COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O BRASIL NA COPA DOS GOLS

A caminho do encerramento da fase de grupos, a Seleção Brasileira foi o time que apresentou o futebol mais conservador entre as principais camisas desta Copa. Os momentos vistosos nos jogos contra Croácia e México – mais no primeiro do que no segundo – estiveram diretamente ligados ao desempenho individual de Neymar e Oscar, contrastando com um rendimento opaco no aspecto coletivo.

Não há problema em jogar com mais ordem do que imaginação. É o expediente de equipes carentes de argumentos para se apresentar de outra maneira, único caminho para competir. Um dos mandamentos do futebol é extrair o máximo do material humano disponível, dilema para técnicos em todos os lugares do mundo, independentemente do nível de riqueza com o qual operam. O equilíbrio está em não pretender fazer mais do que se sabe e nem menos do que se pode.

A Seleção Brasileira sempre será analisada com base na fartura de que dispõe, seja qual for a safra. A atual, menos privilegiada do que as anteriores em quantidade de jogadores acima da média internacional, ainda assim tem qualidade suficiente para permitir que se jogue como se quer, não apenas como é possível. E aqui não estamos falando de “jogo bonito”, expressão saudosista utilizada fora do Brasil para se referir a um tipo de futebol que a Seleção não pratica há 32 anos, período no qual disputou oito copas e conquistou duas. Estamos falando, simplesmente, de jogo.

É certo que há motivos por trás das escolhas da comissão técnica, que elegeu um sistema baseado na minimização de riscos e na capacidade decisiva individual. Podemos encontrar um deles voltando vinte anos no tempo, até a Copa de 1994. Carlos Alberto Parreira costuma usar um argumento histórico para defender o pragmatismo que marcou a conquista da Seleção comandada por ele nos Estados Unidos: o Brasil não poderia perder aquela Copa, após vinte e quatro anos de frustrações em mundiais. Daí o time que buscava a solidez defensiva e apostava nos gols de Romário. Daí, também, o estilo exaltado pelos europeus e criticado pelos brasileiros que valorizam o “como” tanto quanto o “o que”.

Parreira integra o comando atual e obviamente tem voz na tomada de decisões junto com Luiz Felipe Scolari, treinador que sempre preferiu um futebol de defesa e transição. E a exemplo de 94, o Brasil não pode perder esta Copa. O encontro da situação com as convicções colaborou para produzir um time que queira ganhar sem, necessariamente, jogar. A questão passa pelo aproveitamento correto dos jogadores à disposição, discussão imposta pelas possibilidades de formação do meio de campo, setor que pode alterar o caráter do time e torná-lo menos previsível.

Considerando os aspectos favoráveis ao Brasil – teóricas sete decisões em casa, se a torcida fizer o papel dela – nesta Copa, e o que atua contra os visitantes, especialmente as seleções europeias, talvez seja viável conquistar o título com o jogo exibido até agora. É uma aposta conservadora, em um torneio marcado pelo futebol de ataque e pelo festival de gols.

AZUIS

Na Bahia de todos os gols, a França ofereceu um concerto de futebol coletivo na vitória sobre a Suíça. Compactação, movimentos coordenados e um assustador poderio ofensivo. Karim Benzema é provavelmente o melhor jogador da Copa até o momento, mesmo sem contar o golaço que a arbitragem lhe negou por pura falta de sensibilidade. Até os árbitros precisam amar o futebol.

ÓCULOS

Sem querer tomar um milímetro da atuação inesquecível do Uruguai contra a Inglaterra, é necessário observar a responsabilidade de Roy Hodgson na derrota. Não há como entender o vazio no meio de campo e os jogadores que poderiam ocupá-lo, no banco. Hodgson não identificou o bom time que o futebol inglês lhe deu.

SURPRESA

E a Costa Rica saiu do “grupo da morte”. Teríamos melhores chances de prever o futebol se pudéssemos entendê-lo ou soubéssemos explicá-lo. Aproveitá-lo é a melhor opção.



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