DIA 1 – CURITIBA



Chovia quando cheguei a Curitiba, na manhã de sábado. O motorista que nos levou ao hotel comentou sobre a pancada forte que caiu enquanto voávamos e as notícias de áreas alagadas que ele ouviu no rádio. No caminho, passamos por um córrego cujas águas estavam revoltas e altas.

Também choveu durante a madrugada, o dia e a noite de domingo. Chovia às 6h30 da manhã de hoje quando saí para me exercitar, chovia quando voltei. Agora, enquanto escrevo, não chove.

A insistência (não só da chuva, mas minha, sobre a chuva) tem um motivo: ontem, ao vivo na ESPN Brasil, dei as informações sobre o tempo na capital paranaense e falei sobre a preocupação de autoridades locais com os alagamentos. Eram fatos.

Poucos minutos se passaram até que alienados surgissem na minha timeline no twitter com alucinações sobre críticas exageradas à Copa no Brasil, postura “determinada pelo canal de televisão em que trabalho”. Teve até um iluminado que garantiu que eu tinha inventado aquilo tudo apenas para encontrar defeitos onde eles não existem.

Muito bem. Os meios de comunicação locais divulgaram que “a Prefeitura de Curitiba abriu parcialmente as comportas dos reservatórios do Parque Barigui e do Parque São Lourenço”, por causa do “risco de rompimento das barragens”. O objetivo é diminuir o volume de água dos rios da região.

Já são mais de 15 mil pessoas afetadas e mais de 3500 moradias danificadas pelas chuvas na cidade de Curitiba.

O que isso tem a ver com a Copa? Absolutamente nada. Não são opiniões ou críticas. São apenas fatos.

Um jornalista que está na cidade e deixa de reportá-los comete o mesmo deslize que um colega que está em São Paulo e não conta ao público sobre a greve dos metroviários.

Só mentes perturbadas recusam-se a compreender algo tão simples.

Curioso que eu não tenha recebido nenhuma mensagem relativa ao comentário que também fiz no ar, sobre ter demorado cinco minutos para me credenciar na Arena da Baixada, onde os voluntários estão fazendo um trabalho mais do que elogiável.

Típico.

Isto dito, mudamos de assunto. A Espanha chegou na noite de ontem e já está trabalhando no CT do Caju.

Na estrutura do Atlético Paranaense, os campeões do mundo poderão repetir o mesmo esquema de hospedagem e treinamento que os ajudou a conquistar duas Eurocopas e a Copa da África do Sul nos últimos seis anos.

Acomodação, alimentação e preparação no mesmo local.

São vários objetivos reunidos em uma só escolha. Isolamento, maximização do tempo, redução de problemas de transporte e o estabelecimento de um vínculo com um local.

Este último ponto é importante, na visão dos espanhóis, no aspecto psicológico. A comissão técnica acredita – e os jogadores concordam – que em uma competição longa é fundamental manter uma rotina de trabalho em um ambiente ao qual todos estejam habituados. Os quartos, o restaurante, os campos, a academia.

Por isso a Espanha fará do Caju sua base, voltando para Curitiba entre os jogos da Copa.

Há um outro motivo envolvido: a presença dos familiares dos atletas e técnicos. A Federação Espanhola costuma indicar um hotel na mesma cidade em que a delegação está hospedada, o que é muito mais simples quando se trata de uma sede fixa.

Nos dias de folga, os jogadores podem ir ao hotel para ver seus parentes, o que os aproxima de casa, mantém a cabeça fora do trabalho por algumas horas e contribui para suportar o longo tempo de concentração.

Nas Euros de 2008 (Suíça e Áustria) e 2012 (Polônia e Ucrânia) e também na Copa da África, os jogadores eram vistos com frequência em restaurantes e cinemas locais quando estavam de folga. Lembro que, em 2010, o apelo da Premier League no cotidiano dos sul-africanos transformou Fernando Torres em uma celebridade em Potchefstroom, base da Espanha durante aquele Mundial.

Veremos como será a rotina dos espanhóis em Curitiba. É possível que alguns astros do futebol mundial sejam flagrados, por exemplo, nos centros comerciais da cidade.

A Espanha treina e fala pela primeira vez no Brasil nesta segunda. Início da fase final de preparação para a estreia contra a Holanda, na sexta-feira, em Salvador.

Um jogo que certamente lhes provoca boas sensações.



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