O LINK DA LIGA



O Atlético de Madrid não foi o maior derrotado neste sábado em Lisboa.

Não ter conquistado a Liga dos Campeões da Uefa, por mais doído, é algo que não pode ser considerado um fracasso na temporada fantástica que o clube fez.

Em nome da leveza, os grandes derrotados nesta decisão foram os jornalistas cujos textos estavam prontos no momento do gol de Sergio Ramos, aos 48 minutos do segundo tempo.

Selecionar tudo. Apagar.

O branco que brilhava nas telas de seus computadores já era, ali, o claro retrato da noite em que o Real Madrid (4 x 1: Godín, Ramos, Bale, Marcelo e Ronaldo) se tornou campeão europeu pela décima vez.

O empate nos acréscimos fez mais do que igualar o marcador e determinar outra meia hora de futebol. Estabeleceu a justiça que o jogo nem sempre respeita, inverteu o estado de ânimo dos times em campo e de seus torcedores, mostrou ao Madrid o caminho que esteve fechado durante quase toda a partida.

Pois àquela altura, o time de Ancelotti estava aberto, disposto a correr todos os riscos, lidando com as próprias dificuldades de ser produtivo no ataque posicionado.

O gol não saiu em uma criativa associação entre jogadores ofensivos. Nem foi produto do brilho individual que caracteriza o elenco do time branco. Foi em uma cobrança de escanteio, com o cabeceio de um defensor, como tantas e tantas vezes o Atlético de Madrid comemorou neste ano.

Desta vez, Simeone e seus seguidores experimentaram o lado que lamenta.

Foi como se o 1 x 1 libertasse o Madrid dos efeitos da perseguição a um troféu que o iludia há muito tempo. “La décima”, a taça que parecia proibida depois que Godín cabeceou a bola por cima de um errático Casillas e abriu o placar na Luz, ressurgiu no horizonte quando o tempo se esvaía.

Enquanto o Real Madrid dobrou de tamanho para jogar a prorrogação, o Atlético murchou. O hábito de minimizar problemas e encontrar um meio de tirá-los do caminho, perfil dos recém-coroados campeões da Espanha, teria de encontrar uma situação insolúvel. Ela foi finalmente imposta pela jogada de Dí Maria pela esquerda, concluída pelo toque de cabeça de Bale.

Mais dois gols seriam celebrados pela parte branca do estádio. Um de Marcelo e outro de Ronaldo, de pênalti. Gols que serão lembrados e comentados, mas que devem suas existências à bola que Ramos enviou à rede lateral de Courtois.

Na lateral, Ancelotti só abriu o sorriso dos campeões após o gol que levou Marcelo às lágrimas dos injustiçados. O italiano abraçou Zidane para saborear mais um título europeu em sua conta.

Ancelotti herdou um time atormentado e o converteu em um vencedor. Ele faz jus ao aplauso por conduzir o Madrid ao dia em que a espera terminou. Talvez seja o maior título de uma carreira condecorada, de um técnico que trabalha em silêncio para entregar vitórias sonoras.

A décima conquista europeia do Real Madrid está nas mãos de quem a merece.



  • Anna

    Foi o jogo mais emocionante das últimas finais de Champions League. Marcelo chorando foi a imagem do jogo. Casillas falhou feio, numa noite de pesadelos, e quase vira vilão, não fosse o gol salvador de Sergio Ramos. Belo texto! Tb reparei o abraço de Marcelo em Zidane. Bom final de semana, Anna.

  • Alexandre

    Pra quem gosta de futebol, muito mais pelo que o envolve fora do campo (e é por isso que o esporte é tão apaixonante) foi uma das maiores injustiças que eu já houveram no futebol.

    O roteiro da final estava escrito de maneira perfeita com gol de um Godín que se eternizaria pra sempre na história de um clube que tinha seu auge depois de tanto sofrer.

    E então, em um escanteio, num gol comum de um zagueiro qualquer, tudo vai para o espaço.

    Quando quer, o futebol sabe ser cruel.

  • Fabio

    Um final de jogo incrível (pelo gol aos 93′), e “mentiroso” com os gols aos 118′ e 120′ – no futuro pensarão que foi uma barbada. Embora eu ache que 5 min. de acréscimo foi demais, eu teria dado 4, e o gol sairia do mesmo jeito. De resto, o RM efetivamente buscou mais o ataque / o gol, e mereceu a vitória, mas não a forma como chegou até lá. Um gol aos 75′, outro aos 83′, sei lá, seria mais fácil digerir.
    Interessante notar que o time mais “retranqueiro”, mais “de resultado”, mais “estratégico”, venceu o rival “técnico”, “que joga pra frente”, que “tem mais craques desequilibradores” no campeonato de pontos corridos (com 38 rodadas!) e perdeu no torneio mata-mata na fase final de jogo único em campo neutro!!! A “lógica” teria escrito o oposto…..

  • José Henrique

    Não assisti o jogo, mas ouvi opiniões que respeito, e segundo elas o jogo em seu tempo normal foi semelhante a um Corinthians x São Caetano. É verdade?

  • Teobaldo

    O Atlético venceu o rural da Espanha, o que não é pouco, dada a diferença de orçamento entre ele, o Real e o Barcelona. Essas duas vitórias do Atlético (sim, ter chegado à final da UCL, mesmo sem o título, é uma vitória monstruosa) são, para mim, o retrato fiel da necessidade de se criar um mecanismo que regule o orçamento dos clubes. Por mais que se tenha organização, a brutal diferença financeira, não raramente por caminhos obscuros, ainda é a grande diferença. Um abraço!

  • Ricardo Inocencio

    Não concordo com o comentário de um leitor que diz que a conquista do Real foi injusta.
    Fora o gol (achado), o que mais o Atlético fez em campo ? Quantas jogadas de gol criou ? Quantas vezes Casillas foi exigido ? O time foi a cara de seu técnico : catimbou, exagerou nas faltas (o n. de cartões comprova), e nos minutos finais “encerou” o que pode (David Villa por 2 vezes). O acréscimo era lícito. Méritos para o Real sim, que criou várias oportunidades com Bale, teve ainda uma falta de CR7 defendida pelo excelente Courtois, e acreditou até o fim. Méritos para a equipe que aplicou um 5-0 agregado no Bayern Munique nas semifinais, méritos para o melhor ataque da Europa na temporada com quase 160 gols. O Atlético está de parabéns, pois valorizou mais ainda a conquista. E parabéns pelo texto André, como sempre objetivo e fiel aos fatos. HALA MADRID !!!

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