COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SIMULADO

1 – A opinião mais importante sobre Brasil x Sérvia foi oferecida antes do amistoso, não depois. Luiz Felipe Scolari disse textualmemte, ainda em Teresópolis, que gostaria que o jogo tivesse acontecido há dez dias. A CBF inverteu a ordem de dificuldade que a preparação pedia (Panamá depois da Sérvia), e a Seleção sofreu mais do que deveria nesta sexta-feira.

2 – O tom da tarde ficou evidente com dois segundos de bola rolando. Falta em Neymar no grande círculo, recado enviado. O gramado escorregadio e a agressividade dos sérvios foram uma combinação aflitiva demais para quem estava a seis dias de abrir um Mundial em casa. Do ponto de vista competitivo, não foi um amistoso. Com um agravante: a Sérvia não está na Copa e não precisava se preocupar em perder jogadores expulsos ou machucados.

3 – É um equívoco esperar atitude semelhante do Brasil, que poderia ter muito mais a lamentar do que deixar de vencer um amistoso preparatório. Não é por outro motivo que o ideal é que a última movimentação antes da estreia seja um treino de luxo, não uma briga de rua com plateia.

4 – A Sérvia marcou com linhas próximas e dentes expostos. O Brasil se distanciou em campo e não teve a elaboração necessária para romper a pressão. Haverá problemas em situações parecidas se a circulação da bola não for competente para provocar a desorganização defensiva. O passe longo, como válvula de escape (mais sobre isso adiante), depende da falha do adversário para ser efetivo. Algo com o que não se deve contar.

5 – Só uma ocasião clara de gol no primeiro tempo, da Sérvia. Vaias do Morumbi ao 0 x 0 na saída de campo, descontentamento que se refletiu nas fisionomias dos jogadores e de Scolari no caminho para o vestiário. Pressão adicional às vésperas da estreia, que só uma vitória na segunda parte seria capaz de aliviar. Não precisava ser assim.

6 – Um escorregão de Neymar no reinício representou a soma de todos os medos. O prodígio fez cara de dor, levou a mão ao joelho. Levantou-se monopolizando a atenção dos companheiros, do banco de reservas e de quem percebeu a cena. Firmou a perna no chão, logo estava correndo. Alívio. Seria um preço exorbitante por um amistoso realizado na hora errada.

7 – Gol de Fred. Diferença no placar e na maneira como o jogo será processado pela Seleção Brasileira. Formidável lançamento de Thiago Silva endereçado ao peito do centroavante, expondo o erro de posicionamento de Ivanovic. Exibição de recurso de um produtor de gols. Jogada que ilustra o comentário feito no final da nota número 4.

8 – A vitória teria sido maior não fosse um erro inexplicável da arbitragem, que marcou impedimento inexistente de Hulk, lançado por Neymar. A grande vitória, porém, foi chegar ao apito final sem baixas.

9 – O jogo vertical é uma virtude desta Seleção Brasileira, provavelmente a maior delas. Mas é necessário ter outra proposta para responder ao adversário que reduz o espaço. Os sérvios indicaram um caminho que será trilhado por outros times.

10 – Willian bate à porta. Joga e faz jogar. Pode ser a saída.

CUIDADO

Scolari está correto ao preservar Oscar em suas decisões internas e declarações públicas. Nada seria pior do que um jogador importante se sentir descartado logo antes do início da Copa. Mudanças acontecem em todos os times, é provável que aconteçam neste. É papel do técnico comandar esse processo sem ameaçar a confiança e o sentimento de utilidade de cada jogador.

SORTE

As lesões pré-Copa (Ribery foi cortado da França e Reus se machucou no jogo da Alemanha) continuam assustando a todos, menos o Brasil. A imaculada preparação no aspecto médico correu um sério risco nesta sexta-feira no Morumbi.

ESTREIA

A Croácia marca como a Sérvia e possui mais argumentos ofensivos. Deve ser menos viril, por motivos óbvios. Do Morumbi para Itaquera, a Seleção Brasileira, em tese, terá mais dificuldades. Mas também terá mais alternativas.



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