DIA 6 – CURITIBA



A sensação em torno da seleção espanhola é de angústia existencial.

Além de gerar dúvidas, a goleada sofrida na estreia substituiu antigas qualidades por novos defeitos. E o jogo contra o Chile (Maracanã, quarta-feira) impõe não só a obrigação de vencer, mas a necessidade de marcar muitos gols, por causa do saldo no grupo.

Quando ouvimos os jogadores, só uma coisa é mais clara do que a urgência de reencontrar o caminho: o incômodo que acompanha essa urgência. Fala-se em jogo “de vida ou morte” e se aceita a possibilidade de alterar a forma de jogar, o que evidencia que esta é uma situação limítrofe para um grupo que ganhou tanto.

Um time que sempre se orgulhou por construir vitórias por intermédio de uma marca própria de futebol, hoje quer apenas vencer para se sentir vivo. Neste aspecto, duas grandes questões se apresentam:

1 – Essa é a decisão correta?

Os melhores treinadores – não só de futebol – costumam dizer que não há equívoco maior do que se afastar de convicções nos momentos de dificuldade. Os que passaram por isso garantem ter se arrependido e prometido que jamais repetiriam o erro. Nessas horas, é importante se apegar aos conceitos nos quais se acredita, o que não significa fazer tudo do mesmo jeito. A Espanha não se transformará em um time mais direto em quatro dias de trabalho, é evidente que Vicente Del Bosque sabe disso.

2 – O elenco permite uma mudança de estilo?

A Espanha trouxe ao Brasil dezesseis jogadores que conquistaram a Copa de 2010, um recorde. É uma aposta em um grupo e em uma maneira de entender e jogar futebol. É claro que há jogadores que podem contribuir de diferentes maneiras, mas a ideia de alterar o time dramaticamente não é viável. Pelo treino deste domingo (o de amanhã será fechado), foi impossível dizer se Del Bosque prepara substituições. Fala-se tanto em mudanças que será uma surpresa se o time titular na quarta-feira for o mesmo da estreia. Mas não espere uma equipe diferente em seu caráter, não há jogadores para isso.

O que mais surpreendeu na derrota para a Holanda foi a circulação da bola. Lenta, reticente, receosa. Esse é o pai de todos os fundamentos para um time que joga como nenhum outro. É pouco provável que seja uma questão técnica. Como Xabi Alonso disse hoje, pode ser uma questão de concentração. Assim como a letargia defensiva que permitiu algo raro: rivais atuando com liberdade às costas de Alonso e Busquets.

Se este grupo está saciado e consequentemente refratário ao esforço que o conduziu ao auge, não há o que Del Bosque possa fazer para resolver o problema.

A resposta será conhecida no Maracanã.



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