DIAS 2 e 3 – CURITIBA E SALVADOR



Este texto deveria estar aqui há bastante tempo. O prazo era ontem. Mas em solidariedade aos estádios desta Copa que ainda não estão prontos, queira desculpar o atraso.

Escrevo enquanto voamos para Salvador, onde a Espanha estreia na sexta-feira, 13, contra a Holanda. Os aviões são amigos de jornalistas de várias formas. Permitem que colunas sejam escritas, que blogs recuperem seu ritmo, que horas de sono sejam repostas. A Copa ainda não me impediu de dormir, portanto aqui estamos.

Falemos de Diego Costa.

O atacante hispano brasileiro teve ontem uma amostra de como será tratado nos estádios do país. No treino aberto que a Espanha fez no CT do Caju, cerca de mil pessoas lotaram a arquibancada de um dos campos e produziram um ambiente amistoso na maior parte do tempo.

Talvez você tenha lido, ou visto, que Costa foi alvejado por gritos de “traíra” durante o treino. Aconteceu em dois momentos que não representaram a postura do público. Na verdade, tiveram o efeito contrário: as tentativas de fazer o “Diêêêgo Traííííra” pegar saíram de pequenos grupos e não ganharam adeptos.

A julgar pelo que se viu ontem, Costa não será perseguido – desde que não enfrente o Brasil, parece claro – por torcedores magoados por sua escolha. Mas é preciso esperar os jogos para saber.

O treino com público em Curitiba foi muito mal organizado e quase desvirtuou o propósito desse tipo de iniciativa. A ideia é aproximar os jogadores estrangeiros das pessoas que vivem nas cidades em que eles estão hospedados. Informações conflitantes sobre o acesso do público foram divulgadas pelo COL, por autoridades locais e pela assessoria de imprensa da Federação Espanhola. Ingressos haviam sido distribuídos com antecedência, mas o treino não seria restrito a quem tinha o convite. Ao final, muita gente ficou para fora e poderia ter havido tumulto.

Voltando a Diego Costa, ele foi protagonista de uma situação pouco usual em sua entrevista coletiva. As declarações dos jogadores da seleção espanhola têm sido traduzidas para o português. Não é bem isso que tem acontecido de fato. Na segunda-feira, o tradutor apresentou uma versão totalmente fictícia de uma resposta de Raul Albiol, porque confundiu “balón” com “valor”. Foi o momento mais surrealista de uma sessão em que a maioria das opiniões oferecidas pelos jogadores não teve relação com o que saiu da boca do tradutor.

Com Costa, estivemos próximos de ver um jogador brasileiro, em uma coletiva realizada no Brasil, responder uma pergunta em português e aguardar a “tradução” para o espanhol. Felizmente o processo foi interrompido.

Nesta quarta o tradutor com licença poética foi substituído por uma tradutora que conhece os dois idiomas, mas desconhece nomes de jogadores, competições e termos futebolísticos. O telefonema sem fio prossegue e só não prejudica o trabalho dos jornalistas brasileiros porque a grande maioria compreende o que se diz em espanhol.

Um dos temas recorrentes nas conversas com os jogadores é o fato de a Espanha ser, entre as principais seleções do Mundial, a única que está se preparando em uma região de clima frio. As condições em Curitiba (12 graus durante o treino de ontem) são bem diferentes daquelas que os espanhóis encontrarão nos dois primeiros jogos, em Salvador e no Rio de Janeiro.

Há quem diga que uma adaptação ao clima quente seria lógica, mas a comissão técnica da Espanha tem outro pensamento. Para se acostumar ao calor seria necessário um tempo de preparação que as selecões não têm. Dessa forma, a escolha foi por minimizar o desgaste. Treinar diariamente no calor é mais sacrificante do que disputar um jogo nessas condicões. Os espanhóis também entendem que o clima de Curitiba ajudará os jogadores a se recuperar entre um jogo e outro.

Vamos pousar, diz o comandante (Salvador com tempo bom e 27 graus…), o que significa que eu tenho de encerrar aqui.

Colegas espanhóis estão especialmente interessados na opinião dos jogadores sobre ter de jogar de uniforme branco na estreia. Coisas da Fifa, que acha que muita gente no mundo ainda vê futebol em televisões em preto e branco (é sério) e faz questão que não haja dois times em campo com uniformes escuros. Mesmo que um seja laranja e o outro, preto.

Parece que o branco não dá sorte para a Espanha. Mas não é na sexta-feira que muita gente se veste de branco em Salvador?



  • Pablo

    Sexta feira 13 para piorar a superstição

  • RENATO77

    Sexta feira 13!!!
    O Zagallo iria adorar.
    Abraço.

  • Anna

    Ótimo post!! A Dona Fifa está na Idade da Pedra achando que ainda há televisões pretas e brancas… Ah, dona Fifa!! Chegou a hora!! Boa transmissão a todos e que possamos aproveitar essa Copa que é aqui, minha gente, então, muito especial… Vamos aproveitar! Grande abraço, Anna.

  • José Henrique

    Fifa no tempo da TV branco e preto? Não sabem que Tvs japonesas estão na Arena Corinthians, documentando imagens, em 8K? E transmitindo com essa qualidade via Internet, que falam que não funciona. Não funciona com fones xing-ling e com a frequência errada.

  • Juliano

    Lendo as bizarrices descritas com relação à organização, aqui e no blog do Juca, constatamos o que há muito já se sabia: o COL é o grande vilão no que diz respeito à organização – ou a falta dela. Absurdos relatados aqui e lá. É dose! Parabéns aos envolvidos. E o COL erra de forma homogênea entre as sedes, do contrário alguém poderia afirmar que é complô contra o time deste ou daquele estádio…

    AK, uma curiosidade: claro que o Equador não é das principais seleções da Copa, mas, salvo engano, eles estão se preparando no Rio Grande do Sul, onde não farão nenhuma partida. É isso mesmo? O que explica isso??

    Abraço!

    AK: Sim, estão lá. Um abraço.

    • José Henrique

      Juliano. Pelo menos aqui em São Paulo, parece que o Comitê Local, não deve ter errado tanto.
      As manifestações contra a Copa, Professores, metroviarios, queima de ônibus, tem tamanha rejeição que Alckmin hoje estaria eleito no primeiro turno, conforme as ultimas pesquisas.

      • Juliano

        José, here we go again…
        Você parece um defensor ferrenho daqueles que tenta tapar o sol com a peneira. Não há o que fazer contra FATOS. Se a moderaçao permitir, deixo aqui um link do Blog do Juca, onde ele descreve alguns problemas APENAS na área de comunicaçoes e TI, responsabilidade do COL:
        http://blogdojuca.uol.com.br/2014/06/o-incendio-nas-comunicacoes-em-itaquera/

        A data é de 12/06, mas bem antes da abertura.
        Dou mais credibilidade ao que li vindo do Juca do que a você quando diz que Tvs japonesas transmitem em 8K via internet. Gostaria muito que fosse verdade, que voce pudesse MOSTRAR isso. E se for verdade, por que as tvs japonesas conseguem este feito e todo o resto não, ainda de acordo com o descrito pelo Juca? Por favor, atenha-se ao assunto.

        A respeito da relaçao manifestaçoes x Alckimin, parece que é isso mesmo. Só que isso em nada tem relaçao com o que eu comentei a respeito do COL. Eu nao confundo a responsabilidade do COL (com o evento) e dos governos estaduais e municipais (com as cidades). Pra variar, saiu do assunto.

        PS: apenas para evitar qualquer tipo de comentário, torci pela seleçao sim! Uma coisa é minha torcida pelo time que representa o país na competiçao esportiva, outra coisa é tudo isso que cerca o evento.

        • José Henrique

          Juliano. Sabia que você viria. Meu I-Phone funcionou perfeitamente. Seu xing-ling não?
          Longe de mim questionar o Juca. Com certeza não funcionou mesmo. Nossas operadoras são campeãs em apagões.
          Quando a TV 8 K, foi uma falha minha, estão gravando em 16 KKKKKKKK. Como uma volta ao passado da TV e Preto e Branco, dei um pulinho para 2020, onde será lançada na olimpiada.
          Mas, procure no google que achará japoneses da NHK com câmeras de 8k fazendo testes no “INVEJÃO” a noite, com a iluminação da Osram.

          • Juliano

            Tá ok José, suas afirmações dizem então que tudo o que foi relatado pelos profissionais citados, é, então, mentira. Eles RELATAM algo, voce diz tudo o contrário. Ainda bem que, profissionais com credibilidade são eles, e não você.
            Estão fazendo testes provavelmente em horário onde o serviço não está congestionado. Ah, vc agora diz TESTE, antes era transmissão 8K via internet (em tempo real, suponho). Voce disse que estão gravando? Se é pra gravar podem gravar e retransmitir como bem entenderem. Televisão utiliza satélite… Você é bastante confuso ao se expressar nas suas tentativas de argumentação.

            INVEJÃO? Essa é nova! Inveja do que e de quem, cara pálida? Eu hein, seus devaneios são fortes, e são muitos!

            Já que citou apagão, gostou da iluminação do estádio falhando durante o jogo? Teve gerador estragando e tudo. Isso é o que acontece quando uma obra não está pronta na data prometida, não passando portanto pelos eventos-teste necessários para evitar que isso aconteça (e poderá acontecer nos outros estádios-novos-pouco-testados deste mundial). Pode e acontece com qualquer estádio novo entregue com atraso e às pressas, independe do clube ou qualquer outra coisa, antes que já venha com suas acusações doentias.

            E parabéns, vc tem um iPHone! Parabéns, campeão! Quem nao tem como chama mesmo? Xing-ling? Suas palavras dizem mais sobre voce do que voce imagina… lamentável.

    • Teobaldo

      Não sou advogado do COL, mas desse ônus eles estão livres, prezado Juliano. No meu entendimento a escolha das sedes pelas respectivas seleções deve ser debitada apenas e tão somente à cada confederação, uma vez que não existe uma sede fixa para os jogos. Caberia a cada confederação escolher a sede medianamente próxima, ou com melhor logística de vôo, em relação aos locais dos jogos na primeira fase. Salvo meu engano, essa prática de não se definir uma sede fixa para os jogos teve início na Copa de 94, quando os americanos obrigaram todas as delegações e respectivos torcedores ao deslocamento por todo o país, o que aumentou as despesas e, por óbvio, o volume de dinheiro gasto no país. A organização da Copa 2014 (não se exatamente o COL) tentou repetir a estratégia no Brasil, confiando que estruura de transporte (aeroportos, portos e estradas) e hoteleira do país estaria apta para a empreitada. Não sei se a intenção era exatamente essa, mas, no futuro, esse deslocamento poderia incentivar o turismo no país.

      • Juliano

        Teobaldo, nobre, eu apenas me referi aos ônus da desorganização constatadas nesta coluna e na outra citada (o problema de TI, por exemplo). Em momento algum eu responsabilizei o COL pela escolha do Equador, por exemplo. Eu fiquei curioso em saber porque os equatorianos fizeram tal escolha inusitada para sua jornada na Copa.

        Talvez eu não tenha me expressado bem quando mudei de assunto. Abraço!

  • André, independentemente da cor branca ou da sexta-feira 13, acredito que a Holanda desbancará a Espanha, e mais, a campeã vai ter dificuldade para passar de fase. Não vejo o futebol espanhol com a mesma força, embora seja “quase” o mesmo time.

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