COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

FANÁTICOS

Os jogos em Brasília e em São Paulo definirão o cruzamento brasileiro nas oitavas de final, e a Seleção estará melhor servida se a combinação de resultados determinar um encontro com a Holanda no próximo fim de semana. Sim, Holanda. A freguesia do Chile em copas é um fato inegável, mas também é um fator motivacional que eleva a periculosidade de um choque com os vizinhos de continente. Já uma revanche de 2010 com os europeus teria efeito semelhante a favor do Brasil, ainda que o time holandês ostente mais nomes e mais status do que o chileno.

Entre tantas surpresas e novas narrativas que esta Copa nos tem proporcionado, uma previsão se mantém intacta: as seleções europeias estão sofrendo mais . Talvez seja a temperatura, a umidade, os deslocamentos. Talvez seja a falta de hábito de lidar com situações problemáticas que não se apresentam no futebol do velho mundo. Um ambiente que o técnico – alemão – da seleção americana, Juergen Klinsmann, definiu com perfeição: “Não será uma Copa do Mundo perfeita, será uma Copa extrema”, disse ele, antes do torneio começar.

Tão evidente quanto o sofrimento dos europeus – Holanda e França parecem imunes, por enquanto – é o desfrute dos sul-americanos. Novamente, podemos especular quanto aos motivos. É possível que o clima não os afete tanto, que respondam melhor às condições mencionadas por Klinsmann, enfim, que se comportem com mais naturalidade por estar em uma região próxima e conhecida. Nada no Brasil é estranho aos que habitam esta parte do mundo.

Acima de todos os aspectos, porém, está o que mais faz diferença em campo: o nível de futebol demonstrado. E aqui é necessário distanciar a atual seleção chilena do time que o Brasil se acostumou a derrotar sem maiores dificuldades. Pois tudo emana do trabalho de um técnico obcecado pelo jogo coletivo, pela pressão coordenada, pelo futebol de ataque. Aluno de Marcelo Bielsa, Jorge Sampaoli conseguiu superar seu mentor no comando do Chile, pois tem em mãos um grupo de jogadores mais amadurecido e disposto ao sacrifício. Bielsa mostrou a direção, Sampaoli deu prosseguimento à viagem.

Em sua entrevista coletiva, ontem na Arena Corinthians, Louis Van Gaal repetiu um termo que vem sendo usado com frequência para descrever o caráter da seleção chilena. “Eles pressionam como fanáticos”, disse o técnico holandês. A análise de um treinador sempre leva em conta as dificuldades do ofício, por isso a figura proposta por Van Gaal é ainda mais elogiosa. É o retrato de jogadores que trabalham com um raro sentido de unidade, como um clã. Estão fartos de serem vistos como intrusos em um território dominado por brasileiros e argentinos. Esta Copa lhes oferece a oportunidade suprema.

Fala-se muito em “algo mais” no futebol, como ponto de desequilíbrio. Em um confronto entre Brasil e Holanda, o que houve em 2010 pode mover a Seleção Brasileira adiante. Contra o Chile, os elementos estimulantes estão todos do outro lado. O perigo é maior.

CERTO

Louis Van Gaal criticou a FIFA pelo fato de a Holanda jogar mais cedo do que o Brasil. “Isto não é fair play”, disse. Ele tem toda a razão.

CLÁSSICO

Itália e Uruguai devem nos levar a mais um momento sublime, amanhã. Os italianos têm uma forte tendência ao drama e qualquer jogo que envolve os uruguaios é um épico em potencial. Como só um time permanecerá em pé, o cenário está pronto. O time de Prandelli pareceu exausto no calor de Pernambuco e terá um dia a menos de recuperação.

DEVENDO

“O anão esfregou a lâmpada no último minuto e ganhamos”. Fantástica frase de Romero, goleiro argentino, resumindo o que foi a vitória sobre o Irã. Messi salvou seu time de uma atuação sofrível e um empate preocupante no Mineirão. O impressionante contingente de torcedores que têm acompanhado a seleção argentina no Brasil ainda não viu uma boa atuação.



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