio teria maiores chances de sucesso.

Além de um colossal jogador de futebol, Luis Suárez é um ser humano de quem seus próximos só falam bem. Mas não é necessário ter formação específica para perceber que há temas nos quais ele precisa de auxílio profissional. Os mecanismos que o levam a esse tipo de comportamento não serão desligados sem o devido tratamento.

Isso é muito mais importante do que o tamanho da suspensão que lhe será aplicada, ou o impacto de sua ausência – obviamente grave – para a seleção uruguaia. Aqueles que estão a seu lado deveriam utilizar, no sentido de ajudá-lo, a mesma energia que gastam para defendê-lo. Pois voltará a acontecer.

PRINCÍPIOS

Os japoneses, dentro e fora do campo, protagonizaram as cenas mais significativas da fase de grupos da Copa. Primeiro, os torcedores que não deixaram a Arena das Dunas antes de retirar todo o lixo que produziram durante o empate com a Grécia. Depois, os jogadores, ao fazer reverência aos compatriotas que presenciaram a derrota para a Colômbia. Bravo.

SORRISO

Enquanto se prepara para o jogo contra o México, no domingo em Fortaleza, a seleção holandesa contempla o que o futuro reserva. Se passar pelos mexicanos, a Holanda disputará uma vaga nas semifinais com o vencedor de Costa Rica x Grécia. Van Gaal e os jogadores jamais admitirão, mas este é um cenário estimulante para os atuais vice-campeões do mundo.



  • Olá André

    Agora que está acompanhando a Holanda de perto, gostaria de saber se eles superaram aquele velho e inexplicável problema de relacionamento entre os brancos e negros do elenco.

    Abraço

    AK: Difícil afirmar sem conhecer o ambiente por dentro. Mas não há nenhum sinal desse tipo de problema. Um abraço.

    • José Henrique

      Acho problema superado. O contraste nas cores de Van Gaal e Kluivert parece que explica.

  • Daniel
  • thiago

    Muito boa sua análise da situação do Suarez. Só acho que cuspe se enquadra de forma semelhante na interpretação de selvageria, pelo menos para mim. E o Suarez me lembra o Edmundo.

    • Fabio

      Concordo Thiago, para mim o cuspe está junto com a mordida do outro lado da fronteira da regra não escrita do que pode e não pode acontecer entre jogadores. Ainda que como bem observou o Andre, pontapés e cotoveladas possam causar mais estragos são mais aceitos que as “ofensas morais”

  • Fabricio Carvalho

    Olá André, muito boa a coluna, como sempre. Suarez recebeu uma punição exagerada (até concordo com os 9 jogos, mas expulsão de concentração e 4 meses sem poder pisar num estádio foi muito vil, ainda mais partindo de uma entidade cheia de sujeira, como a FIFA). À parte isso, só resta ao Suarez o tratamento psicológico ou psiquiátrico.

    Quanto ao Japão, eu, como descendente de japonês, só tenho a lamentar que uma das mais talentosas seleções japonesas de todos os tempos fracassou num grupo “jogável”…Não sei se o Kagawa estava no melhor de sua forma física, mas o senti muito acanhado nos jogos. No primeiro jogo perdeu um jogo pra Costa do Marfim de virada por duas bobeiras seguidas. No segundo jogo o Japão ficou inocentemente cruzando bolas altas na área para consagrar a Grécia, mesmo esta desfalcada por um jogador expulso na maior parte do tempo. E no terceiro jogo não conseguiu ganhar do time misto da Colômbia…

    Quanto às atitudes da torcida e dos jogadores do Japão não há nenhuma surpresa. Tomara que copiemos alguns desses costumes que tanto sentimos falta em outros lugares.

  • Ricardo

    O que achou da punição? Achei absurda! E não compreendo como colocam uma “mordida”, que não tem maiores consequências, num patamar de maior gravidade do que uma cotovelada no rosto, ou um carrinho nos joelhos, que pode acabar com a carreira de alguém. Abs.

  • Wes

    Muito bom artigo. As pessoas querem transformar o Suarez em vitima quando ele é o único responsável por seus atos. Se ele não houvesse mordido, e por três vezes, não estariamos aqui falando do assunto. Quanto a FIFA não devemos desencorajar a punição contra agressões no esporte, nem no MMA mordidas são aceitas. Se a FIFA falhou em punir antes, que comece a punir com mais serveridade agora, e a todos. A severidade é resultado da reincidencia e a ira dos ingleses é porque ele tem sempre feito das suas jogadas sujas por lá, carrinhos por tras, racismo, puxão de cabelo, entre outras jogadas desleais, o Suarez nunca foi um santo e as punicões anteriores não tem surtido nenhum efeito, razão da severidade dessa, ele que já meteu a mão na bola em jogo da copa não poderia estar fazendo das suas outra vez aqui.

  • José Henrique

    Genial no post, o poder de síntese do título, que daria para escrever um compêndio sobre o caso.
    “Fase oral”. Parabéns pela sacada André.

  • joao

    pelo amor de deus tira o oscar este cara não merece nem ser gandula

  • joao

    pelo amor de deus tira o oscar este cara não merece nem ser gandula, o cara não joga nada

  • joao

    julio cezar jogador eterno jogador brasileiro

  • joao

    julio cezar jogador eterno jogador brasileiro, sintese do crak brasileiro

  • José Henrique

    Bom mesmo foi ver o “garganta” senhor Chinelo, ir embora pra casa, mesmo contando com um árbitro inglês, hostil ao Brasil por natureza, desde que ganhamos a sede.

  • Joao CWB

    Sobre o Suarez, eu estava comentando justamente isso com a minha esposa esses dias.

    Essas atitudes de morder os outros, para mim, é coisa mal resolvida na infância.

    Tem criança que fica nervosa e bate a cabeça na parede, arranca cabelo, morde os outros e se morde.

    Talvez esse seja o caso do uruguaio. Em momentos de tensão é assim que ele extravasa.

    Abraço

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