CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

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Na maior atuação de sua carreira, e na tarde em que fatalmente conseguiu um emprego, Guilhermo Ochoa fez apenas uma defesa.

Você o viu nos melhores momentos impedindo um gol de Paulinho, no que foi praticamente uma dividida. Você também viu o goleiro mexicano ser atingido pela bola, no caminho de um cabeceio de Thiago Silva. E ainda o viu desviar um chute de Neymar, intervenção de rotina neste nível de futebol.

Defesa que muda jogo, aquela que faz o atacante primeiro xingar o goleiro e depois cumprimentá-lo, Ochoa só fez uma: após o mortífero cabeceio de Neymar, no primeiro tempo do jogo entre Brasil e México.

O lance foi um recital surpreendente, tanto do lado brasileiro quanto do mexicano. Neymar, dez centímetros mais baixo do que Rafa Marques, subjugou seu marcador para testar a bola rumo ao canto direito. Ochoa voou e, em completa extensão, furtou o que seria o terceiro gol de Neymar na Copa.

Esta foi a defesa que Ochoa não deveria fazer, o instante em que ele alterou o placar do jogo por excesso de mérito. Neymar não poderia ter feito nada diferente. De dez jogadas exatamente iguais, a bola termina na rede em oito.

Ochoa tem todos os motivos para se orgulhar de sua tarde em Fortaleza. Mas o Brasil não pode elegê-lo como a razão primordial do zero a zero frustrante. A Seleção Brasileira, conservadora e sem imaginação, foi muito mais responsável pelo empate do que o goleiro mexicano.

Desligar o circuito Oscar-Neymar foi a chave para converter a Seleção em um time que martela, mas não envolve. Bernard não foi a solução, porque a alegria em suas pernas não reconecta as distâncias e nem os neurônios. Nos dias em que Oscar precisa de ajuda, ele não pede uma opção, mas um parceiro.

Preocupantes sinais no Castelão. A torcida mexicana ganhou o jogo fora do campo, e a Seleção Brasileira foi contida por um goleiro que fez uma defesa.

TRILHA

Talvez você se incomode com “… sou brasileirooo, com muito orgulhoooo…”, talvez você goste, questão de opinião. Mas além disso e do hino, o que há mais para cantar? Com público de Copa ou público comum, o repertório da “torcida brasileira” não chega à terceira faixa. Mesmo se houvesse disposição para cantar durante o jogo inteiro, como fazer?

FIM

A Espanha, campeã do mundo, se foi. Desta Copa e de seu posto de honra no futebol. No esporte, o declínio costuma ser repentino e é sempre feio. Ver a Espanha se arrastar na Fonte Nova e no Maracanã foi como assistir aos últimos filmes da carreira de um ator consagrado. Nada do que lhe fez famoso e adorado está ali, apenas o nome e um fantasma a persegui-lo.



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