COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

ABRIDOR

O desenvolvimento de uma outra maneira de superar defesas fechadas não consta da lista de “coisas a fazer” da Seleção Brasileira para esta semana. Pelo menos não de forma explícita. Scolari falou em “equilibrar alguma coisa taticamente” e voltou a mencionar seu desejo de aperfeiçoar as jogadas de bola parada. O técnico não pareceu muito preocupado com a dificuldade do Brasil para abrir a lata sérvia no Morumbi.

O comentário sobre tática pode ter a ver como avanço da primeira linha de pressão, mecanismo que gera desarmes perto da área e aumenta a probabilidade de um gol nos momentos iniciais, o que alteraria drasticamente a postura do adversário. Incrementar a circulação da bola talvez não esteja nos planos de trabalho até a estreia, porque esta Seleção foi construída para vencer com outra proposta. Ou porque Scolari já sabe de que forma alterar o caráter do time caso a redução de espaço o asfixie. Ele não disse porque não tem nada a ganhar ao fazê-lo. Ao contrário.

Willian é o abridor de latas. Perigoso no lance individual, criterioso na eleição do passe, insinuante ao carregar a bola nas proximidades da área. Ele é o elemento entre linhas capaz de provocar caos e criar o espaço, como tem demonstrado como substituto. Não há motivos para imaginar que seu impacto seria diferente se ele fosse titular. A questão é… ele não é. E não será enquanto Scolari não sentir que deu a Oscar todas as oportunidades que ele merece para fazer seu papel satisfatoriamente. Oscar não perderá a posição por causa de dois amistosos (um deles após uma noite mal dormida, sob efeito do nascimento da primeira filha), talvez não a perca mesmo se jogar mal contra a Croácia.

A relação de confiança com os jogadores é uma das características principais do trabalho de Scolari. A formação de grupo está entre seus primeiros mandamentos. Tirar um jogador da festa antes dela começar é um movimento que ele não considera viável. Pode romper o vínculo que é um dos pilares do ambiente que se estabeleceu na Copa das Confederações. A essa altura, Willian sabe disso tão bem quanto Oscar.

Há um ano, o técnico elogiava as atuações de Oscar mesmo após substitui-lo. Falava na importância da contribuição tática de um jogador que havia chegado à Seleção desgastado pela temporada na Europa. O Brasil seguiu vencendo com Oscar entre os titulares. Na principal apresentação do time sob o comando de Scolari, o meia agradeceu a insistência com o passe para Neymar marcar o segundo gol contra a Espanha. Na Copa do Mundo, razão de tudo, Oscar terá tempo para fazer a Seleção jogar conforme suas características.

Apesar da vontade da comissão técnica, a questão já se tornou um tema nesta reta final de preparação, silenciosa como poucas vezes se viu. A frase de Oscar para André Plihal, da ESPN Brasil (“querem me tirar e colocar o Willian”), é mais do que reveladora. Ela foi dita pouco depois de Scolari ter se recusado a comentar o assunto na abertura de sua entrevista coletiva após a vitória sobre a Sérvia.

CLIMA

A vaia é um direito de quem paga ingresso, mas não é um recurso de quem pretende ajudar. A curta paciência de torcedores de determinadas cidades com a Seleção Brasileira, muitas vezes demonstrada em amistosos ou jogos de Eliminatórias, pode ser muito prejudicial ao time na Copa do Mundo. Independentemente do perfil do público que estará nos estádios, os jogadores devem se sentir apoiados.

ESPANHA

A coluna está em Curitiba, base da seleção espanhola nesta Copa do Mundo. O credenciamento na Arena da Baixada não levou mais do que cinco minutos. Enquanto os trabalhos seguem em ritmo acelerado para aprontar o estádio para o início do Mundial, percebe-se uma atitude de muita iniciativa e gentileza por parte dos voluntários brasileiros envolvidos no evento. Quando é assim, menos problemas acontecem e aqueles que surgem – o que é inevitável em qualquer lugar – são resolvidos em menos tempo.



  • José Henrique

    A coluna do Lance De Prima, foi de uma felicidade e competência absoluta ao conseguir uma entrevista como essa, bem oportuna, assim como o último parágrafo de seu post, André.
    http://blogs.lancenet.com.br/deprima/2014/06/05/na-italia-estadio-da-abertura-nao-tinha-gramado-a-14-dias-de-abertura-diz-dirigente-da-fifa/

  • Joao CWB

    Bem vindo a Curitiba André. Imagino que você conhece bem a cidade e sabe onde ir para conseguir uma boa refeição.

    Caso queira uma sugestão, vá até o Barolo Trattoria. É relativamente perto da Arena da Baixada.

    Peça uma conchiglia di gamberi à San Marino (prato premiado da casa). Não se arrependerá meu caro.

    Abraço

    AK: Obrigado pela dica. Um abraço.

    • José Henrique

      E na volta André, vá até o Red Lobster no aeroporto de Guarulhos, saborear com amigos aquela lagosta, (uma dá para 4 pessoas), um luxo, por um preço razoável. E o aeroporto está surpreendentemente lindo. Apesar do tanto que criticam. Uma surpresa agradável mesmo.

  • JJunior

    André, você sente que o Oscar de hoje está passando pelo o que o Raí passou em 94?

    AK: Acho que ainda não. Um abraço.

  • Emerson Cruz

    A Croácia, tem jogadores limitados na linha de defesa, ótimos meio-campistas e bons atacantes. Deve, sem a bola, atuar bem fechada e compactada. Com a posse da redonda, provavelmente irá alternar entre tentar controlar e esfriar o jogo na faixa central do gramado, com momentos em que buscará o contra-ataque. Nada revolucionário, mas que se razoavelmente executado pode causar enormes problemas aos comandados de Felipão.
    Torço para que o time brasileiro consiga mostrar boas alternativas à proposta de jogo que a Croácia deve apresentar em Itaquera. Torço, mais do que acredito…

  • José Henrique

    Para Renato77. Como você perguntou sobre a liberação dos recursos do BNDES, hoje saiu no G1, essa informação: “Por conta da demora para o acordo dos naming rights e também da liberação do financiamento do BNDES (ainda incompleto), a obra de Itaquera sofreu com juros e chegou ao custo de R$ 1,150 bilhão.”

    Como se vê, ainda não liberaram parte do dinheiro.

    • RENATO77

      Isso porque estão entre “amigos”…imagina se fossem inimigos, a grana sairia em 2015. Aqui, nem a amizade é padrão FIFA.
      Obrigado pela informação.
      Abraço.

  • RENATO77

    AK, tenho a forte impressão de que a seleção perdeu importância junto à torcida brasileira. Isso não é recente, o interesse vem caindo ano a ano, devido a várias razões que não cabe discutir agora. Não sei se voce concorda…
    Voce acha que o mesmo acontece com as torcidas europeias? Afinal, eles vêem esses craques bem de perto semanalmente, em seus clubes.
    A impressão que tenho tido é que sim, também. Tô achando a maioria das seleções de ponta num clima muito “festivo” e pouco competitivo.
    Alemanha, acho que é daquelas que quer ganhar até no par ou ímpar.
    Argentina, por motivos óbvios adoraria ganhar aqui.
    As seleções sem tradição também devem se empenhar, até pra fazer historia, quebrar tabu.
    As demais, Italia, França, Espanha, Holanda, Inglaterra e Portugal, me parecem estar em férias. Não que não deêm importância alguma, mas é como alguns dizem sobre o mundial de clubes…se ganhar, tudo bem…se não ganhar tudo bem também. O auge pra eles é a champions.
    Alguns astros que ganham/valem milhões, pagos pelos CLUBES, dão mais valor às suas carreiras nos clubes…não “irão na bola como quem vai num prato de comida”…na menor chance de agravar uma contusão séria e desfalcar os clubes no restante do ano, esse jogador não irá a campo. É o que me parece.
    O que você acha de todo esse contexto, a copa, cada vez mais vai se tornar uma grande confraternização de futebol e não uma competição?
    Abraço.

    AK: Eu concordo que o caráter da Copa do Mundo vem se transformando, em termos de importância, ao longo dos anos. Mas creio que a relação de cad país com sua seleção é, acima de tudo, cultural. Argentinos, uruguaios, italianos e alemães, por exemplo, tratam a camisa de uma forma diferente. De modo geral, entendo que o clube estará sempre acima. Um abraço.

    • Teobaldo

      Prezados Renato77 e AK, vocês acham que essa tendência de relativização do mundial de seleções (eu entendo que a importância desta competição está diminuindo gradativamente) pode levar à extinção deste tipo de torneio (entre seleções) em detrimento do crescimento de torneios mundiais entre clubes? Afinal, os clubes fazem grandes investimentos e, num torneio entre seleções, o retorno deles é mínimo. Li, mas não lembro onde, que o lucro da FIFA com a Copa 2014 será de US11 bilhões. Achei exagerado. Tal valor corresponde à realidade? Um abraço a vocês!

      • José Henrique

        Teobaldo. Acredito que depois desse stress de 2014, dificilmente a copa irá para países emergentes, ou em desenvolvimento.
        Acho que a FIFA não irá mais correr riscos de ver seu prestigio (já abalado por denuncias de venda de escolhas de sedes) deteriorar ainda mais.
        Aliás, acredito que alguns países, tem o objetivo de ser a sede permanente. Refiro-me a Inglaterra, que historicamente exporta subversão a todos os países sedes sempre que é preterida.
        Acho que o esnobismo por serem os criadores do futebol fala grosso por lá, e a permissividade com entrada de capitais estrangeiros comprando até clubes, revela que o “interesse econômico” fala mais grosso ainda, porque a copa, leva recursos para onde quer vá. O saldo sempre é positivo para o país sede. É um grande equivoco dizer o contrário. A Fifa ganha, e muito é claro, mas os países que sediam ganham muito, mas muito mais, com certeza. Até a África do Sul, ganhou. É só olhar o outro lado da moeda.
        Para a “elite” (no caso mundial) não é interessante ver um evento desses promover um país do “terceiro mundo”.
        Acho que isso vai mudar, o que será absolutamente lamentável.
        Se bem que, aqui no nosso país também isso se reproduz em menor escala, pois já vejo gente dizendo que “tem saudade de sentar no cimento dos estádios” e horrorizados com o nome de “arena”, e pejorativamente se referindo a origem da palavra “areia”, etc.
        Ou seja, a inclusão as vezes incomoda.

        • RENATO77

          Os ganhos econômicos da FIFA devem continuar gigantes.
          O possível “encolhimento” do interesse das torcidas em geral, mundialmente falando, deve ser compensado por outras formas de captação de recursos gerados…novas mídias, novos tipos de publicidade e tudo o que a tecnologia pode agregar ao negócio…de qualquer forma, a FIFA “surfa” numa onda que ela não cria, ou nada investe.
          Quem faz isso são os clubes e federações locais.
          Bom negócio, não?
          Essa relação econômica altamente favorável à FIFA é que pode começar a mudar gradativamente. Os clubes devem começar a forçar a barra para que uma fatia do bolo da FIFA seja dividida com os clubes, que fornecem a “mão de obra” de todas as seleções nacionais. De que forma isso vai acontecer, eu não sei…mas o que deve pensar o dirigente de um grande clube europeu quando vê a divulgação dos ganhos da FIFA?
          Abraço.

        • Teobaldo

          Prezado José Henrique, não consegui captar a relação entre o que eu escrevi e a sua resposta (direcionada a mim, salvo engano). Em relação ao seu post, posso até estar enganado, mas a escolha de África do Sul, Brasil, Rússia e Qatar como sede de copas contraria a sua tese. Enfim, visões diferentes do mesmo tema! Um abraço!

          • José Henrique

            Desculpe Teobaldo se não fui claro. Como você citou no começo de seu comentário uma pergunta:”pode levar à extinção deste tipo de torneio (entre seleções) “‘ quis ponderar que não acredito na extinção, mas talvez na sua modificação, ou exclusão de países como o Brasil e África do Sul.
            Quanto as criticas inglesas a todas essas sedes que você citou, pode pesquisar que encontrará em profusão.
            Aqui no Brasil, se você procurar o que ingleses falam do nosso pais, desde que foi escolhido, vai entender o que eu quis dizer.
            E não é “privilégio” nosso. Bateram na África também.
            A Rússia talvez nem tanto, talvez porque dão abrigo a oligarcas milionários com a quebra do comunismo naquele pais.
            A Inglaterra sempre, esteve no páreo para sediar, e quando perde é um desespero total.
            Perdem a tradicional “fleugma”.
            Argentino tão “odiados”, entre aspas mesmo, ao contrario ficaram felizes por uma copa na América do Sul. Então..

      • RENATO77

        Teobaldo, o que voce diz, acho que é um caminho sem volta.
        A copa perdendo interesse do público como competição de futebol em favor das competições de clubes.
        O fato da copa ocorrer de quatro em quatro anos, ajuda a sobrevida da mesma, já que não chega a “cansar” o público. Também o dela ocorrer durante o verão no hemisfério norte, ajuda….dá um aspecto de torneio de férias…enfim, continua sendo um “produto” diferenciado de futebol. De modo que eu não acredito que ela venha a acabar de vez. Só acho que o valor esportivo, como competição, que a comunidade mundial consumidora de futebol dá a copa do mundo, está diminuindo e deve continuar caindo.
        Não sei se consegui me expressar bem…
        Como gosto de ver sempre o lado cheio do copo…o argumento de que um jogador para ser considerado top dos tops, deveria ter em seu curriculo um título de copa do mundo…isso está mudando…e eu acho até correto…futuramente quando alguém estudar a historia do futebol, Zico e a geração de 82, por exemplo, terão seu real valor reconhecido.
        Abraço.

  • Café Lima

    Bom Dia AK e leitores,

    Tenho visto que Wiliiam, teoricamente convocado como reserva imediato de Hulk, agora é a 1a. opção para todas as três vagas de meias-atacantes (Hulk, Oscar e Neymar), exemplo parecido com Denílson em 98.

    Com isto, vejo jogadores como Hernanes e Bernard sem tanta confiança do treinador para serem os reservas imediatos de Oscar e Neymar, respectivamente.

    O que vocês acham?

    Grande abraço

    • José Henrique

      Café, concordo que William parece ser um jogador mais eficiente, e que vem dando mais qualidade ao time quando entra.
      Denilson em 98, era jogador para entrar com o jogo já ganho. Para segurar a bola, e fazer malabarismos e prender laterais em seu próprio campo. Não marcava. Era talvez um jogador para agitar e chamar marcação.
      William já parece que “arruma” o time, e assenta o jogo.
      Bom para entrar nas dificuldades.

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