COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

TRABALHO

1 – O cartão de visitas do retorno de Ney Franco ao Flamengo foi a escalação de dois atacantes, Hernane e Alecsandro. Mais presença na frente não significou, neste caso, um time perigoso. Mesmo com dias de trabalho, o novo técnico rubro-negro já conhece a carência de seu time: um jogador de organização.

2 – Em todo o primeiro tempo no Maracanã, o Flamengo só se aproximou do gol do São Paulo com um cabeceio de Wallace e um chute de longe de Luiz Antônio. A dupla de atacantes, pouco nutrida, não foi um fator. E quando Hernane se machucou, não havia alternativas.

3 – Sobrou ao São Paulo o que falta ao Flamengo. Além de Ganso, em mais uma atuação digna de sua capacidade, Osvaldo se apresentou como articulador. Pouco depois de tentar acionar Pato quando poderia concluir, o atacante criou o gol de Ganso. Inversão de papéis possibilitada pela projeção do meia pelo centro e por uma greve da defesa do Flamengo.

4 – A partida até então impecável de Ganso mereceu uma pequena anotação por não ter feito o gol que Felipe lhe ofereceu, no início do segundo tempo. O são-paulino, talvez surpreso pela falha constrangedora do goleiro, permitiu que a cobertura chegasse.

5 – Passado um período ameçador do Flamengo, insinuante pelos lados do campo, o São Paulo recuperou a posição de controlador do jogo. Era uma questão de aproveitar os avanços desorganizados do adversário e a farta oferta de espaço, mas para isso o São Paulo precisaria da mesma incisão do primeiro tempo.

6 – O diagnóstico do torcedor rubro-negro – que pediu jogadores enquanto seu time não conseguia se associar em campo – foi preciso. Está claro que os dramas do Flamengo vão além do nome do treinador que o dirige. Por falar em nomes, registre-se o ecoar de Jayme na tarde da estreia de Ney.

7 – A jogada do segundo gol é própria de um time frágil até na concentração. Luis Fabiano foi lançado por uma cobrança de lateral e chegou ao fundo com pouco esforço. Não precisou nem se livrar de seu marcador. Ganso teve tanta liberdade dentro da área que pôde finalizar duas vezes. Um gol praticamente encomendado.

8 – Apesar da fraqueza do Flamengo, o São Paulo conseguiu mostrar solidez defensiva mesmo atuando com três jogadores que, por característica, colaboram pouco. A escalação com Ganso, Pato e Luis Fabiano exige sacrifício dos demais em nome do equilíbrio necessário.

9 – Ganso tem dado declarações marcadas por certa ousadia ao falar do impacto que é capaz de causar. Enquanto atuar como nos dois últimos domingos, suas palavras não o perseguirão. As partidas contra Corinthians e Flamengo apresentaram o melhor Ganso: o que joga e faz jogar, sem intervalos. Regularidade é a chave para quem é naturalmente superior aos outros.

10 – Trabalho foi a palavra mais repetida no pós-jogo do Flamengo. Por vezes como solução, por outras como promessa. Não existe outro caminho para a comissão técnica, para os jogadores e para a diretoria.

OBRAS

O Corinthians inaugurou sua casa, em jogo oficial, com derrota para o Figueirense. O evento indicará o que ainda é necessário fazer no estádio, tanto para a Copa do Mundo quanto para sua utilização cotidiana. Não é pouco. O jogo também indicou que o time é uma obra em andamento em pleno campeonato. Quando se reencontrarem, após o Mundial, ambos devem estar em melhores condições.

ÊXITO

Incontestável título do Atlético de Madrid no Campeonato Espanhol. A “final” contra o Barcelona foi um resumo da temporada do Atlético, obrigado a testar os limites de seu elenco. Perdendo o jogo e desfalcado de Diego Costa e Arda Turán, o time de Simeone foi buscar o que era considerado distante de suas possibilidades. O ano do Atlético seria fantástico mesmo sem um título. Agora há um troféu para marcá-lo. E pode haver outro, ainda mais importante.



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